Energia  Moody's: EBITDA do grupo EDP vai recuar com vendas da Naturgas e da Portgas

Moody's: EBITDA do grupo EDP vai recuar com vendas da Naturgas e da Portgas

Apesar do impacto no EBITDA, a agência financeira acredita que o "perfil de risco do grupo vai continuar robusto", pois as redes reguladas e os contratos de longo prazo vão manter o seu peso no grupo.
 Moody's: EBITDA do grupo EDP vai recuar com vendas da Naturgas e da Portgas
André Cabrita-Mendes 12 de abril de 2017 às 14:25
A EDP vendeu a espanhola Naturgas e a portuguesa EDP Gás por mais de três mil milhões de euros. Mas a venda destes dois activos vai ter impacto nos lucros antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA) do grupo, diz a agência Moody's.

"Como resultado da venda da EDP Gás e da Naturgas, a proporção dos ganhos da EDP com as redes reguladas ibéricas vai recuar, de aproximadamente 27% do EBITDA do grupo de 3.700 milhões de euros em 2016, para 22%", escrevem os analistas da Moody's em comunicado divulgado esta quarta-feira, 12 de Abril.

"Contudo, a Moody's considera que o perfil de risco do grupo vai continuar robusto", pois a combinação do EBITDA de redes reguladas e de contratos de longo prazo a ficar nos 86% do EBITDA total do grupo após os negócios, face aos 87% registados em 2016.

"De uma perspectiva mais alargada, a venda da EDP Gás é complementar à reestruturação do portefólio anunciado no final de Março", com a venda da Naturgas por 2.600 milhões e ao lançamento da oferta pública da aquisição (OPA) sobre a EDP Renováveis.

"Os negócios são consistentes com o plano estratégico da EDP 2016-2020 e, no nosso ponto de vista, terão apenas um efeito modesto negativo no perfil de risco da EDP", argumenta a agência financeira.

Ao mesmo tempo, a compra dos minoritários na EDP Renováveis vai aumentar a exposição económica do grupo ao sector das renováveis, "consistente com a sua estratégia de longo prazo, e diversificação de ganhos além do seu foco ibérico".

"Estimamos que o efeito financeiro líquido combinado destsas transacções sejam amplamante neutro, se for concluídas conforme planeado", escreve a agência financeira, justificando isto com os bons múltiplos atingidos na venda da Naturgas (15,7 vezes o EBITDA) e da EDP Gás (11 vezes o EBITDA).

"Apesar do EBITDA do grupo vir a recuar em resultado das alienações, isto deverá ser compensado pelo uso de quase 1.500 milhões para reduzir a dívida líquida após a aplicação dos ganhos com as vendas" e de serem aplicados quase 1.300 milhões na OPA à EDP Renováveis.

Ainda recentemente, a Moody's anunciou a manutenção da EDP como investimento de qualidade. No início de Abril, a Moody’s Investors Service reiterou o rating de Baa3 para a dívida de longo prazo da EDP, que corresponde ao último nível da categoria de investimento de qualidade.

Nota: A notícia não dispensa a consulta da nota de "research" emitida pela casa de investimento, que poderá ser pedida junto da mesma. O Negócios alerta para a possibilidade de existirem conflitos de interesse nalguns bancos de investimento em relação à cotada analisada, como participações no seu capital. Para tomar decisões de investimento deverá consultar a nota de "research" na íntegra e informar-se junto do seu intermediário financeiro. 



A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
pub