Empresas Administração da Cimpor propõe dividendo extraordinário e recuo na venda de activos à Votorantim

Administração da Cimpor propõe dividendo extraordinário e recuo na venda de activos à Votorantim

Conselho de administração da Cimpor propõe pagamento de um dividendo extraordinário de até um euro por acção para permitir a todos os accionistas participarem no desempenho financeiro da empresa, convidando a Camargo a desistir do desmembramento da companhia portuguesa.
Administração da Cimpor propõe dividendo extraordinário e recuo na venda de activos à Votorantim
Maria João Babo 12 de maio de 2012 às 01:14
O conselho de administração da Cimpor, na actualização do relatório sobre a oportunidade e as condições da OPA, faz um convite à Camargo Corrêa "para que considere uma fusão entre a InterCement e a Cimpor, igualitária para todos os accionistas e que não implique o desmembramento" da cimenteira nacional.

Ou seja, propõe ao grupo brasileiro que integre os seus activos cimenteiros na América do Sul e Angola na Cimpor mas que não troque os activos que a empresa portuguesa tem na China, Índia, Turquia, Tunísia, Espanha, Marrocos e Peru pela saída da Votorantim da estrutura accionista da empresa.

Como refere no convite, "a proposta da InterCement de desinvestimento em activos, com o intuito da sua posterior alienação à Votorantim, teria um impacto negativo na performance da Cimpor", acrescentando que "o desinvestimento em regiões fulcrais da base operacional da Cimpor envolveria a perda dos benefícios comerciais e operacionais decorrentes da integração de Portugal e Espanha, a perda de potenciais mercados exportadores e ainda a redução da optimização dos custos com procurement e logística do grupo no geral".

Por essa razão, explica, "ao apresentar este convite, o conselho de administração procurou evitar a perda de valor associada à privação destas sinergias, optando assim por manter estes activos como fonte adicional de valor, o qual seria perdido ao dividir a Cimpor".

No documento, disponibilizado esta noite, a administração da Cimpor, liderada por Francisco Lacerda, diz ainda acreditar que esta proposta "representa uma alternativa superior para os accionistas que venham a permanecer" na empresa, incluindo a Camargo Corrêa.

"Esta proposta está em linha com o objectivo declarado de criar uma maior e mais diversificada cimenteira, operando um conjunto de activos de excelência", afirma o conselho no convite.

"A aceitação pela Camargo Corrêa de uma reformulação estratégica do futuro da Cimpor (...) permitirá que os accionistas possam esclarecidamente escolher, no âmbito da oferta, entre a aceitação do preço oferecido e a manutenção, suscetível de eventual recomendação do
seu investimento numa empresa que verá a continuidade da sua estratégia reforçada pelas contribuições aportadas pelo novo accionista controlado", continua.

Dividendo até um euro por acção

Neste contexto, o conselho salienta as "especialmente relevantes as sinergias recolhidas e a reforçada capacidade financeira, capaz de suportar uma remuneração extraordinária aos accionistas. Por essa razão, faz parte da proposta "o objetivo de efectuar o pagamento de um
dividendo extraordinário de até um euro por acção, por forma a permitir a todos os acionistas participarem no sólido desempenho financeiro da empresa", refere.

Para a administração da Cimpor, "a atractividade deste convite reside primordialmente na salvaguarda da exposição geográfica da Cimpor e no tratamento igualitário proporcionado aos accionistas".

E conclui que o convite efectuado "reforça a proposta de valor da Cimpor, proporciona uma alargada plataforma geográfica em mercados emergentes atractivos e com fortes perspectivas de crescimento, que é inigualável por qualquer empresa cimenteira cotada e minimiza os riscos evidenciados no relatório actualizado".




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comentários mais recentes
Vejam o que se propõe... E acham... Há 2 semanas

"Essa proposta prevê a não alienação de activos à Votorantim, compromentendo-se a Cimpor, “caso a Votorantim pretenda alienar a sua participação, parcialmente ou na sua totalidade, ou caso tal seja requerido pela Autoridade da Concorrência do Brasil (CADE), prestar o seu apoio e dedicar os seus melhores esforços para que a Votorantim coloque as suas acções no mercado através de uma oferta de acções ou de uma colocação privada, nas melhores condições possíveis que o mercado permita”."

Anónimo Há 2 semanas

A CGD em todo este processo tem actuado como correia de transmissao do Dr Borges e amigos. Como eh possivel o Banco publico que deveria defender ate ao limite os interesses de Portugal e neste caso concreto duma das melhores empresas portuguesas, tome posicao a favor do desmembrar da Cimpor. Sobretudo quando a troika NAO o exigiu. Aos primeiros ataques e gritos do Dr Borges, a Administracao da CGD decide em 26 minutos rasgar o acordo que tinha com a Vontorantim e que na pratica lhe dava o controle da Cimpor...so uns mentecaptos tomam esta atitude, ou entao de facto ha outros "altos" interesses pir traz. Penso que seria bom realizar se um debate publico na TV sobre este tema...

Cuidado com as aparências... (4) Há 2 semanas

Na prática e na vida real!

Cuidado com as aparências... (3) Há 2 semanas

É quem está a defender a Cimpor!

E isto não quer dizer que a proposta da Camargo esteja correta. É uma proposta! E a CGD não abdica dos seus direitos! Tem sempre uma palavra a dizer!

O que diz a CGD:

"Presidente da CGD duvida de alternativa nacional à OPA", JdN 20 Abril 2012 | 15:59
"Desta forma, para Faria de Oliveira, a CGD deve ter capacidade de intervenção de forma a ficar consagrado o compromisso de que a sede da Cimpor se mantém em Portugal, que há preservação de centro de competências e a possibilidade de assegurar que o conjunto do património se venha a manter.

O presidente da CGD repetiu ainda que a maioria do capital da Cimpor já não é nacional, frisando que a "CGD tem de defender os seus interesses e procurar influenciar para assegurar que a Cimpor continua a ser uma empresa nacional."

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