Banca & Finanças Obrigacionistas do Novo Banco criam associação para recuperar investimento

Obrigacionistas do Novo Banco criam associação para recuperar investimento

Cerca de três dezenas de particulares com obrigações que foram transferidas do Novo Banco para o Banco Espírito Santo constituíram a Associação de Obrigacionistas Sénior Particulares Lesados do Novo Banco.
Obrigacionistas do Novo Banco criam associação para recuperar investimento
Bloomberg
Lusa 10 de janeiro de 2016 às 12:45

A medida surge após uma reunião, que decorreu no sábado, em Lisboa, e que contou com perto de 30 obrigacionistas sénior particulares que se dizem lesados pela "recente decisão do Banco de Portugal (BdP) de transferir do Novo Banco para o BES Mau cinco séries de Obrigações Sénior".

 

"O objectivo desta associação é a recuperação do investimento em Obrigações Sénior realizado por particulares no Novo Banco", refere um comunicado enviado à agência Lusa, o qual acrescenta que a nova associação vai solicitar, "com carácter de urgência", uma audiência com o governador do BdP para decidirem "as formas de luta a adoptar".

 

Na reunião de sábado participaram obrigacionistas particulares de todo o país, incluindo um de Ponta Delgada, além de outros portugueses residentes no México, em Espanha, na Bélgica, na Alemanha e na China, que terão perdido, pelo menos, três milhões de euros.

 

Na nota, a associação, que vai ter como elementos da direção Ruy Ribeiro, Domingos Martins e Jaime Bulhosa, pede que seja contactada por outros obrigacionistas afectados pela mesma decisão do BdP.

 

Em declarações à Lusa na sexta-feira, um dos lesados, que na ocasião pediu anonimato, explicou que a criação desta associação visa contestar a decisão do BdP, de transferir cinco séries de obrigações seniores do Novo Banco para o BES, tomada a 29 de dezembro, considerando que ela é "ilegal", porque "viola a hierarquia dos credores".

 

A 29 de dezembro, o Banco de Portugal determinou retransmitir para o BES a responsabilidade pelas obrigações não subordinadas por este emitidas e que foram destinadas a investidores institucionais (como fundos de investimento, públicos ou privados), num total de 1.985 milhões de euros.

 

Com esta medida - que reverteu a que tinha sido tomada após a resolução do BES, quando o BdP decidiu não imputar perdas aos credores seniores passando a dívida não subordinada do BES para o Novo Banco -, o capital do Novo Banco foi reforçado em 1.985 milhões de euros, permitindo-lhe assim cumprir as exigências regulamentares.

 

Entretanto, apesar de essas emissões terem sido inicialmente destinadas a investidores institucionais, surgiu a dúvida sobre se não teriam sido vendidas a particulares e o que aconteceria neste caso.

 

Da instituição liderada por Carlos Costa veio o esclarecimento: "A retransmissão para o Banco Espírito Santo [BES], S.A. abrange todas as obrigações emitidas sob os referidos ISIN (cuja emissão foi dirigida a investidores qualificados), independentemente da titularidade dos títulos à data de 29 de dezembro de 2015", disse fonte oficial do Banco de Portugal à Lusa, na passada terça-feira.

 

Ora, os particulares que entretanto tenham ficado com essas obrigações podem mesmo ter de suportar perdas, uma vez que a "responsabilidade pelo reembolso e pela remuneração daquelas obrigações passou a ser do Banco Espírito Santo".

 

O que se passa é que o BES - o ‘banco mau’ que ficou com os chamados ativos ‘tóxicos’ do ex-BES - deverá não ter meios de assegurar o reembolso do capital e a remuneração dos juros das obrigações em causa, pelo que os investidores dessas obrigações arriscam perder o dinheiro.

Em 2014, o 'banco mau' BES teve prejuízos de nove mil milhões de euros.

 


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comentários mais recentes
Anónimo 13.01.2016

O Dono disto tudo e restante camarilha está de férias com a sua choruda reforma. Não sabem onde ele mora ? Vão lá bater na porta que o contribuinte tem de pagar os Hospitais e as Escolas...

Anónimo 13.01.2016

O Dono disto tudo e restante camarilha está de férias com a sua choruda reforma. Não sabem onde ele mora ? Vão lá bater na porta que o contribuinte tem de pagar os Hospitais e as Escolas...

Anónimo 11.01.2016

Compraram em mercado secundário ou tinham Cem mil euros para entrar no início ?

Anónimo 10.01.2016

O governo anterior, o atual e o Banco de Portugal que têm a obrigação de preservar a confiança no sistema financeiro português, apenas conseguem o seu contrário, descredibilizam por completo todo o sistema financeiro, eliminam a confiança e promovem a incerteza. Parabéns pelo bom trabalho.

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