Desporto Antigo campeão de ténis João Cunha e Silva faliu. Culpa Kelly, a esposa

Antigo campeão de ténis João Cunha e Silva faliu. Culpa Kelly, a esposa

João Cunha e Silva tem a empresa falida e a casa de família penhorada. O antigo campeão nacional e treinador de várias estrelas do ténis português culpa a sua sócia e esposa, Kelly Cristina, pela situação. Alega que “desconhecia” que as contas da sociedade não estavam em ordem há vários anos.
Antigo campeão de ténis João Cunha e Silva faliu. Culpa Kelly, a esposa
Rui Neves 09 de janeiro de 2016 às 16:00

A 21 de Setembro do ano passado, "tudo aquilo em que acreditava e tomava como certo desmoronou". João Cunha e Silva, antiga estrela do ténis nacional, garante que só nesse dia é que tomou conhecimento da situação que levaria à sua falência empresarial e pessoal.

"Foi então confrontado com uma realidade que desconhecia, com a qual ficou chocado e que até hoje ainda não consegue compreender ou alcançar a real dimensão", lê-se na petição inicial de insolvência da "João Cunha e Silva, Sports & Events", que foi judicialmente decretada meia dúzia de dias antes do Natal.

Casado em comunhão de adquiridos com Kelly Cristina, Cunha e Silva alega que só então descobriu que a sua sócia e esposa, que era quem concentrava "todos os assuntos e decisões de gestão e administração", ocultou que "as contas da sociedade não estavam em ordem há vários anos, pelo menos desde o ano de 2012".

Pior: existiam dívidas da ordem dos 300 mil euros ao Fisco e à Segurança Social, com centenas de processos executivos pendentes contra a empresa e revertidos contra o casal, "estando os mesmos já em fase de venda dos bens penhorados, nomeadamente da sua casa de morada de família".

João Cunha e Silva acusa Kelly Cristina de continuar indisponível para qualquer esclarecimento – "na verdade, e inexplicavelmente, aquela tem-se remetido ao silêncio, fugindo de qualquer explicação ou relativizando as situações", reporta a petição inicial de insolvência, elaborada pela N. Maldonado Sousa & Associados. Contactada pelo Negócios, fonte oficial desta sociedade de advogados afirmou que o empresário "não quer prestar declarações sobre o assunto".

Ainda de acordo com o mesmo documento, João Cunha e Silva relata que "toda a conduta" de Kelly Cristina, "ao longo de vários anos", colocou "em causa a subsistência da requerente e de todo o agregado familiar dos seus sócios". Assim, conclui-se, "actualmente as relações entre os sócios, quer a nível da sociedade quer a nível pessoal e familiar, estão total e irremediavelmente feridas e desprovidas de entendimento e confiança".

 

Empresa criada em 2008 era gerida por Kelly

No Verão de 2000, uma lesão num joelho pôs termo à carreira do antigo número um mundial de juniores, que passou a dedicar-se à formação de tenistas, tendo então adquirido a concessão do Clube Escola de Ténis de Oeiras (CETO). A constituição da "João Cunha e Silva – Sports & Events", em Outubro de 2008, surgiu "como uma necessidade de organizar e potenciar" o desenvolvimento da sua actividade como treinador.

"Ao longo dos anos", assegura o próprio em sede de processo de insolvência da empresa, João Cunha e Silva "depositou total e plena confiança na esposa Kelly Cristina na administração de todos os aspectos quer da vida da requerente quer da própria vida em comum do casal".

Era a sua sócia e esposa, detalha Cunha e Silva, que "exclusivamente tratava dos pagamentos, dos recebimentos, das compras, dos fornecedores, das relações com os trabalhadores, das inscrições dos alunos, da organização do espaço, das contas, das viagens". No fundo, sintetiza-se, "de todos os aspectos da vida da requerente, como, aliás, na vida familiar".

 

Pai e TOC alertam o antigo tenista

Entretanto, "no segundo semestre do ano de 2015", verificando que Kelly Cristina "parecia estar assoberbada de trabalho e tinha manifestado algumas dificuldades com o assunto", Cunha Silva "pediu ao seu pai, contabilista reformado", que auxiliasse a esposa na organização das contas da sociedade.

Ainda segundo a versão do empresário, o seu pai "deparou-se com a falta de colaboração" de Kelly Cristina, "que sempre adiava a entrega de documentos ou a prestação de esclarecimentos", e foi informado pelo técnico oficial de contas (TOC) "de que não tinha as contas da sociedade, pois a documentação não lhe tinha sido entregue". Perante "a total ausência de esclarecimentos" da nora, o "contabilista reformado" acabou por alertar o filho para a gravidade da situação.

João Cunha e Silva decide então reunir-se, "pela primeira vez", com o TOC da empresa, que confirma que "as contas da sociedade não estavam em ordem há vários anos, pelo menos desde 2012", e que tinha conhecimento da existência "de vários processos fiscais de natureza contraordenacional e executiva pendentes contra a sociedade", os quais "eram do conhecimento da sócia Kelly Cristina". E que até os seus honorários não eram pagos desde Janeiro de 2012.

