Banca & Finanças Trabalhadores podiam comprar 5% da Fidelidade. Ficaram com 0,014%

Trabalhadores podiam comprar 5% da Fidelidade. Ficaram com 0,014%

A chinesa Fosun vai aumentar a sua posição na seguradora para perto de 85%, ficando os restantes 15% nas mãos da CGD, depois de concluída a operação reservada a funcionários da Fidelidade que contou com uma fraca procura.
Trabalhadores podiam comprar 5% da Fidelidade. Ficaram com 0,014%
Diogo Cavaleiro 14 de outubro de 2014 às 14:47

Os trabalhadores da Fidelidade não mostraram grande interesse em fazer parte da estrutura accionista da sua entidade empregadora. Apenas foram adquiridas pelos funcionários 16.860 acções da empresa. Estavam disponíveis para compra 6.050.000 títulos. O que dá mais influência à chinesa Fosun.

 

Como acontece normalmente em operações de privatizações, há sempre uma parcela disponível para aquisição por parte dos colaboradores, com um ligeiro desconto. A Fosun adquiriu 80% do capital da Fidelidade à Caixa Geral de Depósitos no ano passado. E, agora, encontrava-se 5% da Fidelidade disponível para ser adquirido na oferta pública de venda, concluída na sexta-feira 10 de Outubro. Era um total de 6.050.000 acções. Nos resultados, conhecidos esta terça-feira, 14 de Outubro, conclui-se que apenas 16.860 títulos deste lote, ou 0,28%, foram adquiridos.

 

Estes títulos, comprados em 48 ordens, resultaram num investimento global dos trabalhadores de 162.193,20 euros, já que cada acção estava a ser vendida a 9,62 euros. Com 16.860 acções, os funcionários ficam com 0,014% do capital social da Fidelidade nas suas mãos.

 

A parcela de 5% da antiga unidade de seguros da CGD ainda estava na posse do banco. Os títulos que não foram adquiridos pelos trabalhadores têm de ser obrigatoriamente comprados pela Fosun. Só que esta não os poderá comprar com desconto (9,62 euros). Terá de adquiri-los ao preço a que os comprou na oferta directa do ano passado (mais de 10,1 euros por acção). A Caixa Seguros, da CGD, ficará com os restantes 15%.

 

Os chineses liderados por Guo Guangchang não poderão vender as acções adquiridas por quatro anos. Os títulos comprados pelos trabalhadores terão um período de indisponibilidade de 120 dias. Ou seja, só deverão poder alienar estas acções a 11 de Fevereiro de 2015, 120 dias a contar de dia 15, amanhã, quando deverá ocorrer a liquidação física e financeira dos títulos.

 

"Não está prevista a admissão à negociação em mercado regulamentado das acções representativas da totalidade ou de parte do capital social da Fidelidade", indica o comunicado.  

 

Ser accionista da Fidelidade permite aos trabalhadores participar nos lucros da empresa, ter uma palavra a dizer nas deliberações e ainda dá acesso a informação sobre a companhia, segundo apontava a seguradora liderada por Jorge Magalhães Correia no comunicado do lançamento desta operação. Os trabalhadores que podiam participar nesta operação eram os que têm vínculo com a empresa há mais de três anos e quem, mesmo não tendo vínculo actual, já foi funcionário do grupo durante um período superior a três anos.

 

A venda à Fosun, liderada por Guo Guangchang, de 80% do capital social da Fidelidade foi concretizada em Maio deste ano, resultando num encaixe bruto de 1,6 mil milhões de euros para a Caixa Geral de Depósitos. A que irão acrescer mais cerca de 60 milhões de euros pelas acções que é obrigada a adquirir por não terem sido vendidas nesta OPA reservada a trabalhadores.

 

A Fidelidade, neste momento, é a empresa que vai ficar a controlar a Espírito Santo Saúde, dona de hospitais como o da Luz e o de Loures, depois de lançar uma oferta pública de aquisição sobre o seu capital.