Banca & Finanças Venda dos seguros do Montepio a chineses foi abortada

Venda dos seguros do Montepio a chineses foi abortada

A Montepio Seguros, dona da Lusitania, já não vai ser alienada aos chineses da CEFC China Energy. O travão foi posto pela ASF, que decidiu colocar um ponto final na operação.
Venda dos seguros do Montepio a chineses foi abortada
José Almaça pôs um ponto final à venda do controlo da Montepio Seguros
Bruno Simão
Diogo Cavaleiro 14 de maio de 2018 às 16:54

A venda da Montepio Seguros, onde se inclui a Lusitania, falhou. A compra de 60% da "holding" seguradora pelos chineses da CEFC, que no início de Dezembro já tinha entrado no regulador, não passou no crivo da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF).

 

Na reunião de quinta-feira da semana passada, a administração presidida por José Almaça decidiu "considerar não instruída a comunicação prévia, da CEFC China Energy Company Limited, e do Shanghai Huaxin Group (Hong Kong) Limited, para aquisição de participação qualificada na Montepio Seguros, SGPS, S.A., ficando prejudicada a sua análise", como se lê no site oficial.

 

Pelo menos desde o início de Dezembro que a operação estava já em avaliação pelo regulador. Naquela altura, José Almaça explicou que começaria a contar o prazo de 90 dias para a avaliação, sendo que, como ocorre neste tipo de dossiês, a contagem pára à espera de informação adicional.

 

"Nós nunca demoramos 90 dias se vier tudo em condições", afirmou o líder da ASF na altura.

 

Partindo do início de Dezembro, quando foi dada a confirmação do regulador, já se passaram cerca de 160 dias.

 

O Negócios tem questionado insistentemente o regulador para tentar perceber o andamento do dossiê, nomeadamente desde que a Fundação Calouste Gulbenkian revelou não conseguir esclarecer as dúvidas levantadas sobre o grupo CEFC Energy (e o facto de o fundador ter sido alegadamente detido), razão pela qual deu por fechado o negócio de venda da petrolífera Partex.

 

Em Abril, na Conversa Capital, entrevista do Negócios e Antena 1, António Tomás Correia referiu que não estavam reunidas as condições para que o negócio fosse considerado, à data, bem-sucedido. "Não sei se virão a estar reunidas as condições, ou não", continuou.

 

À venda estava o controlo da Montepio Seguros, nomeadamente 60%. Esta "holding" agrega a Lusitania Seguros (ramo não vida), a Lusitania Vida (ramo vida), a N Seguros e a sociedade gestora de fundos de pensões Futuro. Só que esta última não seria alienada.

 

A Montepio Seguros SGPS SA, que detém quatro companhias seguradoras, tem um valor no balanço da associação presidida por António Tomás Correia de 256 milhões de euros. A este montante está associada uma imparidade de 149 milhões de euros, reforçada nas contas de 2017, pelo que o valor líquido deste activo se encontra em 106 milhões. 

 

Publicamente, nunca foi anunciado o plano de venda desta posição da associação na "holding" seguradora. Apenas se sabia que era intenção que parte da operação fosse concretizada mediante um aumento de capital.

 

O Público noticiou que a ASF determinou um aumento de capital de 30 milhões de euros na Lusitania.

 

A cerimónia de assinatura do contrato de venda ocorreu a 27 de Novembro, pela mão de Fernando Nogueira, que lidera a Lusitania.




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