Energia  Moodys: EDP tem a "capacidade para absorver o impacto negativo modesto" das tarifas da ERSE

Moodys: EDP tem a "capacidade para absorver o impacto negativo modesto" das tarifas da ERSE

A EDP vai receber menos 10% de lucros brutos regulados em 2018, mas a agência de notação financeira acredita que a eléctrica vai conseguir manter as suas previsões de crescimento.
 Moodys: EDP tem a "capacidade para absorver o impacto negativo modesto" das tarifas da ERSE
Bruno Simão/Negócios
André Cabrita-Mendes 19 de outubro de 2017 às 13:40
A Moodys acredita que a EDP consegue absorver o impacto negativo das tarifas de electricidade para o mercado regulado em 2018 anunciadas recentemente pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE).

Segundo a agência de notação financeira, a proposta do regulador "vai cortar ganhos nos negócios de distribuição e de fornecimento no mercado regulado do grupo EDP", pode-se ler na nota da agência divulgada esta quinta-feira, 19 de Outubro.

"Contudo, do nosso ponto de vista, a EDP tem a flexibilidade para absorver o modesto impacto negativo nos seus ganhos e manter o seu crescimento previsto de EBITDA de 3% ao ano entre 2016-2020, incluindo um EBITDA de 3.600 milhões de euros para 2017", defende a Moodys.

A ERSE divulgou a 13 de Outubro a sua proposta para as tarifas de electricidade no mercado regulado: uma descida de 0,2% nas tarifas de electricidade para 1,2 milhões de clientes em 2018, a primeira descida em 18 anos.

A agência norte-americana aponta que a proposta da ERSE permite lucros brutos regulados para a EDP no valor de 1.113 milhões de euros em 2018 - 1.076 milhões de euros na distribuição de electricidade e 37 milhões para a venda a clientes -, menos 10% face aos 1.238 milhões de euros permitidos em 2017.

"Isto reflecte retornos mais baixos sobre a sua base de activos regulados e uma base de custos reduzida depois de ganhos de eficiência alcançados pela EDP", escreve a Moodys.

A proposta vai ser agora avaliada pelo conselho tarifário da ERSE, um órgão constituído por representantes do sector eléctrico - como a REN, EDP ou Galp, mas também dos consumidores - como a Deco ou a Direcção-Geral do Consumidor -, da Associação Nacional de Municípios, entre outros. Este conselho fica depois responsável por emitir um parecer, que vai ser mais tarde avaliado pela administração da ERSE, que tem até 15 de Dezembro para aprovar as tarifas para 2018.

O alívio da tarifa da luz para o mercado regulado em 2018 acontece, em parte, devido ao impacto do valor do ajustamento final dos contratos CMEC da EDP (Custos de Manutenção do Equilíbrio Contratual), conforme calculado pela ERSE, que estima que a EDP tem a receber 850 milhões de euros até 2027, um número contestado por um estudo da EDP e da REN que defende que a EDP tem a receber 950 milhões de euros.

Outra medida que contribuiu para a descida da tarifa foi a revogação de um despacho do Governo de Pedro Passos Coelho que permitiu à EDP e à Endesa repercutir os custos com a tarifa social e com a taxa da energia CESE nas facturas dos consumidores. Ao mesmo tempo que revogou o despacho, o Governo reverteu para as tarifas os valores decorrentes desta revogação, que podem atingir os 100 milhões de euros, conforme avançou o Público.

No entanto, a Moodys não analisa na sua nota o impacto destas duas medidas para a EDP.

Nota: A notícia não dispensa a consulta da nota de "research" emitida pela casa de investimento, que poderá ser pedida junto da mesma. O Negócios alerta para a possibilidade de existirem conflitos de interesse nalguns bancos de investimento em relação à cotada analisada, como participações no seu capital. Para tomar decisões de investimento deverá consultar a nota de "research" na íntegra e informar-se junto do seu intermediário financeiro.



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Anónimo Há 4 semanas

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