Banca & Finanças Uma das empresas afectadas pelo Novo Banco reforça aposta nos CTT

Uma das empresas afectadas pelo Novo Banco reforça aposta nos CTT

A BlackRock passou a barreira dos 2% no capital dos CTT, uma oscilação que ocorre depois de saber que deverá perder o seu investimento em obrigações seniores do Novo Banco.
Uma das empresas afectadas pelo Novo Banco reforça aposta nos CTT
Pedro Elias/Negócios
Diogo Cavaleiro 14 de janeiro de 2016 às 22:07

Uma das sociedades gestoras de activos mais afectadas pela solução encontrada pelo Banco de Portugal para o Novo Banco reforçou a sua presença em Portugal. A BlackRock aumentou a sua posição no capital dos CTT.

 

Em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, a empresa de serviço postal informa que, a 8 de Janeiro, a BlackRock passou a deter 2,01% do seu capital. Anes de passar o limiar de 2%, que obriga a uma comunicação ao regulador do mercado de capitais, a norte-americana possuía 1,96% do capital.

Esta oscilação no capital dos CTT da BlackRock, que existe através de acções e CFD ("contracts for difference"), é habitual tendo em conta que estas entidades têm uma gestão activa da sua carteira e compram e vendem acções a um ritmo acelerado. 
 

Mas este reforço no capital da empresa presidida por Francisco Lacerda (na foto) aconteceu a 8 de Janeiro, já depois de a BlackRock saber que tinha sido afectada pela transferência de obrigações seniores, avaliadas em 1.985 milhões de euros, do Novo Banco para o BES "mau". A decisão foi tomada pelo Banco de Portugal a 29 de Dezembro, ditando perdas para os investidores já que o BES tem uma situação desequilibrada e não deverá ser capaz de reembolsar todo o valor.

 

Com esta opção, o regulador do sector financeiro pretendia poupar perdas a pequenos investidores, já que seleccionou cinco séries de obrigações que tinham sido emitidas para investidores institucionais. O que não conseguiu. Os títulos foram transaccionados em mercado secundário e mesmo vendidos em balcões e chegaram a particulares. Mas o grosso de afectados é de institucionais, como a BlackRock. 

 

A contestação à decisão do Banco de Portugal tem sido muita, nomeadamente por parte da Pimco, outra das grandes atingidas. O seu director-geral, Philippe Bodereau, escreveu um artigo de opinião no Financial Times em que disse que a medida "abre um precedente perigoso" e corresponde a um confisco à moda da Venezuela. Um dos argumentos que tem sido utilizado é a desconfiança trazida para Portugal com a saída dos investidores. Isso mesmo foi defendido esta quinta-feira pela associação que representa os particulares lesados: a transferência de dívida "tem consequências imprevisíveis - mas sempre muito negativas - no futuro do financiamento do sistema financeiro e da economia nacional".

 

O Governo teve uma reunião com investidores internacionais esta semana para falar sobre a dívida portuguesa mas, no encontro organizado pelo Morgan Stanley, o tema Novo Banco esteve em cima da mesa. Foi aí que o secretário de Estado das Finanças, Ricardo Mourinho Félix, se mostrou contra a opção do regulador.

 

A BlackRock tem optado por se manter em silêncio em relação a este investimento. A gestora norte-americana tem posições qualificadas (com mais de 2% do capital) nos CTT mas também na EDP, Galp, BCP e Nos. Segundo dados divulgados pelo Diário Económico, a BlackRock tem, entre acções e obrigações do Tesouro português, investimentos acima de 1,7 mil milhões de euros em Portugal.

 




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investidor1 Há 1 semana

Muito obrigado!
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