Banca & Finanças Parlamento chumba projectos do BE e PCP sobre nacionalização do Novo Banco  

Parlamento chumba projectos do BE e PCP sobre nacionalização do Novo Banco  

O parlamento chumbou hoje dois projectos de lei de BE e PCP em defesa da nacionalização do Novo Banco, e rejeitou também um texto do PSD sobre as condições do empréstimo do Estado ao Fundo de Resolução.
Parlamento chumba projectos do BE e PCP sobre nacionalização do Novo Banco  
Miguel Baltazar/Negócios
Lusa 21 de abril de 2017 às 14:30

Os textos de BE e PCP mereceram o voto contra de PS, PSD e CDS-PP, com todas as demais bancadas - "Os Verdes" e PAN" - a acompanharem bloquistas e comunistas.

 

Já o projecto de resolução do PSD recomendando ao Governo a renegociação das condições do empréstimo do Estado ao Fundo de Resolução da banca teve votos positivos de sociais-democratas e do CDS-PP, abstenção do PAN e votos contra de PS, PCP, BE e "Os Verdes".

 

Um outro projecto de resolução do BE, advogando "descontentamento pela decisão de venda do Novo Banco sem consulta" ao parlamento foi também chumbado com os votos contra de PS e PSD e a abstenção do CDS.

 

Antes das votações deu-se um novo debate em plenário sobre o Novo Banco, com a bloquista Mariana Mortágua a arrancar a discussão precisamente defendendo que o tema devia ter vindo à Assembleia da República.

 

"O BE nunca se colocaria de fora de uma solução que preservasse o controlo público do novo banco. O Governo fez mal em não trazer o assunto à Assembleia", declarou, acusando ainda PSD e CDS-PP de não terem "alternativa real" face à decisão de venda do Governo aos norte-americanos da Lone Star.

 

PSD e CDS, disse por seu turno o comunista Miguel Tiago, "comprometeram-se perante as instituições europeias com a venda do Novo Banco" e "durante anos esconderam as reais contas desta instituição"

 

"O actual Governo prosseguiu esse compromisso de PSD e CDS em relação a Bruxelas, de vender o Novo Banco. Não estamos a propor a nacionalização com integração na esfera pública de forma transitória unicamente para limpar a instituição dos prejuízos e entregar a uma entidade privada", continuou o comunista, defendendo a integração da entidade no sector público bancário.

 

Pelo PSD, o deputado António Leitão Amaro ironizou com o "tempo novo das esquerdas", que considerou representar "negócios ruinosos para os contribuintes mas generosos para a banca".

 

A governação socialista, continuou, passa por "estoirar sem dó o dinheiro dos contribuintes", com Cecília Meireles, do CDS-PP, a colar PCP e BE ao executivo: "O Governo existe com a legitimidade que os senhores lhe dão", disse a centrista, dirigindo-se aos partidos à esquerda.

 

Eurico Brilhante Dias, do PS, criticou o PSD por ter "de forma absolutamente irresponsável" empurrado para a frente "um problema com impacto nas contas públicas", vindo hoje pedir a "renegociação de um empréstimo contraído pelo Fundo de Resolução ao tempo" que o deputado Leitão Amaro fazia, inclusive, parte do governo PSD/CDS-PP liderado por Pedro Passos Coelho.

 

O negócio de venda do Novo Banco à Lone Star prevê a alienação de 75% do banco ao fundo norte-americano, ficando o Fundo de Resolução com 25% (posição que poderá alienar a qualquer momento a um privado).

 

Contudo, a concretização do negócio ainda está a sujeita a três condições.

 

Uma delas passa por uma troca de obrigações com vista a melhorar o capital do Novo Banco em 500 milhões de euros, o que implicará penalizações para os seus detentores.

 

É esperado que seja brevemente apresentada a oferta de troca de obrigações aos seus detentores - sejam clientes institucionais ou de retalho -, desconhecendo-se ainda pormenores da operação.

 

Por exemplo, poderá ser proposto um corte de juros ou aumento de maturidades dos títulos ou até uma solução que implique as duas modalidades. Também poderá ser proposto uma alteração no preço da obrigação.

 

Os obrigacionistas serão confrontados com o dilema de, caso não aceitem a solução proposta, o Novo Banco poder ser liquidado, com implicações também para os seus investimentos.

 

Para já, com o contrato de promessa de compra e venda que foi assinado foi conseguido que desaparecesse o prazo de 02 de agosto de 2017 para o banco ser vendido ou liquidado, existindo o prazo indicativo da venda ser concretizada até ao final do ano, que pode ser dilatado.




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mais votado Anónimo Há 5 dias

Até o CEO da Altice está espantado com as regras laborais portuguesas que o obrigam a pagar milhares de salários a colaboradores excedentários de que a empresa já não necessita. É o que faz não se ter dado nas orelhas dos sindicalistas mais cedo... Triste paízinho roubado descaradamente por todos os ladrões, dos maiores aos mais pequeninos.

comentários mais recentes
Anónimo Há 5 dias

Para anónimo de há 1 hora(Os comentários são todos do mesmo). Estas ressabiado com o quê? Vai-te catar e emigra.

Anónimo Há 5 dias

Mas onde é que está escrito que os colaboradores assalariados da banca não são elegíveis para requerer o RSI junto do Instituto da Segurança Social após uma bem planeada reestruturação que elimine ou reduza o excedentarismo detectado? Para os da Função Pública está escrito na constituição, temos que os gramar quando são excedentários, mas para os da banca onde é que isso está escrito? É que mesmo estando em Portugal, para esses casos, se atentarmos ao pormenor legislativo não parece existir base legal que sustente que esta classe de bandidos nos possa andar a roubar da forma que o tem feito.

Anónimo Há 5 dias

O PSD devia ter deixado os bancos já sem solução alguma entrar em processo de falência e liquidação. Os bancos com alguma solução ou alguma esperança, como o BCP, deviam ter sido nacionalizados, reestruturados e consolidados com a CGD. Isso só não foi possível porque a legislação laboral e a máfia sindical nunca permitiriam despedir os milhares de excedentários dai resultantes. Temos as leis e a cultura de gestão que temos. Não digam agora que isso não acarreta custos enormes para o Estado e para a economia, porque seria uma rotunda mentira dizê-lo.

Anónimo Há 5 dias

Nacionalizar é impossível em Portugal porque o Estado é mau gestor e segundo a versão oficial desse mesmo Estado, e seus sindicatos, não existe, existiu ou alguma vez existirá excedentarismo e por isso não se pode reestruturar uma organização portuguesa com recurso a despedimentos ou desalocação de oneroso factor produtivo trabalho que seja desnecessário e injustificável. Logo, no caso BES, ficaríamos com duas CGD cheias de excedentários, pelo menos até que aqueles se reformassem todos. Além disso, o próprio sector do retalho bancário fomenta e aprova a disseminação total e absoluta do excedentarismo em sentido lato, porque é assim que o seu negócio de concessão de crédito consegue crescer mesmo que a criação de valor na respectiva economia seja nula ou diminuta. Quando a liquidação de bancos é ainda proibida sob o pretexto de que aqueles são grandes demais para falir e que os bancários representam um número de votos elevado, o que os torna inelegíveis para o RSI, a situação fica má.

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