OPA da Camargo
Administração da Cimpor diz que há tratamento desigual dos accionistas
12 Maio 2012, 00:48 por Maria João Babo | mbabo@negocios.pt
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No relatório actualizado sobre a oferta, o conselho conclui que as permutas de activos previstas pela Camargo Corrêa reduzem a diversificação do seu portfolio e considera que sobre as avaliações há ainda clarificações a fazer.
No relatório actualizado sobre a oferta pública de aquisição, o conselho de Administração da Cimpor conclui que as permutas de activos previstas pela Camargo Corrêa reduzem a diversificação do seu portfolio e considera que sobre as avaliações há ainda clarificações a fazer.

O conselho de administração da Cimpor considera que o esquema de permutas que a Camargo Corrêa tem previsto para depois da OPA tem consequências para a estratégia da cimenteira portuguesa, além de que significa que há um tratamento desigual entre os accionistas.

No relatório actualizado sobre a oportunidade e as condições da oferta, que a administração divulgou esta noite, na sequência das informações adicionais prestadas pela Camargo por solicitação da CMVM, a análise incide essencialmente no plano de reestruturação com que o grupo brasileiro pretende avançar. Este passa, como avançou no comunicado divulgado domingo, pela integração dos seus activos na empresa portuguesa por troca das operações da Cimpor na China, Índia, Turquia, Tunísia, Espanha, Marrocos e Peru e, numa segunda fase, de transmissão destes activos para a Votorantim em troca dos 21,2% que esta detém na cimenteira.

Para o conselho de administração da Cimpor, que aprovou o relatório por unanimidade, estas permutas, ainda que reforcem a presença da empresa no Brasil e lhe permitam entrar na Argentina, ao terem como contrapartida a saída de outros activos, reduzem a diversificação do portfolio do grupo, que ficará mais concentrado na América Latina, em especial no Brasil.

Aliás, demonstra inclusivamente que a América Latina, que actualmente pesa 35% para o EBITDA do grupo, passaria a pesar 68%. O número de países onde a Cimpor está presente diminuirá de 13 para nove, o que muda o perfil da companhia e o seu risco.

Por outro lado, a administração da cimenteira entende que há um tratamento desigual dos accionistas. Isto porque, tendo em conta a proposta que a Camargo diz que irá fazer à Votorantim e que está convicta que será aceite, enquanto a segunda maior accionista da Cimpor pode optar por vender na OPA ou sair com activos os outros investidores não têm qualquer opção.

Votorantim é o único accionista a quem é dada uma segunda alternativa

“Os accionistas têm a oportunidade de vender as suas ações a um determinado preço a ser pago em dinheiro e a Votorantim é o único accionista a quem é dada uma segunda alternativa para vender as suas ações na segunda permuta, caso esta venha a não aceitar a oferta”, refere a gestão da Cimpor no relatório, assinalando que "este favoritismo coloca em risco a igualdade de tratamento dos accionistas"

Já no que respeita às avaliações daqueles activos, a Cimpor entende que há ainda clarificações a fazer quanto á informação já avançada pela Camargo de que os activos a permutar (excluindo as acções detidas pela Votorantim) serão avaliados por entidades independentes e os 21,2% da Votorantim serão valorizadas pelo preço da contrapartida oferecida na OPA.

O conselho entende que são necessários mais esclarecimentos nesta questão, designadamente comos era feita a integração dos activos da Camargo na Cimpor, chamando ainda a atenção que a segunda permuta será já feita fora do quadro da oferta.

Relativamente ao preço, o conselho de administração mantém a avaliação que fez no primeiro relatório, considerando que a contrapartida de 5,5 euros por acção é baixa, subavalia a empresa e não reflecte um prémio de controlo adequado.

“O preço da oferta não foi melhorado, continuando a subavaliar a Cimpor, o que não permite aos Acionistas nem beneficiar de um prémio de controlo adequado, em linha com referências de transações precedentes comparáveis, nem partilhar das significativas sinergias que decorrem da combinação de activos apresentada nos documentos da oferta”, refere a administração da Cimpor no relatório.

A administração da Cimpor reconhece no documento que a informação prestada pela Camargo evoluiu. No entanto, continua a considerar não estar em posição de recomendar aos accionistas a venda das suas acções nem a manutenção do seu investimento.

“Na ausência de uma subida do preço da oferta, o Conselho de Administração continua a não recomendar aos accionistas a venda na mesma das suas acções, porquanto o preço é baixo e subavalia significativamente a Cimpor”, refere o relatório, acrescentando que a possibilidade de “desmembramento da Cimpor, impedem o Conselho de Administração de recomendar aos accionistas a manutenção do seu investimento na Cimpor”.

Na votação do relatório participaram apenas os administradores independentes e o indicado pela Investifino, uma vez que Camargo Corrêa, Votorantim e fundo de pensões do BCP consideraram existir conflitos de interesse e a Caixa Geral de Depósitos não tem administrador nomeado.
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