Banca & Finanças 2012: Quando a banca privada precisou de dinheiro público

2012: Quando a banca privada precisou de dinheiro público

Após meses de resistência, os banqueiros tiveram de pedir ajuda pública. Quase toda a banca privada recebeu dinheiro estatal, o que ditou uma profunda reestruturação em todas as instituições. O Estado ganhou com BPI e BCP, mas perdeu no Banif.
2012: Quando a banca privada precisou de dinheiro público
Sara Matos/Negócios
Maria João Gago 31 de maio de 2017 às 10:07
Passavam quase 30 anos do regresso da iniciativa privada à banca quando os pioneiros desta vaga, BPI e BCP, tiveram de recorrer a dinheiro público para reforçarem a sua solidez – o Banif havia de o fazer em Janeiro de 2013. Depois de meses a garantirem que não precisavam de utilizar o bolo de 12 mil milhões de euros que a troika destinou ao sector, os banqueiros foram forçados a pedir ajuda ao Estado.

No BPI foi sobretudo o facto de as perdas potenciais na carteira de dívida pública terem penalizado os rácios que ditou o recurso a 1.500 milhões de euros públicos. No BCP também as crescentes exigências de solidez, aliadas à necessidade de limpar o balanço e reestruturar a operação, estiveram por trás de um apoio de 3.000 milhões.

No Banif, as insuficiências de capital exigiram uma ajuda de 1.100 milhões, a maior parte da qual foi concretizada através de acções, ao contrário do que aconteceu nos restantes bancos – o Estado chegou a ter mais de 90% da instituição. E também houve uma injecção de 1.600 milhões na Caixa Geral de Depósitos (CGD).

À excepção do Banif e da CGD, o apoio público traduziu-se em "empréstimos" aos bancos. O Estado subscreveu apenas instrumentos de capital contingente ("CoCos") que pagavam uma taxa de juro anual que começava nos 8% e ia aumentando ao longo do tempo. Em menos de cinco anos, o Orçamento do Estado arrecadou quase 1.300 milhões com esta remuneração. Mas havia de perder quase o triplo com a resolução do Banif, em Dezembro de 2015.

Como contrapartida pelas ajudas públicas – selo a que nem a estatal CGD escapou –, os bancos foram submetidos a processos de reestruturação monitorizados por Bruxelas. Foram dispensadas centenas de trabalhadores e encerradas dezenas de balcões. O crédito à economia caiu a pique e as imparidades atingiram dezenas de milhares de milhões de euros. Indirectamente, o Estado acabou por ser o catalisador da racionalização da banca.



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comentários mais recentes
Camponio da beira 31.05.2017

Precisaram de dinheiro, em quantidades astronoimicas porque quem os chefiava não via um boi do assunto nem percebia nada da economia.

RATINGS NO LIXO 31.05.2017

ENTÂO AINDA QUEREM QUE AS AGÊNCIAS FINANÇEIRAS NOS TIREM DO LIXO COMO È QUE ISSO É POSSIVEL SE NA NOSSA BOLSA SÓ A TRAMPA È QUE SOBE ( montepio ) ENQUANTO QUE AQUILO QUE É BOM DESCE ( MILENIUM BCP ) assim " JAMAIS " como dizia o OUTRO

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