Banca & Finanças Recorrer a dívida sénior na resolução do Banif implicava perda de depósitos

Recorrer a dívida sénior na resolução do Banif implicava perda de depósitos

O Governo português assinala que a inclusão da dívida sénior no perímetro de resolução do Banif atingia apenas 169 milhões de euros e não contribuía para a preservação da estabilidade financeira.
Recorrer a dívida sénior na resolução do Banif implicava perda de depósitos
Bruno Simão
Negócios 16 de janeiro de 2016 às 14:17

O Governo português voltou este sábado a defender o modelo escolhido na resolução do Banif, tendo emitido um comunicado onde recusa as notícias que o Estado poderia ter poupado entre 500 mil a 1.000 milhões de euros em dívida sénior do Banif.

Fonte europeia disse à Lusa que o Estado podia ter poupado até 1.000 milhões de euros no montante que injectou no Banif, caso tivesse optado por imputar perdas aos investidores com obrigações seniores.

"Esta informação é falsa, já que a participação de dívida sénior na cobertura de prejuízos atingiria no máximo 169 milhões de euros e qualquer valor superior implicaria a perda de depósitos", refere o comunicado emitido pelo Ministério das Finanças.

 

Acrescenta que recorrer à dívida sénior do Banif para diminuir os custos da resolução "poria em causa a confiança dos investidores e aforradores no sistema financeiro português, com consequências nefastas sobre a estabilidade financeira e o bem estar dos portugueses".

 

Salienta ainda que recorrer a dívida sénior implicaria "o bail-in adicional de cerca de 200 milhões de euros de depósitos de emigrantes considerados como subordinados". Avançar com esta medida "destruiria poupanças de uma vida de quem as confiou ao sistema financeiro português, acreditando na sua solidez".

O tema das obrigações seniores tem estado na ordem do dia depois de o Banco de Portugal ter decidido, a 29 de dezembro, passar para o BES a responsabilidade pelas obrigações não subordinadas ou seniores por este emitidas destinadas a investidores institucionais e que, na resolução do banco da família Espírito Santo, a 3 de agosto de 2014, tinham ficado sob a responsabilidade do Novo Banco.


O ministro das Finanças Mário Centeno vai, pela segunda vez, explicar ao Parlamento a venda do Banif ao Totta numa operação que envolveu a injecção imediata de 2.255 milhões de euros de dinheiro estatal, acrescida de garantias que podem levar as perdas do Estado a mais de 3 mil milhões de euros.

 

O Estado pagou 2.100 milhões para o banco que pertence ao grupo espanhol Santander ficar com a actividade bancária tradicional do Banif. Entretanto, foi criado um veículo de gestão de activos para ficar com o que o Santander Totta não quis adquirir, chamado inicialmente de Naviget mas entretanto com a denominação alterada para Oitante. O Banif é, agora, uma entidade que vai para liquidação, onde estão as posições accionistas e da dívida subordinada. 

 

Nos últimos dias, têm surgido várias notícias sobre propostas de compra alternativas à do Santander Totta que poupariam mais dinheiro aos contribuintes. O Banco de Portugal já veio a público defender que o Totta era o único banco que estava em condições de comprar a instituição financeira e que, efectivamente, apresentou uma proposta vinculativa.

 

No comunicado emitido este sábado, o ministério das Finanças salienta a prioridade de "proteger todo os depósitos e a dívida sénior" do Banif, sendo que o "processo decorreu sob condições extremamente difíceis, dada a existência de ajuda de Estado não autorizada e o pouco tempo disponível para encontrar uma solução que protegesse as poupanças e a confiança no sistema financeiro português".

 
Na última fase de resolução do Novo Banco houve perdas para os detentores de dívida sénior, pois foi transmitido títulos no valor de 1.985 milhões de euros do Novo Banco para o BES.

No debate quinzenal desta sexta-feira, 15 de Janeiro, o primeiro-ministro revelou que a Comissão Europeia impôs aos activos do Banif que ficaram no "banco mau" uma desvalorização de 75%. António Costa  aproveitou também para desmentir as notícias que davam conta de uma proposta da Apollo para comprar o Banif que teria representado menos perdas para os contribuintes. 




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mais votado Anónimo 16.01.2016

Bruxelas considera legal a ajuda concedida ao Banif em Julho de 2013.

A resposta chegou dois dias depois da resolução…

PORQUÊ A PRESSA DO POUCOCHINHO?

EXCERTO FUNDAMENTAL: “This follows the Bank of Portugal’s decision to put Banif into resolution on 19 December 2015. It adds to about € 1.1 billion of aid temporarily approved by the Commission in January 2013, and finally approved today.” (21 de dezembro de 2015)

http://europa.eu/rapid/press-release_IP-15-6380_en.htm

comentários mais recentes
Gatunos 17.01.2016

A escumalha criminosa do povo Tuga que anda há 41 anos sucessivos a votar em gatunos e traidores tem tudo o que merece, mais um roubo de 3 bilioes de euros para o povo tuga pagar.
A Escumalha nas proximas eleições presidenciais vai eleger o Marcelo pois é que mais defende o actual regime de gatunos, corruptos e traidores que destruiu a soberania e independencia de Portugal.

Ciifrão 17.01.2016

Os acionistas perdem tudo, os outros não perdem nada. No caso dos bancos não me parece certo, quem empresta dinheiro tem sempre um risco associado.

Ciifrão 17.01.2016

Os acionistas perdem tudo, os outros não perdem nada. No caso dos bancos não me parece certo, quem empresta dinheiro tem sempre um risco associado.

João G 17.01.2016

Uma coisa é certa: estamos a ser roubados indecentemente por esta corja que no governa desde o 25 de Abril. De quem é a culpa? Só pode ser de todos estes politiqueiros e ladrões de bancos que se remuneram pricipescamente sem que no final devolvam a "massa" que sacaram por bosa "governance".

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