Telecomunicações Acidente e fraca adesão desmobilizam trabalhadores da PT/MEO do protesto em Picoas  

Acidente e fraca adesão desmobilizam trabalhadores da PT/MEO do protesto em Picoas  

Um acidente rodoviário com a carrinha do equipamento de som e a escassa adesão levaram as poucas dezenas de trabalhadores e sindicalistas a desmobilizarem do protesto à porta da sede da PT/MEO, em Picoas, Lisboa.
Acidente e fraca adesão desmobilizam trabalhadores da PT/MEO do protesto em Picoas  
Miguel Baltazar
Lusa 18 de julho de 2017 às 15:25

Duas horas depois (14:30) do início previsto para a manifestação, restavam só alguns dirigentes sindicais em debandada, lamentando o sucedido, mas prometendo continuar as acções de mobilização para a greve marcada para sexta-feira.

 

"Tivemos aqui mais um azar. O carro de som foi abalroado e agora estão a tratar da papelada com a polícia, porque o outro condutor não se dá como culpado. Sem a animação, as pessoas não percebem, passam e não ficam", disse à Lusa o responsável do Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e das Telecomunicações (SNTCT) Paulo Gonçalves, enquanto decorria o movimento pendular de funcionários, na sua maioria indiferentes, para almoço, junto ao Fórum Picoas.

 

O também dirigente da CGTP e do Bloco de Esquerda/Odivelas garantiu que "as acções de luta contra o despedimento encapotado por parte da PT", com a transferência de trabalhadores para empresas parceiras e outras empresas do grupo, a multinacional francesa Altice, "vão prosseguir", estando agendados diversos protestos e uma reunião com um membro do Governo.

 

"Utilizam a figura da transmissão de estabelecimento, subvertendo-a, para pôr e dispor dos trabalhadores, que vão perdendo direitos como o plano de saúde ou o contrato colectivo da empresa ao serem transferidos. Um abraço também aos trabalhadores da Media Capital, agora também debaixo do tecto da Altice e onde eles querem continuar o estrago que já fizeram aqui [PT]", continuou, referindo-se ao recente acordo da Altice com a espanhola Prisa para adquirir a Media Capital, dona da TVI, entre outros meios, numa operação que a empresa ibérica avalia em 440 milhões de euros.

 

A PT Portugal anunciou internamente em 30 de Junho que iria transferir 118 trabalhadores para empresas do grupo Altice e Visabeira, esta última parceira histórica da operadora de telecomunicações, depois de já um mês antes se decidir pela transferência de 37 trabalhadores da área informática da PT Portugal para a Winprovit. Os diversos sindicatos envolvidos convocaram uma greve para sexta-feira.

 

Segundo Paulo Gonçalves, cerca de mil trabalhadores já mudaram de funções e outros 400 não têm funções atribuídas desde a compra da PT, há dois anos, por perto de sete mil milhões de euros, congratulando-se com o facto de a situação ter o lado positivo de ter juntado os trabalhadores para uma greve que "não acontecia há 10 anos".

 

O primeiro-ministro, o socialista António Costa, já fez declarações de apreensão para com o futuro da PT e a qualidade dos seus serviços, incluindo no debate parlamentar sobre o estado da nação. As palavras do chefe do executivo mereceram críticas por parte da oposição (PSD/CDS-PP) por intromissão em negócios privados e BE e PCP exigiram a defesa dos direitos dos trabalhadores.

 




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mais votado Anónimo Há 8 horas

Escusado será dizer que os sindicalistas não concordam com a gestão da Altice. E também querem aumentos porque acham que andam a oferecer trabalho muito abaixo do seu preço de mercado. Alguns até defendem convictamente que têm andado a trabalhar literalmente de graça. Por outras palavras, querem que eu lhes pague mais nas facturas, nas contribuições e nos impostos. Não, obrigado.

comentários mais recentes
Anónimo Há 4 semanas

A diferença entre um administrador e um técnico é que o administrador quando for despedido contrata um advogado porque o pode pagar e um técnico tem de contratar o sindicato porque não pode pagar um advogado... Ou seja, na essência é uma questão de preço a diferença do despedimento de um ou de outro

Anónimo Há 4 semanas

Abalroamento... investigue-se...

Mais um Sucesso Sindicalista nas Telecomunicações Há 2 horas

Os sindicatos das telecomunicações bem podem fechar as portas...é de fracasso em fracasso...manifestantes são poucos ou nenhuns e até já o carro do som não aparece...

Anónimo Há 5 horas

Pela lei 285 qualquer empresa pode fazer o que quiser. Os trabalhadores da MEO/PT/Altice, estão a defender, não os seus postos de trabalho, como também de toda a classe trabalhadora. E para que a mim não aconteça o mesmo, irei estar com eles caso seja possível. Amanhã posso ser eu...

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