Banca & Finanças Dependência da banca portuguesa do BCE com a maior queda desde 2015

Dependência da banca portuguesa do BCE com a maior queda desde 2015

Os bancos voltaram a reduzir os empréstimos que têm junto do BCE. Em Julho a descida homóloga foi superior a 15%, o que corresponde à maior descida desde Dezembro de 2015.
Sara Antunes 14 de agosto de 2018 às 12:02

A banca portuguesa voltou a reduzir os empréstimos que tem junto do banco central. A redução de Julho foi até ligeira (10 milhões), mas em termos homólogos foi verificada a maior redução desde Dezembro de 2015. Tudo, porque a Caixa Geral de Depósitos (CGD) fez um reembolso de dois mil milhões de euros no mês anterior.

 

Assim, os empréstimos que a banca tem junto do Banco Central Europeu (BCE) desceram em Julho 15,94%, quando comparado com o mesmo período do ano passado. No total, o montante de financiamento dos bancos está nos 19,7 mil milhões de euros. São menos 3,7 mil milhões do que há um ano. E menos 10 milhões face a Junho.

 

E foi precisamente em Junho que o saldo total registou uma queda muito significativa. A justificar esta descida esteve o reembolso realizado pela CGD, que no final de Junho reembolsou uma linha de 2.000 milhões de euros junto do banco central, tal como noticiado pelo Negócios. Com este reembolso, o banco estatal deixou de ter qualquer financiamento junto do BCE.

 

O valor actual dos empréstimos da banca junto do BCE está assim em mínimos de Abril de 2010, período que antecedeu o pedido de resgate financeiro de Portugal.

 

Os bancos continuam assim a reduzir a sua dependência do BCE, que atingiu o seu pico, em Junho de 2012, quando o montante ascendeu a 60,5 mil milhões de euros, num período marcado pelo fecho dos mercados internacionais para a banca portuguesa devido ao resgate financeiro pedido em 2011.

Antes do início da crise de dívida na Europa, que começou com o pedido de ajuda financeiro da Grécia, a dependência da banca nacional do BCE era mais pequena, tendo raramente atingido os 10 mil milhões de euros. 

A redução dos financiamentos da banca nacional junto do BCE começou no final de 2012, de forma progressiva, tendo quebrado a barreira dos 30 mil milhões em Janeiro de 2015.




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