Banca & Finanças Administração da CGD "não tem nada que ver" se gestores destituídos recusarem convites

Administração da CGD "não tem nada que ver" se gestores destituídos recusarem convites

Pedro Leitão e Tiago Ravara Marques, escolhidos por António Domingues para a CGD, foram destituídos da administração de Macedo. O ex-ministro confirma convites para outros cargos no grupo. Mas não se responsabiliza por eventuais indemnizações.
Administração da CGD "não tem nada que ver" se gestores destituídos recusarem convites
Diogo Cavaleiro 03 de fevereiro de 2017 às 14:05

Paulo Macedo confirmou esta sexta-feira que há convites para Pedro Leitão e Tiago Ravara Marques, destituídos da administração, ficarem dentro do grupo Caixa Geral de Depósitos. "O que vamos fazer é uma proposta. Depois, as pessoas decidirão", adiantou o agora líder do banco público.

 

"O que compete fazer à Caixa é tentar aproveitar as pessoas que eram competentes para estar na administração e que poderão ser competentes para prestar serviço e trazer valor acrescentado noutras áreas", disse Paulo Macedo nas declarações aos jornalistas após uma visita à agência bancária da instituição financeira nas Amoreiras, em Lisboa.

 

"Se for também o desejo dessas pessoas, haverá colaboração; se não for, o conselho de administração não tem nada que ver com isso", acrescentou o antigo ministro da Saúde.

 

Os convites existem mas Paulo Macedo recusa qualquer ligação desse facto com as indemnizações que possam estar em causa. "A proposta não tem que ver com as questões das remunerações". Se continuassem nos seus cargos até ao final do mandato, 2019, Leitão e Ravara Marques tinham direito a receber 1 milhão de euros, valor máximo da indemnização a que têm direito por serem destituídos sem justa causa. O Ministério das Finanças não tem respondido às questões sobre este tema.

 

"O seu relacionamento é uma questão com o accionista [Estado] e está muito claro quem é que tem competências dentro da Caixa para tratar desses assuntos com os senhores administradores em termos de indemnizações, que é o conselho de remunerações", frisou.

 

Sobre o facto de não ter escolhido os dois nomes para a sua comissão executiva, Paulo Macedo adiantou que tudo se deve ao perfil. "Fazia sentido, na equipa que foi designada, ter uma pessoa com o perfil da área de risco. Havia outros perfis que entendemos que outras pessoas podiam fazer melhor", disse. João Tudela Martins, que tem o pelouro da gestão de risco, permaneceu da equipa de António Domingues, mas Pedro Leitão e Tiago Ravara Marques não foram integrados na comissão que entrou em funções esta quarta-feira, 1 de Fevereiro.

 

Paulo Macedo desvalorizou essa falta de continuidade, dizendo que "a anterior equipa [de António Domingues] não ficou com ninguém do conselho anterior [de José de Matos]". Para a equipa actual falta ainda, pelo menos, Carlos Albuquerque, que Macedo confirmou estar a caminho do banco público, ainda que sem estar preocupado com o período de nojo pelo qual ainda terá de passar. 

Apesar de toda a mudança na administração face à equipa de Domingues (em que além de Tudela Martins, que ficou na comissão executiva, e Rui Vilar, que passou a presidente não executivo), o antigo governante defende que irá "cumprir o que está estabelecido" nos compromissos com a Comissão Europeia.




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comentários mais recentes
P1958 03.02.2017

Mais umas indemnizações milionárias para onerar o banco público e, indiretamente, os contribuintes, como decorrência da gestão absolutamente desastrosa e incompetente pelo governo disser CGD, com especiais responsabilidades do ministro das finanças e do primeiro ministro. A culpa não é dos administradores destituídos, que deixaram outras funções para irem para a administração da Caixa, para poucos tempo depois serem mandados embora devido à incompetência e inabilidade dos governantes.

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