Banca & Finanças Mapa: Onde a Caixa vai encerrar balcões

Mapa: Onde a Caixa vai encerrar balcões

O banco público já tem uma lista de 70 balcões que pretende encerrar este ano. Apenas nove são no interior do país. Bloco de Esquerda quer ouvir Mário Centeno com urgência.
Mapa: Onde a Caixa vai encerrar balcões

A lista de 70 balcões da Caixa Geral de Depósitos (CGD) que deverão encerrar até final deste ano concentra o esforço de redução de agências no litoral. Até 2020, o banco público quer ter menos 180 balcões. Para já parecem afastados receios levantados pelos parceiros do Governo.

A lista dos 70 balcões foi divulgada esta quinta-feira, 16 de Março, pelo Correio da Manhã, que cita um documento interno, e revela que em Lisboa são 20 os balcões a encerrar, no Sul e Ilhas são 19, no Norte 16 e no Centro 15.

Uma análise feita pelo Negócios à distribuição dos balcões que vão fechar entre litoral e interior mostra que o interior e as ilhas são poupadas este ano. 

Dos 70 balcões, apenas nove são no interior e três são nas ilhas (um na Madeira e dois nos Açores). Os restantes 58 balcões estão na metade do país junto ao litoral. 

A distribuição territorial dos balcões que fecham já este ano é uma das preocupações reveladas pelo Bloco de Esquerda, PCP e Verdes. Os três parceiros do Governo no Parlamento rejeitam a ideia de que a reestruturação do banco, através do fecho de balcões e da saída de trabalhadores (deverão sair 2.200 até 2020), não pode ser uma espécie de moeda de troca do plano de recapitalização. Entre os receios estão também o facto de o fecho poder concentra-se no interior. 

Como foi noticiado esta terça-feira pelo jornal i, os partidos entregaram recentemente perguntas no Parlamento sobre encerramento de balcões específicos. 

Na apresentação das contas de 2016, a 10 de Março, o presidente do banco, Paulo Macedo, disse que não se pode pedir que a Caixa fique onde não há interesse para os outros bancos. 

O Negócios questionou a Caixa sobre a distribuição do encerramento de balcões pelo território mas o banco público não respondeu.

No entanto, o encerramento de balcões bem como a redução do números de trabalhadores levou o Bloco de Esquerda a pedir uma audição urgente do ministro das Finanças no Parlamento. O Bloco defende que por se tratar do banco público, a Caixa tem responsabilidades acrescidas. 

Mariana Mortágua não exclui a possibilidade de uma análise e revisão da rede de balcões da CGD, mas lembra que a Caixa "tem obrigação de estar onde o privado não chega". "Acima de tudo, tem a obrigação de ser transparente quanto ao seu plano de presença geográfica."

Quanto à saída de trabalhadores, o partido liderado por Catarina Martins defende que "é preciso renovar as garantias que a redução do número de trabalhadores não será feita com recurso a rescisões ‘amigáveis’ com base em pressões e ameaças, mais ou menos veladas, como assistimos já noutras instituições bancárias, nomeadamente no Novo Banco. A Caixa tem obrigação de ter uma atitude irrepreensível na relação com os seus trabalhadores". 

Nota: Não é possível visualizar o mapa em baixo no browser Safari. 


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comentários mais recentes
Anónimo 18.03.2017

O impacto do excedentarismo sindicalizado de carreira, seja na banca ou no sector público em sentido lato, é já parte integrante do sistema público de segurança social premium. E o que é isso do sistema público de segurança social premium? É um sistema de segurança social paralelo que confere direitos, libertinagem e garantias aos seus membros, roubando aos restantes tudo aquilo que puder roubar.

Anónimo 18.03.2017

Quem ainda não tivesse percebido que o crédito bancário a empresas privadas e a particulares não pode ser concedido sem se aferir a real capacidade dos potenciais devedores para pagar as suas dívidas e a capacidade da economia para promover as condições de equidade e sustentabilidade, assentes nas tendências nos mercados domésticos e mundiais, que permitam pagá-las, percebeu agora. Resta também que se comece a ter igual entendimento e sensibilidade em relação ao crédito concedido a todo o sector público. Isso implicará sempre a capacidade para despedir onde é preciso despedir, investir na tecnologia onde se tem que investir e deixar de tratar a oferta e procura reais como se não existissem ou fossem opcionais.

Anónimo 18.03.2017

O flagelo do excedentarismo espalhou-se por todo o lado. A tríade constituída pelo político eleitoralista irresponsável, o sindicalista aos berros que suja tudo com cartazes na via pública e o banqueiro grande demais para falhar, aprovam e aplaudem. Em Portugal e na Grécia é pior, mas em parte alguma um excedentário ao lado de um sistema automático que não precisa mais dele para nada, pode fazer aumentar a produtividade.

Anónimo 18.03.2017

A protecção do excedentarismo, extorsionista por natureza, é feita sempre pelos mesmos grupos de interesse que vêem o posto de trabalho como um direito humano inalienável mas alheio às reais condições de oferta e procura de mercado. Organizações empresariais e os próprios Estados vão à falência por causa disso.

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