Comércio Lucros da Ibersol sobem 12% para 10,9 milhões no primeiro semestre

Lucros da Ibersol sobem 12% para 10,9 milhões no primeiro semestre

O volume de negócios da empresa cresceu 6,9 milhões de euros para 211,3 milhões, com o crescimento na Península Ibérica a “minimizar” o "importante" impacto da queda do negócio em Angola.
Lucros da Ibersol sobem 12% para 10,9 milhões no primeiro semestre
Rui Neves 07 de setembro de 2018 às 17:16

Em Angola, onde explora nove restaurantes da marca KFC, a que acresce uma Pizza Hut, a Ibersol facturou menos 29% em euros no primeiro semestre deste ano face ao mesmo período do ano passado.

 

Uma situação "provocada pela acentuada desvalorização cambial que agravou os custos sem ter sido traduzida em idêntico aumento dos preços", explica a empresa.

 

A redução do número de restaurantes concessionados no aeroporto de Barcelona a partir do início do mês de Maio foi outra ocorrência que impactou negativamente a actividade da Ibersol na primeira metade do ano.

 

Mas "a evolução positiva do mercado da restauração na Península Ibérica - estima-se que a restauração organizada tenha crescido cerca de 6% e 2% em Portugal e Espanha, respectivamente - conjugada com os efeitos das aberturas ocorridas ao longo de 2017, contribuíram para a manutenção da tendência de crescimento da actividade durante o período", explica a Ibersol, em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), esta sexta-feira, 7 de Setembro.

 

"Este facto permitiu minimizar os impactos da importante redução do volume de negócios em Angola", tendo o volume de negócios consolidado da Ibersol atingido os 211,3 milhões de euros nos primeiros seis meses de 2018, mais 3,4% do que há um ano.

 

Já o resultado líquido registou um crescimento homólogo de 12,2% para 10,9 milhões de euros, enquanto o EBITDA fixou-se em 26,5 milhões de euros, um crescimento de 3,3% face a igual período do ano passado, "muito influenciado pela actividade em Angola, profundamente afectada pela desvaloriza do kwanza (cerca de 53%), apenas repercutida em 15% nos preços de venda", detalha a empresa.

 

A 30 de Junho, o endividamento líquido da empresa co-liderada por Alberto Teixeira e António Pinto de Sousa ascendia a 78,5 milhões de euros, menos 4,6 milhões do que no final do ano passado.

 

Empresa explora 630 restaurantes, metade dos quais em Portugal

 

No segmento de "concessões e catering" regista perdas resultantes do termo da concessão, em Maio passado, de 14 restaurantes no Aeroporto de Barcelona, a que acresce o impacto negativo previsto nas vendas na sequência da greve geral dos trabalhadores do chamado "lote 22" deste aeroporto, no mês de Abril, "no valor de 2,5 milhões de euros".

 

Na primeira metade deste ano, a Ibersol encerrou em Espanha nove outras unidades, oito das quais franquiadas, "dando continuidade ao processo de reajustamento da rede", enquanto em Portugal decidiu fechar dois restaurantes Pasta Caffé, um restaurante KFC e a unidade situada na Exponor, "no termo dos respectivos contratos de utilização".

 

Por outro lado, no mesmo período, houve a abertura de duas unidades franquiadas (Pans e Ribs) e 10 próprias, uma no aeroporto de Barajas em Madrid, três pontos de venda, provisórios, na concessão do aeroporto de Gran Canaria, e uma no aeroporto de Barcelona.

 

Adicionalmente, abriu quatro novos restaurantes em Portugal, das marcas PH e KFC, e uma Pans em Espanha.

 

No final de Junho, a Ibersol detinha 630 unidades (493 próprias e 137 franquiadas) - 316 em Portugal, 297 em Espanha, 10 em Angola e sete em Itália.

Há pouco mais de um mês, a Ibersol anunciou que tinha fechado um acordo com a Burger King Espanha e Portugal no qual se compromete a abrir 40 restaurantes da marca Burger King ao longo dos próximos três anos.

 

Um acordo que prevê, ainda, a remodelação de 30 dos 80 estabelecimentos da marca que a Ibersol já gere.

 

Já em Maio passado, a Ibersol havia anunciado um investimento de 32 milhões de euros na abertura de 26 restaurantes da insígnia Burger King, prevendo a criação de 676 postos de trabalho.

Crescimento abranda em Portugal e afunda em Angola

 

Para a segunda metade deste ano, a Ibersol antevê que em Portugal se registe "um ligeiro abrandamento do ritmo de crescimento das vendas na linha do que se verificou nos últimos meses, enquanto em Espanha se prevê a manutenção dos níveis actuais, embora mais moderados".

 

Já em Angola, a empresa prevê que a manutenção da desvalorização do kwanza "poderá determinar um acréscimo de preços, de que resultará uma diminuição do consumo com a inerente queda das transacções".

 

"A incapacidade de aumentar os preços ao ritmo da desvalorização determinará uma diminuição da rentabilidade das nossas operações", reconhece a empresa.

 

Ainda relativamente a Angola, a Ibersol sublinha que "as medidas tomadas para melhorar os pagamentos ao exterior não se traduziram numa melhora da economia, o que pode determinar diminuição do consumo e das vendas".

 

Entretanto, no seguimento dos concursos ganhos nas concessões em Espanha, a empresa tem a expectativa que ocorram até final do ano a abertura de 24 unidades, nos aeroportos de Barcelona, Gran Canaria e Málaga.

 

Já ao nível da expansão fora dos espaços concessionados, a Ibersol avança que irá tentar "manter a cadência do plano de expansão dos anos transactos", prevendo a abertura de mais de uma dezena de unidades.

 

De resto, na sequência da aliança firmada entre a norte-americana Pizza Hut e a espanhola Telepizza, a Ibersol frisa que "manterá a operação dos actuais restaurantes nos termos contratados e terá de acordar com a Telepizza o desenvolvimento futuro de novas localizações e as renovações dos contratos, quando ocorrerem".



(Notícia actualizada às 18:12)




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