Banca & Finanças Bancos querem limites mais baixos nas taxas de juro que pagam nos depósitos a prazo

Bancos querem limites mais baixos nas taxas de juro que pagam nos depósitos a prazo

Os bancos querem que seja imposto um limite mais baixo às taxas de juro máximas que podem pagar nos depósitos a prazo, uma intenção que está a ser analisada pelo Banco de Portugal (BdP).
Lusa 14 de Março de 2013 às 07:54

A medida que alguns bancos defendem e que está a ser ponderada pelo supervisor bancário foi confirmada à Lusa por responsáveis de duas instituições bancárias que não quiseram ser identificadas.

 

Fonte oficial da Associação Portuguesa de Bancos (APB) diz que "não tem comentários a fazer, pois simplesmente não está a discutir esta matéria com o Banco de Portugal". O regulador da banca, por sua vez, não quis fazer comentários quando confrontado com a informação.

 

As taxas de juro que os bancos pagam nos depósitos a prazo têm algumas limitações desde que, no fim de 2011, o BdP impôs uma penalização no capital dos bancos sempre que estes remuneram os depósitos com juros que excedam o valor que resulta da taxa Euribor mais um 'spread' (margem de lucro do banco) de 300 pontos base (ou três pontos percentuais).

O que o BdP estará agora a ponderar é limitar esse valor à soma da taxa Euribor mais 175 pontos base.

 

Isto significa que um banco que, há um ano, pagasse por um depósito a prazo de 100 mil euros uma taxa de juro de cerca de 4,5%, sem que isso penalizasse os fundos próprios do banco, hoje não poderia exceder pouco mais de 2%. Isto acontece porque além da maior limitação em estudo, também as taxas Euribor têm vindo a descer para mínimos históricos. 

 

Em 2011, quando introduziu o limite aos juros dos depósitos que ainda se encontram em vigor, o objectivo do BdP era evitar uma eventual 'guerra dos depósitos', numa altura em que as instituições ofereciam taxas elevadas para captar poupanças, o que podia pôr em causa a sustentabilidade futura das instituições.

 

Agora, a argumentação para esta eventual descida tem a ver com a necessidade de melhorar a rentabilidade imediata dos bancos, que têm vindo a acumular prejuízos.

 

Em ambos os casos, a inspiração é, no entanto, a mesma e vem de Espanha. À semelhança do que se passou no final de 2011, também a medida que o BdP está agora a estudar seguiria o Banco de Espanha quando, em Janeiro deste ano, emitiu uma recomendação a limitar os juros oferecidos a 1,75% nos depósitos até 12 meses e 2,75% até dois anos.

 

De acordo com as estatísticas do BdP, depois de durante todo o ano de 2011 os depósitos dos particulares terem subido, já em 2012 estes registaram uma tendência mais indefinida (com avanços e recuos). Ainda assim chegaram a 130.306 milhões de euros no final de Janeiro, um valor muito semelhante ao registado quando o BdP colocou limites às remunerações.

 

Já as taxas de juro médias praticadas nos novos depósitos têm vindo a cair. Tiveram um pico entre agosto e Outubro de 2011, último mês antes de entrar em vigor a penalização aos 'super depósitos', quando oscilaram entre os 4,0% e os 4,5%. Desde então, viriam a descer e, em Dezembro de 2012, a média fixou-se nos 2,40%.

 

A concretizar-se a nova limitação aos juros dos depósitos, a medida poderia ser positiva para as contas dos principais bancos, numa altura em que estão pressionados não só pelo período recessivo que se vive em Portugal, mas também pela margem financeira. Já para os depositantes, a medida resultaria numa maior dificuldade em encontrar uma remuneração atraente, que compense a inflação e num ano em que voltou a aumentar a tributação sobre os juros.




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mais votado BANCA = FRAUDE 14.03.2013

É na banca onde se praticam as maiores fraudes. Os bancos pagam juros baixos que muitas não são suficientes para as comissões que cobram. Ser depositante é uma atitude de risco com a abundância de vigarices que bancos fazem aos clientes, exemplos: BCP, BPP, BPN. Os supervisores e autoridades "desconhecem" esses crimes, os clientes depois de burlados são abandonados ás mãos desses vampiros.

comentários mais recentes
Anónimo 14.03.2013

Concordo com comentário BANCA = FRAUDE. tenho Obrigações Perpétuas BPN e fui enganado pois não me deram nenhum documento oficial e confiei nas pessoas (prospecto, etc) e o que era para ser por seis meses, está a ser por 5 anos. A reclamação ao Banco de Portugal foi "chutada" para a CMVM e, esta, nada de relevante fez para punir o BPN. Como é que é possivel que, sabendo-se da insolvência do BPN, sabendo-se que os dados nos prospectos/fichas técnicas eram falsos, nenhuma autoridade tenha feito algo para deitar a baixo as emissões de dívida do BPN e estas tenham transitados para o Banco BIC que, feliz, da vida, paga 2% de spread aos burlados pelo BPN! E ainda argumenta que não pode reembolsar antecipadamente os créditos, porque a Comissão Europeia não deixou??? Não haja dúvidas que estamos no país do "salve-se quem puder!"

estes senhores da banca cartelizada 14.03.2013

querem economia de mercado para despedir. Mas para contratar querem cartel. Para pagar depositos querem cartel. Para emprestar dizem que é mercado, mas nos grandes negocios é cartel. O que querem mais? apoios estatais e do BCE para evitar falencias? e tiveram. Onde isto vai parar?...

Anónimo 14.03.2013

Ò pessoal: nem tudo o que parece é pá... não falem de coisas que não sabem...não vos fica bem... http://web3.cmvm.pt/sdi2004/emitentes/docs/FR43847.pdf

Anónimo 14.03.2013

Absolutamente. É vergonhosamente execessivo que tenham que pagar 1,5% de taxa efectiva em depósitos a prazo fica menos dinheiro para especular a 6 e 7% contra as dividas soberanas (e recebimentos do Estado e do BCE). Quem tenha conta no banco tem é que pagar mais e mais.

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