O empresário diz que, quando confrontou a esposa com o relato que lhe foi transmitido pelo TOC, Kelly Cristina "lhe assegurou que estaria tudo controlado e que se tratavam de pequenas situações pendentes que estavam em vias de regularização".

 

Dívidas ao Estado e com casa penhorada

Para "apurar" a real situação da sociedade, Cunha e Silva, acompanhado pelo pai, dirigiu-se, no dia 21 de Setembro passado, ao 2º Serviço de Finanças de Cascais. Aqui é "confrontado" com a existência de dívidas ao fisco de 213 mil euros, "correspondentes a mais de 168 processos executivos pendentes contra a requerente", havendo "mais de 146 processos de execução revertidos contra si por dívidas da requerente, estando os mesmos já em fase de venda dos bens penhorados, nomeadamente da sua casa de morada de família".

Da lista de credores conhecidos constam também a Segurança Social, que tem a haver mais de 79 mil euros, o TOC (perto de nove mil euros) e o Banco Popular (337 euros). Em sede de insolvência, a empresa afiança que não tem dívidas a fornecedores nem aos seus "quatro a cinco" colaboradores.

Recorreu a amigos e familiares. Sem sucesso

"Até então apenas um gerente de direito, e um completo desconhecedor dos assuntos de administração e de gestão", João Cunha e Silva garante que ainda tentou salvar a empresa. Começou pelo recurso às suas poupanças pessoais, mas constatou que "todos os seus depósitos bancários e aplicações estavam penhorados à ordem dos vários processos de execução fiscal e outros ainda que as contas bancárias não tinham qualquer saldo".

Após um pedido de financiamento bancário ter sido de "imediato e expressamente recusado", tentou arregimentar investidores para a empresa "junto de familiares, amigos e até de profissionais da área do ténis". Sem sucesso.

João Cunha e Silva decidiu então que tinha chegado o momento de deitar a toalha ao chão. Revogou o contrato de concessão do CETO, prescindiu dos serviços dos seus colaboradores e apresentou a empresa à insolvência.

Com uma dívida que ultrapassa os 300 mil euros, sem qualquer fonte de receita e sem activos, a "João Cunha e Silva – Sports & Events" deverá seguir para liquidação. O Negócios não conseguiu contactar Kelly Cristina.

Campeão nacional e mundial de juniores

João Paulo Boleto da Cunha e Silva, actualmente com 45 anos, foi tenista profissional durante 16 anos, tendo conquistado cinco vezes o título de campeão nacional absoluto – ganhou o primeiro ceptro em 1986, um ano depois de ter liderado o "ranking" mundial de juniores. À época, protagonizou uma fascinante rivalidade com Nuno Marques pelo estatuto de melhor tenista português. Marques ocupou o 86.º lugar do "ranking" mundial da modalidade, enquanto Silva não chegou a entrar no top 100 – quedou-se pela 108.ª posição.

A vitória no "challenger" de Monterrey, em 1995, e a presença nas meias-finais do Open de Telavive, em Israel, em 1992, foram dois dos pontos mais marcantes da carreira de João Cunha e Silva. Em 1993, jogou com Andre Agassi, em Wimbledon, tendo perdido a partida depois de ter ganho o "set" inicial, e com Björn Borg, seu ídolo de juventude.

No Verão de 2000, uma lesão num joelho pôs termos à sua carreira. Tomou então a concessão do Clube Escola de Ténis de Oeiras (CETO), dedicando-se desde então à formação de tenistas. O seu filho, Felipe Cunha e Silva, é considerado um dos mais promissores tenistas portugueses.




A sua opinião21
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado surpreso1 10.01.2016

Deixa lá que aconteceu pior ao Espirito Santo.Eles nunca sabem o que se passa nas contas.Perguntem aos miúdos

comentários mais recentes
Anónimo 23.01.2016

Vergonha mesmo é abrirem nova escola com o nome do filho da mãe e do pai , sem credibiliade de qualquer ordem , profissional , financeira e má conduta que a CMO devia ser a primeira a privados de explorar aquele espaço camarário paga por todos nós.

Anónimo 23.01.2016

Que CARNAVAL , o filho Filipe Cunha e Silva ser um tenista promissor ?! Só na boca da mãe. Acabem de vez com esta farça e não abram mais escolinhas de faz de conta , em nome do filho ou da filha.o CETO, o cunha nunca fez um campeão, apenas recebeu campeões já feitos.

Anónimo 13.01.2016

Infelizmente, o que não falta por aí são "kellys" ...

Anónimo 13.01.2016

Nao era este que era casado com a brazuca? A mim parece-me que nao e so um caso de contas. Cheira-me que ali tambem existem uns enfeites no rapaz

ver mais comentários
pub
Saber mais e Alertas
pub
pub
pub