Banca & Finanças Carlos Costa: Troika defendia modelo de recapitalização que implicava nacionalização da banca

Carlos Costa: Troika defendia modelo de recapitalização que implicava nacionalização da banca

O governador do Banco de Portugal afirmou esta noite que a troika defendeu um modelo de recapitalização da banca diferente e que teria implicado a nacionalização do sector e um aumento de 20 a 30 pontos do rácio da dívida.
Carlos Costa: Troika defendia modelo de recapitalização que implicava nacionalização da banca
Sara Matos/Negócios
Lusa 15 de janeiro de 2015 às 23:54

Quando o resgate de Portugal foi negociado, em 2011, o envelope financeiro emprestado pelos parceiros europeus e pelo Fundo Monetário Internacional incluía um valor consignado à recapitalização dos bancos portugueses que revelassem essa necessidade, de 12 mil milhões de euros.

 

"A história dos bancos portugueses é uma história de convalescença longa que resulta do facto de se ter poupado o agente público ao impacto de um endividamento súbito que teria necessariamente uma dimensão dos 20 a 30 pontos percentuais", afirmou Carlos Costa num jantar-debate esta quinta-feira em Lisboa organizado pelo 'think-tank' Portugal XXI.

 

De acordo com o governador do Banco de Portugal, "quando a 'troika' cá chegou tinha um número na cabeça para o fundo de recapitalização [da banca] que não era 12 [mil milhões de euros] e chegar a esse valor só foi possível "depois de se ajustar o modelo de escrutínio do sistema àquilo que eram as necessidades de capital" dos bancos.

 

"Tínhamos dois modelos alternativos: termos em 2012 o sistema financeiro todo nacionalizado por insuficiência de capital e tínhamos hoje um grande programa de privatizações em curso e mais dívida pública; ou termos seguido o processo que seguimos com os riscos que obviamente comporta e segui-lo de forma metódica", revelou Carlos Costa.

 

"Feito o balanço, acho que fizemos a escolha certa (...) Não imaginam hoje a dívida pública portuguesa ser hoje de 150 ou 155% do PIB [Produto Interno Bruto]. Não imaginam o que isto significaria em termos de posicionamento no mercado e de pressão sobre a República", disse ainda o governador, acrescentando que "a República respira hoje com muito mais tranquilidade".

 

Durante a sua intervenção, Carlos Costa referiu-se aos casos irlandês, grego e espanhol, que "fizeram uma operação muito clara de recapitalização à cabeça" dos seus bancos, "transferindo os activos problemáticos para veículos e registando perdas de capital significativas", o que teve como consequência "um aumento da dívida pública da mesma dimensão" desses activos.

 

Se a mesma solução tivesse sido aplicada a Portugal, Carlos Costa acredita que, "em vez dos 40 mil milhões [de euros] de imparidades [que a banca portuguesa registava desde 2008] de forma gradual, numa situação de venda forçada seria um número superior".

 

Ainda assim, o governador do banco central fez um exercício para calcular o impacto de uma recapitalização dos bancos portugueses semelhantes à que se realizou noutros países europeus. "Vamos imaginar que eram [imparidades de] 40 mil milhões. [Nesse caso] seriam 25 pontos percentuais de dívida adicional para o país e teríamos hoje uma dívida muito superior ao que temos", afirmou.

 

Carlos Costa disse ainda que este "era o modelo preconizado pela 'troika'", o que lhe valeu "nas salas do Banco de Portugal um braço de ferro" para que Portugal seguisse "uma via diferente".

 

"Para mim, foi um grande risco, mas para o país estou convencido que o futuro dirá que foi um grande alívio, porque evitámos um aumento do 'stock' da dívida que teria criado junto dos mercados internacionais uma noção de insustentabilidade, o que teria para um país como um nosso um resultado muito grave", disse ainda Carlos Costa.




A sua opinião11
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
comentar
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
mais votado Anónimo 16.01.2015

Mais uma vez a troika revelou ter sabido estar do lado da razão e do discernimento.

comentários mais recentes
Anónimo 16.01.2015

burlados com papel comercial reunam-se em http://burladosnovobanco.criarforum.com/

Gatunos 16.01.2015

Em 2008 Portugal já estava EM PLENA BANCARROTA com 40 mil milhoes de euros de IMPARIDADES nos bancos Portugueses.
O que fez o governo PS com aumento EXPONENCIAL de investimentos Publicos em ppp's , sctus e TGV´s etc etc FOI CRIMINOSO, o que conduziu o ESTADO À BANCARROTA em 2011.
O que se fez com a entrada da Troika , FOI POREM O POVO A PAGAR AS BANCARROTAS DOS BANCOS E DO ESTADO, porque temos um regimde de LADRÔES E TRAIDORES em que os governos PS são exatamente iguais aos governos PSD, governos de ladrões, corruptos e TRAIDORES.

Anónimo 16.01.2015

Mas assim não safavas os amigos não era...

o que fizeste foi dar cobertura 16.01.2015

à fraude.
e nada mais.
mais sim, gastaste dinheiro publico, às toneladas, e queimaste investidores sem o correspondente processo judicial paralelo, mas conclusivo.
parabéns! pagaram-te para isto? quem te paga o ordenado?

ver mais comentários
pub