Banca & Finanças Novo Banco teve prejuízos de 231 milhões no primeiro semestre

Novo Banco teve prejuízos de 231 milhões no primeiro semestre

O resultado líquido do Novo Banco melhorou até Junho, mas continuou a ser negativo. A emissão de dívida feita pelo banco prejudicou as contas, levando a um recuo do produto superior à queda dos custos operacionais.
Novo Banco teve prejuízos de 231 milhões no primeiro semestre
Miguel Baltazar/Negócios
Diogo Cavaleiro 23 de agosto de 2018 às 16:49

Foram de 231 milhões de euros os prejuízos que o Novo Banco registou nos primeiros seis meses do ano. As imparidades continuam a pesar nas contas do banco. António Ramalho sublinha que ainda há reestruturação. E que custa tempo e dinheiro.

 

"A performance do banco no primeiro semestre está em linha com os planos de negócio já apresentados aos diversos ‘stakeholders’. A reestruturação do banco ainda vai exigir tempo e dinheiro", avisa, citado, no comunicado enviado através do site da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

 

Apesar de negativo, os 231 milhões comparam favoravelmente com os prejuízos de 290 milhões registados no primeiro semestre de 2017.

 

A margem financeira do banco herdeiro do BES (diferença entre juros cobrados em créditos e juros pagos em depósitos) deteriorou-se 4,1% para 202 milhões. Além disso, as comissões subiram 1,7% para 159 milhões.

 

Só que as operações financeiras geraram perdas de 6,3 milhões. Em causa está a emissão de 400 milhões de euros em dívida pelo banco, operação que foi feita, parcialmente, para trocar obrigações mais caras por outras com um custo financeiro total menos gravoso. "Estas ofertas de aquisição e de troca tiveram contudo um efeito negativo nos resultados do período no montante de -79 milhões de euros", diz o comunicado.

 

Assim, o produto bancário acabou por se fixar em 345,8 milhões de euros, uma quebra de 20,8% em termos homólogos.

 

Já os custos operacionais, de um banco que fechou balcões e tinha 418 agências pelo país em Junho e espera chegar às 400 no final do ano, caíram 7,9% para 244,2 milhões. O banco empregava, no fim do semestre, 5.340 colaboradores, menos 148 do que em Dezembro.

 

O resultado operacional – a diferença entre o produto e os custos – caiu 40,7% para 101,7 milhões.

 

Imparidades descem mas ainda pesam

 

Para os resultados negativos do semestre contaram ainda as imparidades e provisões, ainda que tenham caído 22,7% - mas representam ainda 248,4 milhões de euros. A componente de crédito a clientes é a mais representativa (199,6 milhões).

 

Em termos de balanço, os depósitos somaram 15,2% em variação homóloga, totalizando 29.240 milhões em Junho, sobretudo devido à operação de gestão de passivo que foi feita no ano passado e que foi essencial para a venda de 75% do banco à Lone Star.

 

No campo dos créditos, a carteira bruta é de 30,7 milhões, menos 4,7% do que em Junho de 2017, sendo que se sentiu sobretudo no crédito a empresas (7,6%). Nos particulares, menos expressivos no balanço do banco, houve um aumento de 0,8%.

 

O rácio de capital CET1, o mais exigente na análise de fundos próprios, passou de 12,8%, em Dezembro, para 13,5%, em Junho, de acordo com números provisórios.

 




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