Empresas Lisboa, Algarve e Porto sem risco de falta de água

Lisboa, Algarve e Porto sem risco de falta de água

Em Lisboa, as reservas de Castelo de Bode – barragem que não está a produzir energia – asseguram mais de um ano de abastecimento público. O Governo admite, contudo, que sem chuva aumente o número de populações abastecidas de água por cisterna.
Lisboa, Algarve e Porto sem risco de falta de água
Bloomberg

As actuais reservas de água nas albufeiras permitem, em termos médios, "meio ano de abastecimento público", garantiu ao Negócios o secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, que diz ter uma "preocupação vigilante" com a grave seca que afecta o país.

Em Viseu, por falta de água na barragem de Fagilde, o abastecimento em diversos concelhos começou a ser feito através de camiões-cisterna. Também na bacia do Sado, avisou o responsável, a situação começa a ser mais crítica.

Já nos grandes centros urbanos, como Lisboa e Porto, assim como no Algarve, não se colocam problemas de abastecimento de água às populações, garantiu o secretário de Estado. Segundo explicou, na região de Lisboa, "as reservas asseguram mais de um ano de abastecimento", até porque desde Maio que na barragem de Castelo de Bode, utilizada para abastecimento de água à região –à semelhança de outras – foi inibida a produção de energia. No Alentejo, acrescentou, estão assegurados 10 a 11 meses.


Carlos Martins admite que possa haver problemas mais graves em vilas e aldeias que dependem de águas subterrâneas. "Se tivermos problemas durante mais um mês o número de populações abastecidas por cisternas aumentará", frisou, adiantando que está a ser equacionado o transporte de água por via férrea.

Cenário não é animador

O secretário de Estado do Ambiente revela não ter previsões para a resolução do problema da seca em Portugal. "Para os próximos 15 dias o cenário não é animador", afirmou, explicando que a partir daí os modelos de previsão meteorológica não permitem saber se e onde irá chover. "Resta acompanhar com muita atenção", frisou, lembrando as medidas já tomadas para o curto e para o médio/longo prazo.

Certo é que "não são três dias de chuva que vão resolver o problema", disse ainda, apontando que "a chuva que caiu há duas semanas equivale a duas horas de consumo em Viseu". "Se não fosse o Alqueva e Odelouca os actuais problemas eram ainda mais graves", realçou.

Para já, com os municípios foram acordadas medidas de redução dos consumos urbanos. As orientações são no sentido de diminuir a rega de jardins, restringir o enchimento de piscinas ou encerrar fontes decorativas. No entender do governante, "ainda não chegámos a uma situação de risco em que o Estado tenha de avocar competências de outros entidades".

Se agora o foco é na actual crise, Carlos Martins salienta que numa segunda fase é preciso sensibilizar a população para interiorizar uma mudança de comportamento no dia-a-dia. "Poupar água é cidadania", apelou, sublinhando que "a criticidade está a alargar-se para períodos do ano que historicamente não nos preocupavam".

Da totalidade destes recursos, explicou, 10% são para abastecimento público, 10% para a indústria e 80% para a agricultura. Por essa razão defende que o país tem de ser mais eficiente no consumo para a agricultura, que é preciso reduzir as perdas de água ao nível dos sistemas de distribuição ou apostar na reutilização da água por parte da indústria.

Admitindo que a situação de seca possa ser cada vez mais frequente no país, Carlos Martins garante que o Executivo não está parado. Entre outras medidas, salienta que foram já mobilizados 40 milhões de euros para o Alentejo, para reforçar o abastecimento de água, e que estão a ser feitos investimentos também em Bragança. 




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Medidas de prevenção e contingência

Entre as medidas previstas para fazer face à situação de seca há intervenções de curto e de médio/longo prazo.   

Redução dos consumos urbanos

Em todo o país estão previstas medidas para a redução dos consumos urbanos, tais como diminuir a rega dos jardins e hortas, restringir nas zonas críticas o enchimento de piscinas individuais, lavagem de viaturas e logradouros, diminuir para rega de sobrevivência nas zonas verdes e encerrar fontes decorativas quando não funcionem em circuito fechado.

Campanha de sensibilização

Será promovida uma campanha de sensibilização para a necessidade do uso racional da água destinada à população em geral, agentes económicos e entidades públicas.

Avaliar novas barragens

Entre as medidas a médio e longo prazo, o Governo prevê avaliar as necessidades e possibilidade de construção de novas barragens, "de dimensão criteriosa e moderada", para incrementar as disponibilidades hídricas e aumentar a resiliência em situações adversas.

Reutilização da água residual

Outra medida passa por promover a reutilização da água residual de origem urbana tratada, criando guias de utilização e avaliando as possíveis utilizações atendendo às localizações das ETAR e dos locais onde pode ser reutilizada a água.

Apoio a agricultores

Entre as medidas de apoio aos agricultores contam-se a identificação de soluções eficientes para o abeberamento de animais, assim como para assegurar a alimentação animal.




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comentários mais recentes
Mr.Tuga Há 2 semanas

BOAS noticias para as SOPEIRAS e os TROGLODITAS tugas poderem continuar a GASTAR AGUA DA FORMA MAIS GROSSEIRA IGNOBIL E TROGLODITA que tanto os caracteriza...
Quando não houver uma gota, se preocupam todos em pedinchar, efectuar pUditorios e estender a mão a BROCHElas....
Tuga SEBENTO! CRIMINOSO!

Anónimo Há 2 semanas

Para quando as centrais de dessalinização como se faz em Israel e nos países árabes?

Anónimo Há 2 semanas

Não fora Castelo de Bode e Lisboa estava condenada ao alviela, tejo e trancão. Mas nem mesmo assim, a região que mata a sede em Lisboa e não só, passa da cepa torta a que desde sempre foi condenada. Tomar é, quiçá, o concelho mais facho, retrogrado e miserável de Portugal. Sou um natural que se escapuliu para Lisboa aos 16 anos, já lá vão 54, e não sinto quaisquer saudades, antes pelo contrário. Na Conservatória e nas Finanças mantém-se a ideologia e a metodologia dos Sardinhas e dos Galinhas, dos anos 50, e eu continuo sem conseguir resolver um antigo e simples problema de partilhas por involuntário incumprimento de prazos processuais. E o (des)Governo ainda tem a distinta lata de vir dizer que desconhece os donos de muitos terrenos. Estes incompetentes mereciam era serem todos cromados.