Banca & Finanças Mourinho Félix: Nacionalização do Novo Banco "seria difícil de justificar"

Mourinho Félix: Nacionalização do Novo Banco "seria difícil de justificar"

O Governo considera que seria difícil de justificar a nacionalização do Novo Banco pois já controla a Caixa Geral de Depósitos, uma opção defendida por PCP e Bloco de Esquerda.
Mourinho Félix: Nacionalização do Novo Banco "seria difícil de justificar"
Miguel Baltazar/Negócios
Negócios 04 de abril de 2017 às 09:17
O facto do Estado português já controlar a Caixa Geral de Depósitos é um dos factores que dificultam o Governo avançar para a nacionalização do Novo Banco.

Para o secretário de Estado Adjunto e das Finanças, o respectivo impacto financeiro desta operação também é relevante para que não se tome esta opção.

"Quando o Estado é já dono de um banco, a Caixa Geral de Depósitos, que é muito relevante no mercado, e teve agora mesmo uma recapitalização pelo seu accionista em condições de mercado, seria muito difícil de justificar a sua nacionalização e que o Estado passasse a ter de facto uma posição dominante no mercado bancário", começou por dizer Ricardo Mourinho Félix em entrevista à RTP na segunda-feira, 3 de Abril.

"Seria difícil de justificar perante toda a gente, diria eu, que o Estado poderia ter uma tal participação no sector financeiro", completou o governante.

Ao mesmo tempo, o secretário de Estado alertou para os impactos para o Estado desta operação. "A segunda questão, que é tão ou mais relevante, tem a ver com o impacto financeiro que isso poderia ter", apontou Mourinho Félix.

A venda do Novo Banco à Lone Star foi anunciada pelo Banco de Portugal a 31 de Março, dia em que o primeiro-ministro garantiu que nem o Estado, nem o Fundo de Resolução, assumem qualquer garantia e que os contribuintes não terão custos acrescidos com a alienação do banco que ficou com os activos bons do antigo BES. 

Mas os partidos que apoiam no Parlamento o Governo discordam desta solução e preferiam a nacionalização do banco. O Bloco de Esquerda anunciou que vai levar esta venda a debate no Parlamento na quarta-feira, 5 de Abril, com Catarina Martins a considerar que as explicações dadas pelo Governo sobre esta transacção não são suficientes, insistindo que a nacionalização da entidade seria a melhor solução a longo prazo. 

Já o PCP anunciou na segunda-feira, 3 de Abril, que apresentou um projecto de resolução no Parlamento que recomenda ao Governo PS a suspensão da venda do Novo Banco e a sua nacionalização.

O Presidente da República, por seu turno, também garantiu que os contribuintes podem ficar descansados com a solução encontrada pelo Governo para o Novo Banco, uma vez que a garantia será do Fundo de Resolução e não do Estado, disse Marcelo Rebelo de Sousa.

A sua opinião8
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado Anónimo Há 3 semanas

Muita gente, por pura ignorância na matéria ou por pura desonestidade intelectual, nem questiona a ordem de grandeza dos custos de oportunidade associados a estes gastos. A indignação é a mais elementar reacção que se pode ter perante esta realidade e estes factos, a menos que a abjecta iniquidade e insustentabilidade reinante faça parte integrante do nosso modo de viver, ser e pensar...

comentários mais recentes
estouapau Há 3 semanas

ISTO INTRIGA- ME E OS JONALI. DA TRET NÃO EXCLARECEM, PERGUNTO:NO F. RESOLUÇÃO, O ESTADO AVANÇOU COM CERCA DE 4.000M.ENTRET., OS BANCOS PÕEM NESTE FUNDO CERCA DE 80 M/ANO, O Q_ LEVA CERCA DE 40A PARA PGAR, SE ENTRET. NÃO HOUVER MAIS "RESOLUÇÕES".
COMO O EST COBRA 0%. O CONTRIB. NÃO PAGA NADA?

Anónimo Há 3 semanas

A integração do BES na CGD terá de ser feita pela força dos 25%. Ou seja a CGD tem de garantir que a venda de património e o melhoramento dos créditos é feita de forma adequada para garantir que esses ativos são colocados no mercado a preços justos dando tempo para a sua valorização.

Anónimo Há 3 semanas

Numa altura em que a maioria do tipo de empregos prevalecentes na economia portuguesa estão prestes a ser amplamente automatizados por via das inovadoras soluções, extremamente económicas e eficientes, já disponíveis no mercado global, é forçoso saber alertar para mais este erro de estratégia e planeamento que é querer garantir a fantasia verdadeiramente lunática das carreiras e empregos intocáveis e para toda vida, e ao mesmo tempo decretar múltiplos aumentos salariais. É que se elevassem um pouco os salários por via legislativa e reguladora, mas deixassem despedir excedentários num mercado laboral flexível no sector público e privado, tudo bem. A automação levada a cabo num racional e oportuno processo de substituição de factor produtivo trabalho por factor produtivo capital, dar-se-ia, elevando assim todos os mais cruciais padrões e indicadores económicos da economia portuguesa. Mas impedir o despedimento é condenar mais uma vez a economia portuguesa ao empobrecimento e fracasso.

Anónimo Há 3 semanas

Os trolhas, os pintores, as empregadas domésticas, as costureiras, os cavadores, os balconistas, os calceteiros, os taberneiros, os indigentes, os mendigos, etc. que andaram a gerir a banca da Europa, deviam antes ter frequentado uma boa escola de economia ou gestão obtendo assim preparação adequada de modo a que o sistema bancário não se tivesse tornado no cancro económico e social em que tornou.

ver mais comentários
pub
pub
pub
pub