Banca & Finanças Testes de stress para a banca simulam queda de 5,2% do PIB português até 2018

Testes de stress para a banca simulam queda de 5,2% do PIB português até 2018

Os testes da EBA não cobrem a banca portuguesa mas o Haitong Bank acredita que as suas linhas gerais vão ser usadas pelo BCE, que irá examinar o sector nacional. O exercício antecipa três anos de contracção em Portugal.
Testes de stress para a banca simulam queda de 5,2% do PIB português até 2018
Bloomberg
Diogo Cavaleiro 25 de fevereiro de 2016 às 11:51

Os testes de stress que a Autoridade Bancária Europeia (EBA) vai conduzir este ano têm implícita, na sua versão mais dura, uma quebra acumulada de 5,2% do produto interno bruto (PIB) português até 2018. É uma queda da economia mais pronunciada do que a registada no conjunto da Zona Euro.

 

São três anos consecutivos de contracção – 2,1% em 2016, 2,6% no próximo ano e 0,6% no seguinte – os que servem de cenário para a versão adversa dos testes de stress da EBA. São quedas acima das registadas pela Zona Euro, que nunca superam o recuo de 1% do PIB. No total, é uma contracção acumulada de 5,2%. No cenário base, que parte do desempenho económico esperado pelas autoridades nacionais e internacionais, não há perspectiva de recuo do PIB: expansões de 1,7%, 1,8% e 1,6% nos próximos três anos, respectivamente.

 

A Autoridade Bancária Europeia, EBA na sigla original, divulgou na quarta-feira, 24 de Fevereiro, qual a metodologia e os cenários que vai utilizar nas duas versões dos testes. Segundo explica a EBA, o cenário adverso olha para as principais ameaças à estabilização do sector financeiro como por exemplo o aumento da preocupação com a sustentabilidade das dívidas pública e privada. Por exemplo, no que ao desemprego diz respeito em Portugal, a taxa de 12,4% é o ponto de partida do cenário adverso em 2016 (comparada com os 11,7% no cenário base), agravada para 13,3% no próximo ano e para 15,2% em 2018.

 

Tal como acontece nos exames feitos pelo BCE aos maiores bancos da Zona Euro, os resultados não serão conhecidos pelo público em geral. As conclusões serão discutidas com cada banco no processo de SREP ("supervisory review and evaluation process", no original), que analisa individualmente cada instituição financeira e define quais os rácios que deve cumprir.

 

Serão 51 bancos da União Europeia, de 15 países diferentes, a ser sujeitos a estes exames à solidez feitos pela EBA (o BCE também irá realizar testes a entidades da Zona Euro, concretizados em articulação entre as duas entidades). Não há bancos portugueses na amostra da EBA, ainda que haja grupos bancários, como o Santander, que têm forte presença em Portugal que vão sentir este impacto.

 

Na nota divulgada esta quinta-feira, em comentário às indicações da EBA, os analistas do Haitong Bank sublinham que, ainda que os maiores bancos nacionais (CGD, BCP, Novo Banco e BPI) escapem à EBA, esta deverá ser a metodologia de base utilizada nos exames de que vão ser alvo sob o olhar do BCE.

Como não vão ser divulgados os resultados, as implicações de mercado esperadas pela equipa de "research" do Haitong são "menos materiais" do que há dois anos, ainda que Portugal sofra mais do que Espanha, dado que é um dos poucos países em que o cenário assumido é mais gravoso nestes testes de 2016 do que nos de 2014 (a contracção acumulada é de 5,2%, quando era de 4,1% há dois anos). 


(Título alterado às 12:19)


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Zé Maduro 25.02.2016

Faltam menos de 6 meses para a troika estar de volta ao país

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