Banca & Finanças Catarina Martins alerta que “Portugal está a ficar sem um sistema financeiro”

Catarina Martins alerta que “Portugal está a ficar sem um sistema financeiro”

A porta-voz do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, disse sábado, 12 de Março, em Famalicão, que "Portugal está a ficar sem um sistema financeiro", um problema "urgente e grave", aconselhando "decisões em nome do interesse público".
Catarina Martins alerta que “Portugal está a ficar sem um sistema financeiro”
Miguel Baltazar
Lusa 13 de março de 2016 às 11:08

"Onde há dinheiro público tem de haver controlo público. Onde há controlo público tem de haver gestão pública em nome do interesse público", declarou Catarina Martins, na biblioteca de Vila Nova de Famalicão, distrito de Braga, apontando que "Portugal só terá sistema financeiro se assumir o controlo público daquilo que já pagou", sendo "o melhor exemplo" disso o Novo Banco.

Catarina Martins referiu que Portugal está "a pagar sucessivamente bancos para os entregar a mãos estrangeiras" e "até o Presidente da República" já alertou que "é preciso cuidado porque se pode ficar sem centros de decisão".

"Precisamos de pensar muito bem em Portugal sobre não termos controlo de sectores estratégicos. Foi um tremendo erro privatizarmos as empresas que hoje precisamos para relançar a economia e criar emprego", considerou.

Catarina Martins também falou das dotações que o Orçamento do Estado (OE) prevê para a Grécia e para a Turquia, vincando que em causa estão "assuntos diferentes".

"No caso da Grécia, estamos a falar de devolver os juros que os bancos centrais fizeram à conta da dívida grega. Os Estados fizeram dinheiros com a crise de outro Estado e nós achamos normal que se devolva esse dinheiro. Como também achamos que quem ganhou com a crise portuguesa tem de devolver o dinheiro a Portugal", disse.

A porta-voz do BE avançou que não deve ser a União Europeia (UE) a decidir se o dinheiro é entregue à Grécia se este país aplicar medidas de austeridade.

"O dinheiro é dos gregos, nós não temos de dizer como é que eles o gastam. Temos só de devolver aquilo com que ficamos e não era nosso (...). Não aceitamos que a devolução esteja dependente da Comissão Europeia dar ordens do que faz com o seu dinheiro. Isso é um mau acordo. Não aceitamos que limitem a nossa soberania democrática".

Relativamente à Turquia, Catarina Martins referiu que está em causa um "acordo gravíssimo", porque é feito para que a Turquia "não deixe os refugiados passarem para a Europa".

"Nós não estamos a ajudar refugiados. Nós estamos a pagar para não se deixar os refugiados passar e depois logo se vê o que acontece. Estamos a pagar para que a crise humanitária em vez de estar na UE, esteja na Turquia e em dose solidária (...). Não aceitamos passar a crise para a Turquia em dose dupla para os nossos olhos não verem as pessoas a sofrerem", afirmou.

Isto depois de fazer uma análise ao Orçamento do Estado e às medidas que estão a ser tomadas com o novo Governo socialista, que é suportado no parlamento pelo Bloco de Esquerda e pelo PCP, falando, por exemplo, em "reposição de injustiças que a direita estava a praticar".

Admitindo que este OE "não acaba com a austeridade", Catarina Martins destacou que é um documento "sem privatizações" e que "pára com o empobrecimento".

Na biblioteca de Vila Nova de Famalicão, Catarina Martins também criticou o facto do investimento público ser "quase inexistente em Portugal". "Temos os fundos europeus e pouco mais", disse.

E ainda sobre o OE para 2016, referiu que este "confrontou Portugal com os limites sobre a soberania", criticando uma "União Europeia tem um problema gravíssimo de legitimidade democrática".

 




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comentários mais recentes
Juca 13.03.2016

É chato, eu sei que é chato. Agora que o BE podia entrar no "esquema", os socialistas, em particular o A. Vara e o Socras deram cabo do sistema financeiro e só restam dívidas.

Anónimo 13.03.2016

Estamos a ficar sem centros de prostituição. Essas empresas todas que davam emprego a up-starters da política e que participavam na lavagem de dinheiro têm vindo a ser desmanteladas e vendidas. Enfim mais um processo que é preciso reverter.

Anónimo 13.03.2016

Por experiencia propria sem que quem e pequeno consegue ver bem para baixo,para cima,a distancia e que ja e um problema se houver muita gente na nossa frente.Olha la oh pequeninha soma os miles milhoes que a sector publico por ano acumula de divida.Cuba por favor usa na tua casa.

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