Banca & Finanças Elisa Ferreira apontada como uma das favoritas à presidência da supervisão do BCE

Elisa Ferreira apontada como uma das favoritas à presidência da supervisão do BCE

A Bloomberg avança que a vice-governadora do Banco de Portugal é uma das duas favoritas, junto à irlandesa Sharon Donnery, para a presidência do Mecanismo Único de Supervisão do BCE.
David Santiago 24 de agosto de 2018 às 11:50

Depois de Vítor Constâncio e Mário Centeno, Portugal poderá ter outro alto representante numa instituição de topo da União Europeia. Segundo avança a agência Bloomberg esta sexta-feira, 24 de Agosto, com base em fontes envolvidas no processo, a economista Elisa Ferreira está entre as duas favoritas à sucessão de Danièle Nouy na presidência do Mecanismo Único de Supervisão do Banco Central Europeu.

A Bloomberg escreve que para lá da competência, experiência e apoio político, o factor decisivo pode ser o género, já que aparentemente o BCE preferirá que seja uma mulher a substituir outra mulher, a francesa Nouy que termina mandato em 31 de Dezembro próximo. 

Além de Elisa Ferreira, que além de vice-governadora do Banco de Portugal é a representante desta instituição junto da instituição responsável pela supervisão bancária na Zona Euro, a Bloomberg coloca na frente da corrida a irlandesa Sharon Donnery. A preferência por uma mulher para liderar a supervisão do BCE prende-se com as críticas dirigidas ao facto de há muito o BCE ser dominado por homens, sendo que actualmente o conselho geral da instituição liderada por Mario Draghi conta com apenas uma mulher (Chrystalla Georghadji, do Chipre). 

A experiência de Elisa Ferreira enquanto eurodeputado, onde esteve no comité de assuntos económicos e monetários, designadamente o envolvimento como chefe de negociação para a criação de um enquadramento legal para bancos insolventes, é um dos pontos a favor da portuguesa. Desde logo porque a economista tem um conhecimento profundo das regras europeias adoptadas na sequência da crise das dívidas soberanas e que passa por salvaguardar os contribuintes das perdas dos bancos. 

Contra a ex-ministra nos governos de António Guterres está a relativamente curta experiência ao nível do sector financeiro bem como o facto de actualmente ser um português o presidente do Eurogrupo (Mário Centeno), assim como o facto de até há pouco Vítor Constâncio ter sido o número dois do BCE. 

Escolha será feita antes do final de 2018


A nomeação do futuro presidente do Conselho de Supervisão do Mecanismo Único de Supervisão, cujo mandato é de cinco anos e não é renovável, terá de ser feita até ao final deste ano, numa decisão a cargo do Parlamento Europeu e dos governos dos países-membros da área do euro, que têm de aprovar por maioria o nome escolhido pelo Conselho do BCE proposto ao Parlamento Europeu. O Conselho de Supervisão é o organismo responsável pela vigilância do sistema financeiro da Zona Euro.


Se não vingar o critério de "preferência" por uma mulher, a Bloomberg coloca três homens italianos como favoritos ao cargo: Andrea Enria, ex-presidente da Autoridade Bancária Europeia, Ignazio Angeloni, que integra o BCE desde a sua fundação, e ainda Faboio Panetta, o actual representante do Banco de Itália no Mecanismo Único de Supervisão.


(Notícia actualizada às 12:35)




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