Desporto Sporting regista prejuízos de 20 milhões e volta a ter capitais próprios negativos

Sporting regista prejuízos de 20 milhões e volta a ter capitais próprios negativos

O regresso de Bruno Fernandes, Bas Dost e Rodrigo Battaglia permitiu atenuar os prejuízos e o valor negativo do capital próprio do Sporting.
Sporting regista prejuízos de 20 milhões e volta a ter capitais próprios negativos
Nuno Carregueiro 08 de setembro de 2018 às 02:04

Na primeira hora do dia em que decorrem eleições para o Sporting Clube de Portugal, a SAD leonina publicou os resultados do ano fiscal que terminou em Junho, que mostram uma deterioração das condições financeiras da cotada.

A Sporting SAD fechou o exercício fiscal 2017/2018 com um resultado líquido negativo de 19,9 milhões de euros, o que compara com lucros recorde de 30,5 milhões de euros alcançados no ano anterior (correspondente à época 2016/2017).


Os prejuízos reflectem a descida acentuada do volume de negócios (-27% para 126,1 milhões de euros), bem como o aumento dos gastos operacionais (+13,9% para 110,4 milhões de euros), que é justificado pelo "investimento no plantel profissional e na academia".


A descida do encaixe com a venda de jogadores foi determinante para a queda do volume de negócios e prejuízos apurados, já que os rendimentos operacionais (sem passes) até aumentaram (+14,6% para 91,7 milhões de euros). Já os rendimentos com transacções de jogadores caíram de 93 milhões de euros para 34,3 milhões de euros.


Enquanto na época 2016/2017 o Sporting beneficiou com as transferências de Slimani e João Mário, na anterior apenas fez uma venda de valor avultado com a transferência de Adrien para o Leicester.  


Em Julho, já depois do fim do exercício 2017/2018 terminar, "foi conseguido o acordo com o William Carvalho e o Bétis de Sevilha, bem como a venda do Cristiano Piccini ao Valência, que totalizaram cerca de 24 milhões de euros", refere a SAD liderada por Sousa Cintra no relatório e contas publicado na CMVM.

 

Prejuízos seriam superiores sem regresso de jogadores

A SAD leonina destaca a descida do passivo em 28,33 milhões de euros, a redução da dívida bancária em 17,09 milhões de euros e o aumento do valor do plantel em 21,6 milhões de euros.


O passivo total está agora em 282,5 milhões de euros, mas como a descida do activo foi mais substancial (quase 50 milhões de euros para 269,2 milhões de euros), a SAD do Sporting tem agora um capital próprio negativo no valor de 13,3 milhões de euros. Uma deterioração face aos 5,6 milhões de euros positivos em 2016/2017.


A SAD diz que esta evolução é "fruto do investimento efectuado no plantel, quer seja na aquisição de direitos económicos de jogadores quer seja pelo nível salarial praticado".


Contudo, a SAD adianta que o capital próprio não tem um valor mais negativo e os prejuízos não são mais avultados porque foi possível reverter rescisões de três jogadores, nomeadamente Bruno Fernandes, Bas Dost e Rodrigo Battaglia. "Estes regressos alcançados pelo actual Conselho de Administração tiveram um impacto positivo de 18,046 milhões de euros, quer seja nos resultados do exercício, quer seja nos capitais próprios da sociedade".


Apesar do capital próprio estar negativo, a SAD liderada por Sousa Cintra acredita que "as medidas e decisões em curso já no período final do exercício e no período subsequente, sustentadas e assente no projecto de reestruturação financeira já implementado", a Sporting SAD irá "criar valor, gerar lucros e sair da situação de perda de metade do capital em que se encontra".


A SAD do Sporting também tem a convicção que "já após o presente exercício, estão reunidas as condições necessárias para a emissão de um ou mais empréstimos obrigacionistas até ao montante máximo de 60 milhões de euros, tal como aprovado pela Assembleia Geral da Sociedade".


AG da SAD a 30 de Setembro


Também na primeira hora de 8 de Setembro, a SAD do Sporting convocou os accionistas para uma assembleia geral que terá lugar a 30 de Setembro e tem como objectivo aprovar as contas e ratificar a nomeação dos elementos da actual comissão de gestão.


Na convocatória é explicado que "não se procede agora à marcação de eleições para os órgãos sociais, uma vez que o Conselho de Administração da Sporting Clube de Portugal - Futebol, SAD, Sociedade Aberta, entendeu que, em virtude da realização de eleições, no próximo dia 8 de setembro de 2018, no acionista Sporting Clube de Portugal, não seria oportuno pedir, nos termos do art. 376º/1, alínea d) e n.º 2, do Código das Sociedades Comerciais, a convocação da assembleia também para esse fim".


Assim, será o vencedor das eleições deste sábado a definir quando a SAD realizará uma AG para alterar os órgãos sociais.




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