Banca & Finanças CMVM suspende acções do BES à espera de informação relevante

CMVM suspende acções do BES à espera de informação relevante

A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) anunciou a suspensão das acções do Banco Espírito Santo (BES), até que o banco divulgue informação relevante. O BES junta-se assim à ESFG, que decidiu suspender a negociação das suas acções.
CMVM suspende acções do BES à espera de informação relevante
Bruno Simão/Negócios
Raquel Godinho 10 de julho de 2014 às 12:40

"O Conselho Directivo da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) deliberou, nos termos do artigo 214º e da alínea b) do n.º 2 do artigo 213º do Código dos Valores Mobiliários, a suspensão da negociação das acções do Banco Espírito Santo, até à divulgação de informação relevante sobre o emitente", refere o comunicado.

 

As acções do BES seguiam, até ao momento da suspensão, a desvalorizar 17,24% para os 0,509 euros, depois de ter já chegado a perder 18,7% para o valor mais baixo desde Julho de 2013. Com este desempenho, o banco vê a sua capitalização bolsista "encolher" em 1,37 mil milhões de euros desde o início desta semana.

 

O desempenho negativo do BES foi agravado depois de, esta manhã, a Espírito Santo Financial Group (ESFG) ter solicitado a suspensão das suas acções e obrigações "devido a dificuldades relevantes no seu maior accionista, a Espírito Santo International (ESI), e a exposição da ESFG à empresa". Também as acções da instituição negociavam em forte queda. Desciam 8,85% para os 1,185 euros, depois de terem chegado a depreciar mais de 16% para o valor mais baixo de sempre (1,09 euros).

 

A incerteza em torno dos problemas financeiros do grupo agudizou-se nos últimos dias e agravou as perdas do BES e do ESFG que arrastaram não só a bolsa nacional como também os juros da dívida pública portuguesa.

 

Os investidores estão receosos quanto à exposição do BES ao grupo. Segundo uma nota recente publicada pelo BPI, o banco tem financiamentos no valor de 200 milhões de euros à Rioforte, "holding" não financeira do grupo, e de 780 milhões de euros à ESFG, não tendo exposição directa à ESI.

 

A mesma fonte estima que, indirectamente, a exposição dos clientes de retalho do BES ao GES (ESI e subsidiárias) chegava aos 651 milhões de euros a 30 de Junho, um valor que compara com os 2,1 mil milhões de euros em 2013. A exposição dos clientes de retalho à ESI desceu de 1,5 mil milhões em 2013 para 255 milhões em Junho último, enquanto a da Rioforte recuou de 779 milhões de euros no ano passado para 342 milhões agora.

 

Já a exposição dos clientes institucionais do BES ao GES aumentou de 1,5 mil milhões em 2013 para 1,94 mil milhões no final do primeiro semestre deste ano.  

 

O Diário Económico avança, esta quinta-feira, que a ESI está a avaliar o pedido de insolvência no Luxemburgo, se não conseguir chegar a um acordo de renegociação da dívida com os principais credores. Este pedido de protecção contra credores permitiria avançar com o plano de reestruturação que será aprovado pelos accionistas da ESI na Assembleia-Geral agendada para dia 29 de Julho.

 

Já esta quarta-feira, a Moody’s anunciou o corte do "rating" da ESFG para oito níveis abaixo de "lixo. A classificação agora atribuída de Caa2 está a poucos níveis de "default".

 

A Moody’s vê "um agravamento do perfil de risco de crédito para a ESFG na sequência do aumento da exposição da ESFG aos seus accionistas indirectos". Os "receios em torno da qualidade de crédito da ESFG são amplificados pela falta de transparência em torno não só da situação financeira do Grupo Espírito Santo, mas também da amplitude das ligações intra-grupo incluindo a exposição directa e indirecta da ESFG à Espírito Santo International".

 

O Negócios avança, na edição desta quinta-feira, vários clientes do Banque Privée Espírito Santo, que têm aplicações em dívida do GES em atraso, queixaram-se à CMVM, que os encaminhou para o supervisor suíço.

 

(Notícia actualizada às 13h08 com mais informação)


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mais votado Pedro G 10.07.2014

CALMA! O PROBLEMA É SE ESTA NÃO PREVALECER!
O BES NÃO ESTÁ com problemas de Solvabilidade! A rentabilidade é diferente, mas isso é um problema dos accionistas que à partida devem saber no que se metem! Os depositantes podem estar tranquilos e isso é que é importante. Parece que há pessoas que têm gosto em que as coisas corram mal, que os bancos vão abaixo e que não parem de aparecer tragédias nas instituições, mas esquecem-se que se isso acontecer há um problema para muita gente dentro e fora das mesmas, inclusivamente directa ou inderectamente para estes que criticam sem conhecimento de causa!
Vamos estar atentos, mas manter a calma! O BES ( o banco não o Grupo) tem mais de 140 anos e muita gente competente a trabalhar, e isso não se deita abaixo de um dia para o outro!

comentários mais recentes
FURAFURA 10.07.2014

Não percebo porque razão a CMVM suspendeu as acções... Aqui na página ao lado o governador do BdP diz que o BES está sólido. Bem sei que, às vezes, uma mentira dita muita vez passa a ser verdade...

silva 10.07.2014

falam em milhões de euros como falam em milhões de anos dos dinossauros !! por isso, vou dar ordem de compra de pelo menos 500 mil milhões de ações do BES.ou seja, quero comprar o BES. PT vou vender, prefiro a OI OI seven-1

VIRTUALUNIT 10.07.2014

Com mais de 1.200 milhões de euros de dívida por contabilizar e várias centenas de milhões de euros de activos sobreavaliados, a Espírito Santo International, "holding" de topo do grupo está numa situação de falência técnica. No total, no final de 2013, a dívida do GES superava os 7.300 milhões de euros, dos quais 6.039 milhões estavam financiados através de papel comercial, ou seja, títulos de dívida de curto prazo subscritos por clientes institucionais e de retalho do BES e de outros bancos controlados pelo grupo através do Espírito Santo Financial Group (ESFG).

Cliente BES - Granadeiro 10.07.2014

Cliente BES, o Granadeiro da PT também é cliente BES.

Sabes porquê? Os encornados são sempre os ultimos a saber. Oxalá também não sejas surpreendido.

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