Media "A liberdade de imprensa é a força da democracia"

"A liberdade de imprensa é a força da democracia"

O jornalista do Caso Spotlight acredita que o jornalismo de investigação "vai sobreviver".  O Sindicato, a Casa de Imprensa e o Clube de Jornalistas alertam para o perigo da precariedade da profissão para a democracia.
"A liberdade de imprensa é a força da democracia"
Bruno Simão
Sara Ribeiro 12 de janeiro de 2017 às 20:41

"A liberdade de imprensa é a força da democracia". O alerta foi deixado pelo Presidente da República, na sessão de abertura do 4.º Congresso dos Jornalistas na quinta-feira, no Cinema São Jorge.

 

Uma preocupação manifestada por vários intervenientes do sector durante o evento que ficou marcado pelas várias saudações a Mário Soares. O nome do antigo Presidente da República foi referido por diversas vezes e mereceu fortes aplausos da audiência, incluindo pelo jornalista lusodescendente Michael Rezendes, conhecido pelo "Caso Spotlight". O jornalista começou por admitir que nunca seguiu política portuguesa "como deveria". E confessou ser um admirador de Mário Soares pelo seu papel na democracia.

 

No entanto, foram vários os alertas, como o da presidente do Sindicato dos Jornalistas, para os perigos que a actual precariedade da profissão pode trazer à democracia. "Os salários são indignos para a responsabilidade social que a profissão tem. Não podemos exigir que quem tem de contar os tostões ao final do mês desafie poderes e hierarquias que lhe podem custar a carreira". "É a democracia que está em jogo", disse Sofia Branco.

 

Já Goulart Machado, presidente da Casa da Imprensa, afirmou que "estamos na mais grave crise das nossas vidas profissionais". E lembrou: "Estamos todos no mesmo barco. Somos todos necessários".

 

"As empresas estão em dificuldades financeiras e, cada vez  mais, quem lucra são os agentes externos que não suportam os custos da produção. A tecnologia que nos dá extraordinárias ferramentas cria a ilusão disparatada de que somos em certa medida dispensáveis", acrescentou Goulart Machado.

 

Já o jornalista do Boston Globe, que ganhou o prémio Pulitzer de serviço público em 2013, tem uma visão mais optimista para o sector: "Acredito que o jornalismo de investigação vai sobreviver "e "compensa do ponto de vista económico. Há um apetite forte por este tipo de histórias".

 

"Há estudos que mostram que os leitores querem ler notícias curtas, mas também querem ler histórias mais aprofundadas", sustentou. Mas, para tal, "é preciso sair da redacção e falar com pessoas. O jornalismo 'old fashion' (tradicional) é muito, muito importante", alertou.

 

Questionado sobre as expectativas da futura relação entre os media e o novo presidente dos EUA, Rezendes respondeu que fazer a cobertura do mandato de Donald Trump "vai ser um grande desafio. Mas ainda é muito cedo para saber como vai ser".


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comentários mais recentes
Velhote 12.01.2017

Depois do 25/4 surgiu muita qualidade na nossa comunicação social. Que me desculpem os jornalistas de agora, mas muito do que tem acontecido em termos de corrupção, com os jornalistas do antigamente, já tudo tinha sido denunciado. Os jornalistas de hoje parecem amordaçados. Libertem-se da mordaça !

Velhote 12.01.2017

No pós 25/4 pensou-se que os jornalistas estavam formatados pelo regime Afinal não Estavam adormecidos. Surgiu uma pleiade de jornalistas excecionais O publico gostou e consumiu Havia tiragens otimas, apesar de mais títulos que agora As pessoas compravam todos os matutinos, vespertinos e semanarios.

NÃO ALINHADO 12.01.2017

Os jornalistas tal como os drones devem pairar a observar o que se passa e quando poisam há que publicar tudo o que observaram. Mas tudo !!! Independentemente do que viram ou pessoa que observaram. Cá o mercado é exíguo. Não dá para encostar a um dos lados. Quem fizer isso morre !!!

Verdade, verdadinha 12.01.2017

Disse o sr PR que os jornalistas tem que ser ANTI-PODER. É evidente. Quando um jornal ou jornalista faz o jogo do poder politico ou economico, perde toda a dignidade e tambem a confiança dos leitores. E srs jornalistas por muitos jogos florais que esbocem, o leitor sente se o jornal defende alguem.

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