Banca & Finanças  S&P sobe "outlook" do BCP para "positivo"

S&P sobe "outlook" do BCP para "positivo"

A agência de notação financeira reiterou o rating de três bancos portugueses, tendo elevado o "outlook" para o BCP de "estável" para "positivo".
 S&P sobe "outlook" do BCP para "positivo"
Nuno Carregueiro 05 de dezembro de 2017 às 11:25

A Standard & Poor’s reiterou o "rating" que atribui a três bancos portugueses – BCP, BPI e Haitong – tendo optado por melhorar o "outlook" (ou perspectiva) do banco liderado por Nuno Amado, de "estável" para "positivo".

Com esta alteração a S&P sinaliza que pode elevar o "rating" do BCP ao longo dos próximos 12 a 18 meses, caso se materializem os cenários que agora antecipa. Actualmente a notação financeira do maior banco privado português está em "BB-", o que corresponde ao terceiro nível de lixo.

O "rating" do Haitong também foi reiterado em "BB-", com "outlook" "negativo". Já a notação financeira do BPI foi reiterada em "BBB-", o que corresponde ao primeiro nível acima de lixo. O "outlook" é estável.

Este relatório da S&P surge mais de dois meses depois da S&P ter retirado a notação financeira de Portugal do "lixo", pelo que esta se situa ao nível da atribuída ao BPI e três níveis acima do BCP e do Haitong.

"Antecipamos que um ambiente macro-económico mais benigno em Portugal apoie os bancos na resolução de problemas pendentes, em particular na recuperação da rendibilidade doméstica, redução do elevado nível de activos de má qualidade e imparidades de crédito, bem como melhoria no acesso a financiamento externo", refere o relatório, onde a S&P vê a economia portuguesa a crescer 2,2% ao ano até 2010.

Como factores positivos, a agência cita ainda a finalização da venda do Novo Banco, que "aligeirou as nossas preocupações com o impacto da potencial resolução ou liquidação do banco na estabilidade financeira do sector bancário".

 

A S&P nota o progresso alcançado pelos bancos nos seus processos de reestruturação, assinalando o corte de custos entre 30 a 35% efectuado desde 2010, sobretudo através de redução de postos de trabalho e fecho de agências bancárias.

 

BCP reduz malparado acima do sector

 

Com a economia portuguesa a melhorar, a S&P estima que o rácio de "nonperforming exposures" (NPE na sigla em inglês, que indica os activos de má qualidade) da banca portuguesa desça para 17,5% do total dos activos no final de 2019, face aos 20% registados no final do ano passado.

 

Sobre este indicador, a agência estima que o BCP irá conseguir uma redução superior à do sector, até porque apresenta um "stock" mais elevado. A estimativa da S&P aponta para que o rácio bruto do NPE do BCP desça para 12% no final de 2019, contra 16% no final do terceiro trimestre deste ano. Nos primeiros nove meses deste ano o BCP alcançou uma redução de 1,3 mil milhões de euros nos NPE.

 

"Ainda assim o ‘stock’ de NPE do BCP permanece acima dos níveis registados por alguns bancos portugueses e pares internacionais, o que representa um risco se a recuperação da economia portuguesa for mais fraca do que o antecipado", escreve a agência.

 

Embora o cenário central aponte para uma subida de rating nos próximos 12 a 18 meses, a S&P diz que poderá baixar o "outlook" do rating do BCP para "estável" caso não se concretize a perspectiva de melhoria do ambiente operacional na banca portuguesa.