Construção Arranha-céus em alta: 2015 foi ano recorde

Arranha-céus em alta: 2015 foi ano recorde

Altos, super-altos, mega-altos, há edifícios para todas as alturas. No ano passado ficou concluído o segundo mais alto do mundo em Shanghai, na China, país que continua a liderar a construção destes colossos urbanos. Conheça os mais relevantes.
As gémeas Petronas, em Kuala Lumpur, são os mais antigos arranha-céus no top 10 dos mais altos. Concluídas em 1998, tem 451 metros e foram construídas para simbolizar o desenvolvimento da economia da Malásia. Em Kowloon, em frente a Hong Kong, na China, impõe-se o International Commerce Centre, o sétimo arranha-céus mais alto do planeta e o quarto maior da Ásia. Ergue-se por 484 metros e 108 pisos. Com 494 metros, este é o sexto prédio mais alto do mundo. A sua forma, com uma abertura no topo, vale-lhe a alcunha de saca-rolhas gigante. O 100º andar, aos 474 metros, é panorâmico e tem chão de vidro. Denominado Taipe 101, o número é simbólico. Alude ao dia 1 de Janeiro, já que o edifício de 508 metros e 101 andares é palco das comemorações da passagem de ano em Taiwan. Segue os padrões da construção sustentável. O segundo edifício mais alto do mundo, em Shanghai, na China, tem 632 metros e 128 andares acima do solo. Demorou seis anos a ser construído. Tem escritórios, um hotel e 106 elevadores. O edifício mais alto do mundo, no Dubai, custou 1,5 mil milhões de dólares. Os seus 828 metros de altura, divididos em 163 andares, levaram seis anos a erguer.  Ficou concluído em 2010.
Ana Serafim 30 de Janeiro de 2016 às 12:15

O céu continua a ser o limite, mas está cada vez mais perto. Em 2015, por todo o mundo ficaram concluídos 106 edifícios com 200 metros de altura ou mais, a medida a partir da qual sobem à categoria de arranha-céus. Nunca antes este número tinha sido atingido. O anterior máximo, alcançado em 2014, estava nos 99 prédios.

Para o recorde de 2015, contribuíram 21 países, segundo os dados divulgados pelo Council on Tall Buildings and Urban Habitat (CTBUH), uma organização sem fins lucrativos fundada em 1969 e sedeada no Instituto de Tecnologia de Illinois, em Chicago, nos EUA, que acompanha o desenvolvimento destes projectos.

Portugal, cuja estrutura edificada mais alta é a Torre Vasco da Gama (Parque das Nações, em Lisboa) com cerca de 140 metros, não joga neste campeonato.

Com 62 novos arranha-céus a emergir no horizonte, a China lidera. Segue-se a Indonésia com nove, sete dos quais construídos na capital, Jacarta, a cidade cuja skyline mais ‘cresceu’. Depois, os Emirados Árabes Unidos, com sete, deixando para trás os Estados Unidos, onde foram concluídos apenas dois. Um deles, o 432 Park Avenue (425m), em Nova Iorque, tornou-se em 2015 o prédio residencial mais alto do mundo.

Pelo oitavo ano consecutivo no topo da lista, a segunda economia do mundo assistiu no ano passado à inauguração do seu edifício mais alto – e o segundo a nível mundial – a Shanghai Tower. No Pudong, o coração financeiro da China continental, este colosso de 632 metros e 128 andares acima do solo, disputa a paisagem com o Shanghai World Finance Center e a torre Jin Mao, outro dois ícones do top 20 mundial dos arranha-céus.

A conclusão da Shanghai Tower levou mesmo à despromoção da torre Willis (ex-Sears) da lista dos dez mais altos, o que nunca tinha acontecido desde que aquele que chegou a ser o edifício mais alto do mundo, com 442 metros, foi erguido, em 1974.

Mesmo com a economia e o mercado imobiliário a darem sinais de abrandamento, o gigante asiático está a construir mais 300 arranha-céus.


É até graças à China que a Ásia é a campeã na construção destes prédios: 81 finalizados em 2015, ou seja, 76% do total. No Médio Oriente registaram-se nove conclusões e a América Central reentrou na competição, com quatro.

"Enquanto prossegue o debate sobre a adequação dos edifícios muito altos nas cidades históricas, como acontece em Londres, a Europa assistiu à finalização de oito edifícios com 200 metros ou mais de altura em 2015, o seu mais alto recorde anual de sempre", detalha a análise do CTBUH, sobre o velho continente.

Um quilómetro de torre

Contas feitas, o planeta conta com 1.040 torres com 200 metros acima do chão. Pela primeira vez, passou-se a marca das mil. Em 1920, segundo a informação mais antiga disponibilizada pelo CTBUH, existiam apenas dois arranha-céus. Nas décadas de 40 e 50, efeito da II Guerra Mundial, nenhum foi construído. À porta do novo milénio havia 265. E depois, até 2010, o grande ‘salto em altura’ para 612.

Destinam-se sobretudo a escritórios mas também podem ter usos mistos, com comércio, habitação e hotelaria.

O total mundial inclui os três edifícios considerados mega-altos, por terem 600 metros ou mais: o Burj Khalifa, no Dubai, por agora o edifício mais alto do mundo (828m), a Shanghai Tower e a Torre do Relógio do complexo Abraj Al-Bait (601m), em Meca, Arábia Saudita.

"Espera-se que este número venha a mais do que duplicar nos próximos anos, com mais quatro em construção, incluindo a Jeddah Tower", antecipa o relatório. Com conclusão prevista para 2018, este gigante também na Arábia Saudita, vai ter um quilómetro de altura e 167 andares, tornando-se no mais alto do planeta.

O CTBUH pormenoriza ainda o número de edifícios na categoria de super-altos (300 metros de altura ou mais). Em 2015 ficaram prontos 13, outro recorde anual. "Na verdade, o número de super-altos duplicou de 50 para 100 desde o final de 2010, enquanto os primeiros 50 demoraram 80 anos a ficar finalizados, entre 1930 e 2010", compara a organização norte-americana, que antecipa que esta tendência continue.

"Existem bem mais de 100 edifícios superaltos projectados ou em construção, com conclusão prevista para os próximos cinco a seis anos", antecipa.

Este ano, o número de arranha-céus a nível mundial deve chegar pelo menos aos 1.150.

"Uma vez que prevemos que esta tendência continue nos próximos dois anos, parece que o que começou em 2014 como uma recuperação pós-recessão nos principais mercados do imobiliário em altura passou a um boom pós-recessão", conclui.




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