Banca & Finanças CGD: Investidores com "forte interesse" na emissão de dívida

CGD: Investidores com "forte interesse" na emissão de dívida

No "roadshow" que demorou três dias os responsáveis do banco público mantiveram reuniões com 120 investidores.
CGD: Investidores com "forte interesse" na emissão de dívida
Pedro Elias
Nuno Carregueiro 22 de março de 2017 às 17:41

A Caixa Geral de Depósitos anunciou esta quarta-feira, 22 de Março, que os investidores contactados no âmbito do "roadshow" para a emissão de dívida perpétua, demonstraram um "forte interesse na operação".

 

Em comunicado enviado à CMVM, o banco público diz que se reuniu com 120 investidores nas apresentações que realizou durante três dias nas cidades de Lisboa, Londres e Paris. "Esses investidores, todos eles do tipo institucional (fundos de investimento, fundos de pensões, seguradoras, hedge funds), demonstraram profundo conhecimento acerca da CGD e do sector financeiro português, bem como um forte interesse na operação", refere a curta nota emitida pela CGD.

 

Concluído o "roadshow", está dado mais um passo para a Caixa emitir 500 milhões de euros em obrigações subordinadas additional tier 1, no âmbito do seu plano de recapitalização.

 

O banco liderado por Paulo Macedo tinha já anunciado que depois de concluído o "roadshow", a emissão de dívida chegaria ao mercado, sendo "registadas as ordens de compra dos investidores em processo de book building, que permitirá apurar o montante subscrito por cada um deles". Só na próxima semana será concretizada a colocação dos títulos junto dos investidores e a liquidação da operação, o que acontecerá em simultâneo com o aumento de capital de 2,5 mil milhões de euros que será subscrito integralmente pelo Estado. 

A instituição financeira liderada por Paulo Macedo publicou esta semana um conjunto de perguntas e respostas sobre a emissão de dívida, que se transcreve em baixo.

Perguntas e respostas

Quem pode investir, quando poderão ser amortizadas, qual o risco associado são algumas das perguntas esclarecidas.

 

 

Qual o objectivo desta emissão?
Esta emissão no valor de 500 milhões de euros corresponde à primeira tranche de um total de 930 milhões de euros de dívida subordinada que a CGD vai emitir e que faz parte da segunda fase do plano de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos, acordado entre o Estado Português e a Comissão Europeia.

Qual o Prazo do investimento?
A emissão é perpétua, mas a CGD poderá amortizá-la antecipadamente ao fim de 5 anos e a partir dessa data, em cada uma das datas de pagamento de juros, sujeito a autorização por parte das autoridades competentes.

Qual a Taxa de Juro?
A taxa de juro dos Valores Mobiliários ainda não está definida, dependendo da procura por parte dos investidores interessados e das condições de mercado.

Qual o risco destes títulos?
Caso o rácio de fundos próprios principais de nível 1 (CET1) consolidado ou individual da CGD desça abaixo de 5,125%, o valor nominal dos Valores Mobiliários será reduzido de forma a repor o referido rácio de fundos próprios principais de nível 1. Esta redução pode ser temporária, uma vez que se a CGD voltar a ter lucros, poderá repor o valor nominal dos Valores Mobiliários desde que, ao fazê-lo, o rácio de fundos próprios principais de nível 1 não desça abaixo de 5.125%.

As obrigações podem ser convertidas em ações?
Não, não faz parte das condições da emissão. Por lei as acções da Caixa Geral de Depósitos apenas podem ser detidas Estado Português. Para garantir isso a emissão prevê o mecanismo de redução do valor nominal dos títulos e não a conversão em acções.

Qual a relação entre a Emissão de AT1 e o aumento de capital em dinheiro no valor de 2.500M€ por parte do Estado Português?
A data de realização do aumento de capital em dinheiro no valor de 2.500M€ por parte do Estado coincide com a data de liquidação financeira dos títulos por parte dos investidores. Estas duas operações são interdependentes porquanto a não realização de uma delas implica que a outra não se realize.

A quem se destinam estes títulos?
A emissão não se destina ao público em geral, apenas a investidores institucionais profissionais (privados), nomeadamente fundos de investimento, hedge funds, fundos de pensões e seguradoras, identificados como tal pelos bancos de investimento que irão assistir a Caixa no processo de colocação de dívida.

Uma empresa poderá investir nestes títulos?
Apenas se se tratar de uma empresa classificada como investidor institucional profissional, identificada como tal pelos bancos de investimento que irão assistir a Caixa no processo de colocação de dívida.

Um investidor particular de alto rendimento, residente na UE pode investir nestes títulos?
Não. A emissão não pode ser colocada em investidores particulares.

Porquê fazer a emissão no Luxemburgo?
Porque a CGD tem habitualmente admitidos neste mercado valores mobiliários emitidos no âmbito do seu programa de European Medium Term Notes (EMTN) – mais de 400 emissões realizadas desde o ano 2000 – quando as mesmas se destinam exclusivamente a investidores institucionais.

Em que mercados emitem os emitentes internacionais?
As praças do Luxemburgo e da Irlanda são um standard internacional para este tipo de emissões, dada a tipologia de investidores alvo, sendo que a grande maioria das emissões de AT1 realizadas por bancos europeus estão cotadas num destes dois mercados.




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comentários mais recentes
Marques 23.03.2017

Aqui temos três comentários de brilhantes inteligências;NAO VÁ O SAPATEIRO ALÉM DA CHINELA., será que entendem? Provávelmente não.

Anónimo 22.03.2017

Os investidores devem estar excitadissimos...prontos a enterrar dinheiro na CGD!!! Por isso é que hoje foram nomeados mais 4 administradores não executivos (boys!!) para que o banco continue a "esturricar" mais "massa".

Pedro 22.03.2017

É de extrema gravidade o que sucedeu a Portugal nos últimos anos, desde a chegada à bancarrota a aceitar condições humilhantes que põem em causa o futuro como nação. Muito grave

Anónimo 22.03.2017

Só a Geringonça e alguns idiotas é que acharam que a Caixa tinha um enorme "buraco"!!!! E assim em vez de a Caixa continuar a pagar juros ao Estado vai pagar juros elevados aos privados! Belo negócio !

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