Banca & Finanças 11 perguntas (e respostas) sobre a emissão de dívida perpétua da Caixa

11 perguntas (e respostas) sobre a emissão de dívida perpétua da Caixa

A Caixa Geral de Depósitos disponibilizou um guia com mais de uma dezena de questões e respostas sobre uma das fases do processo de recapitalização da instituição.
11 perguntas (e respostas) sobre a emissão de dívida perpétua da Caixa
Miguel Baltazar/Negócios
Negócios 19 de março de 2017 às 18:33
Em vésperas de arrancar o "roadshow" para a emissão de dívida perpétua da Caixa Geral de Depósitos, o banco público publica uma lista com 11 perguntas e respostas sobre o processo. Quem pode investir, quando poderão ser amortizadas, qual o risco associado são algumas das perguntas esclarecidas. Transcreve-se o texto da nota, que pode ser consultada nesta ligação

A emissão de 500 milhões de euros em dívida subordinada é uma das fases da capitalização, que ocorre em simultâneo com a injecção de 2,5 mil milhões de euros públicos. A CGD garante que estes títulos não são convertíveis em acções, assegurando, como tem defendido o Governo, a manutenção do banco como propriedade pública. 

A instituição financeira deixa claro, nesta lista de perguntas e respostas, que apenas investidores qualificados, como fundos de pensões ou seguradoras, poderão adquirir estes títulos, cuja taxa de juro só será definida na operação. Os particulares estão fora. 

Qual o objectivo desta emissão?
Esta emissão no valor de 500 milhões de euros corresponde à primeira tranche de um total de 930 milhões de euros de dívida subordinada que a CGD vai emitir e que faz parte da segunda fase do plano de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos, acordado entre o Estado Português e a Comissão Europeia.

Qual o Prazo do investimento?
A emissão é perpétua, mas a CGD poderá amortizá-la antecipadamente ao fim de 5 anos e a partir dessa data, em cada uma das datas de pagamento de juros, sujeito a autorização por parte das autoridades competentes.

Qual a Taxa de Juro?
A taxa de juro dos Valores Mobiliários ainda não está definida, dependendo da procura por parte dos investidores interessados e das condições de mercado.

Qual o risco destes títulos?
Caso o rácio de fundos próprios principais de nível 1 (CET1) consolidado ou individual da CGD desça abaixo de 5,125%, o valor nominal dos Valores Mobiliários será reduzido de forma a repor o referido rácio de fundos próprios principais de nível 1. Esta redução pode ser temporária, uma vez que se a CGD voltar a ter lucros, poderá repor o valor nominal dos Valores Mobiliários desde que, ao fazê-lo, o rácio de fundos próprios principais de nível 1 não desça abaixo de 5.125%.

As obrigações podem ser convertidas em ações?
Não, não faz parte das condições da emissão. Por lei as acções da Caixa Geral de Depósitos apenas podem ser detidas Estado Português. Para garantir isso a emissão prevê o mecanismo de redução do valor nominal dos títulos e não a conversão em acções.

Qual a relação entre a Emissão de AT1 e o aumento de capital em dinheiro no valor de 2.500M€ por parte do Estado Português?
A data de realização do aumento de capital em dinheiro no valor de 2.500M€ por parte do Estado coincide com a data de liquidação financeira dos títulos por parte dos investidores. Estas duas operações são interdependentes porquanto a não realização de uma delas implica que a outra não se realize.

A quem se destinam estes títulos?
A emissão não se destina ao público em geral, apenas a investidores institucionais profissionais (privados), nomeadamente fundos de investimento, hedge funds, fundos de pensões e seguradoras, identificados como tal pelos bancos de investimento que irão assistir a Caixa no processo de colocação de dívida.

Uma empresa poderá investir nestes títulos?
Apenas se se tratar de uma empresa classificada como investidor institucional profissional, identificada como tal pelos bancos de investimento que irão assistir a Caixa no processo de colocação de dívida.

Um investidor particular de alto rendimento, residente na UE pode investir nestes títulos?
Não. A emissão não pode ser colocada em investidores particulares.

Porquê fazer a emissão no Luxemburgo?
Porque a CGD tem habitualmente admitidos neste mercado valores mobiliários emitidos no âmbito do seu programa de European Medium Term Notes (EMTN) – mais de 400 emissões realizadas desde o ano 2000 – quando as mesmas se destinam exclusivamente a investidores institucionais.

Em que mercados emitem os emitentes internacionais?
As praças do Luxemburgo e da Irlanda são um standard internacional para este tipo de emissões, dada a tipologia de investidores alvo, sendo que a grande maioria das emissões de AT1 realizadas por bancos europeus estão cotadas num destes dois mercados.





A sua opinião4
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
Juca 20.03.2017

Na apresentação desta orientação, vemos na foto que o Carlos António Costa até chorou. Coitado! A vida custa, ó Costa! Agora quem vai convencer toda a cambulhada de vígaros (luso-angolobrasucas) a fazer o retrocesso do processo. Fátima depois de 12 maio, caduca pelo prazo: 100 anos.

Bruno 19.03.2017

O Negócios diz na parte introdutória que apenas "seguradoras e fundos de pensões" podem investir. Apenas à frente extended na notícia que os institucionais são também hedge funds e fundos de investimento (os especuladores). Teve medo o jornalista de falar desses nomes no inicio porquê? :/

Anónimo 19.03.2017

Uma vergonha.
Só podia acontecer isto desta gente.
Perpétuas!
Será que não havia forma de se financiarem no mercado nacional!
Abomino estes gestores.

Conselheiro de Trump 19.03.2017

Nao ha jantar que nao entre pao,assim sendo onde sobrar MIGALHAS,depois de terem comido ate cair para o lado, o mais pequeno vai poder rapar as MIGALHAS.Se sempre assim foi no passado porque havia agora de ser diferente.Tambem acontece muitas vezes q quem rapa as migalhas e maior do q quem as faz.

pub
pub
pub
pub