Construção 8.500 construtoras em risco de desaparecer

8.500 construtoras em risco de desaparecer

A AICCOPN e o Sindicato da Construção Civil reuniram-se esta terça-feira e alertaram para o perigo de se perderem 35.000 mil postos de trabalho em 2016 por falta de obras adjudicadas.
8.500 construtoras em risco de desaparecer
Miguel Baltazar/Negócios
Alexandra Noronha 23 de fevereiro de 2016 às 12:40

O sector da construção alertou esta manhã, no Porto, para o perigo de desapareceram 8.500 empresas e 35.000 empregos este ano se nada mudar no investimento público.

 

Reis Campos, presidente da AICCOPN, Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas, realçou, no fim de uma reunião com o sindicato da construção civil, que "temos que olhar para isto de maneira diferente".

 

O sector lamenta que, dos concursos lançados, apenas metade sejam adjudicados. "Não percebo porque é que são lançadas obras e só se fazem metade.E porque é que se está a perder dinheiro com isso e a criar expectativas. Porque é que não são celebrados os contratos? São todas obras públicas, não faz nenhum sentido que sejam lançados concursos e apenas metade desses sejam entregues", adiantou Reis Campos.

O dirigente associativo explicou que é preciso "haver mais medidas no sector, que não pode estar sujeito a este ciclo eleitoral permanente. Isso dá origem a que o desemprego seja a grande preocupação que temos bem como a deterioração do tecido empresarial".

Para Reis Campos, o Orçamento do Estado (OE) não traz "nada de bom para o sector". "
Não há investimento público neste OE. Não há verba para a reabilitação urbana e este orçamento é completamente restritivo", referiu o responsável. 

Reis Campos recorda que "existe um compromisso de continuar obras que estavam lançadas no Plano Estratégico de Transportes e Infra-Estruturas. Estava previsto, até 2020, concretizar um conjunto de 53 obras e neste momento estão em curso apenas 16", salientou.

Por sua vez, o presidente do Sindicato da Construção Civil, Albano Ribeiro, adiantou que os trabalhadores estavam à espera de uma reunião com o ministro da tutela, Pedro Marques, e disse que, com o fim de várias obras que estão agora a decorrer, ficam em risco sete mil empregos no espaço de cinco meses.

Albano Ribeiro acredita que Portugal deve renegociar a dívida, em conjunto com outros países europeus, para acabar com o "argumento estafado" de que não há dinheiro.

Angola é preocupação

Tanto Albano Ribeiro como Reis Campos demonstraram preocupação com a situação da economia angolana, que é muito importante para as empresas portuguesas. "
Um trabalhador em Portugal ganha 545 euros, em média, e em Angola 2.500 euros. Agora, já estão trabalhadores e ir para a Bolívia, para a Zâmbia. As empresas direccionaram-se para fora da Europa", explicou o representante dos trabalhadores. 

Reis Campos recordou que "dos 9,8 mil milhões de facturação no exterior, metade era em Angola. As nossas empresas estão a passar momentos críticos, mas foram para lá numa visão de longo prazo e estão à espera que isto passe. O problema é saber se irão aguentar", explicou. 


(Notícia actualizada às 13:35 com mais informação) 


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Anónimo 23.02.2016

Nao e dificil:quando o dinheiro nao estica,o sector encolhe.O governo agora esta virado para o sector de maos a bamboar:pensionista do estado,func.do estado,reducao de horas para o estado.portugal esta a transformar-se num canteiro de comunas armenicos.

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