Empresas Administradores indigitados para a Anacom defendem regras mais apertadas para os CTT

Administradores indigitados para a Anacom defendem regras mais apertadas para os CTT

João Miguel Coelho e Sandro Mendonça consideram que o serviço universal postal deve ser uma das prioridades do regulador. Defendem que tem de ser "revisto" e que o seu "desgaste" provém "de uma falta de enfoque da própria empresa".
Administradores indigitados para a Anacom defendem regras mais apertadas para os CTT
Miguel Baltazar
Sara Ribeiro 17 de janeiro de 2018 às 20:19

O serviço universal postal está no topo das prioridades dos novos administradores da Anacom, indicados pelo Governo no final do ano passado. João Miguel Coelho (na foto) sublinha que "é relevante reavaliar actual situação" do serviço prestado pelos CTT". Já Sandro Mendonça relembra que, apesar de ser "a questão do momento", já há um ano que tinham sido dado alertas sobre o "desgaste" do serviço".

 

"Os CTT têm vindo a adaptar a sua actividade à digitalização. A privatização foi uma opção política", começou por explicar o economista João Miguel Coelho. "Mas", continuou, "estamos num mundo do comércio electrónico e a entrega de encomendas é algo que os CTT não podem deixar de apostar, mas também não podem deixar de apostar no serviço de qualidade, nomeadamente em regiões rurais com populações com outras características que pela sua idade não utiliza as novas tecnologias. Daí a importância de manter postos em localidade mais remotas", acrescentou durante a sua audição desta quarta-feira, 17 de Janeiro, na Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas.

 

Já o economista Sandro Mendonça relembrou que apesar de o serviço universal postal ser "uma questão do momento", "já há um ano esta comissão estava sinalizada para uma noção colectiva de que o serviço estava a sofrer algum desgaste. Esse desgaste, podemos inferir, provém de uma falta de enfoque da própria empresa que se tem desdobrado a abrir outras actividades", criticou.

 

João Miguel Coelho aproveitou para referir que as recentes propostas da Anacom para reforçar os indicadores de qualidade do serviço foram, no seu entender, uma boa decisão. E concorda ainda com o actual presidente do regulador, João Cadete de Matos, no que toca à alteração das regras de auditoria do serviço: "É relevante reavaliar a situação", do serviço postal. E "é preciso que a empresa que faz auditoria passe a responder à Anacom e não aos CTT. É a opinião da actual Anacom e parece-me uma ideia interessante", defendeu. Actualmente, como a lei prevê, são os CTT que contratam a auditora para monitorizar o serviço, através de um concurso público.

Por seu lado, Sandro Mendonça não quis deixar de comentar o anúncio do encerramento de 24 estações dos CTT: "A Anacom costuma emitir decisões de sentido provável. Infelizmente, não vimos os CTT a emitirem um sentido provável de encerramento e nem consultou o regulador sobre o possível impacto desta medida".

Reclamações e TDT na agenda

 

A TDT e o aumento das reclamações foram outros dos temas abordados pelos administradores indigitados.

 

Sobre a televisão digital, João Miguel Coelho considerou que "é um problema complexo. Acho que é importante aprender com o passado", comentou. "Sabemos que houve problemas com apagão analógico. Mas é verdade que a TDT ainda serve uma população significativa (17% )", por isso defendeu que se deve dar especial atenção a este tema. O economista "saudou" ainda "o facto de estarem mais canais na TDT (RTP3 e RTP Memoria)", bem como o concurso para dois novos canais que o Governo já disse que queria lançar mas que até ao momento ainda não arrancou.

 

Quanto ao aumento das reclamações no sector de telecomunicações, ambos consideraram que é um tema "preocupante". Na opinião de João Miguel Coelho, "deve ser feito um trabalho a priori junto das operadoras para evitar que os consumidores tenham motivo para reclamar". Já Sandro Mendonça defendeu a "automatização da leitura" das queixas por via digital, relembrando que à vezes há "várias barreiras" para fazer uma reclamação em papel.

 

Outra das decisões tomadas pela Anacom aplaudidas por João Miguel Coelho está relacionada com a compra da Media Capital pela Meo. O parecer da Anacom, não vinculativo, chumbava a operação por poder criar "entraves significativos à concorrência". O economista considera que são decisões "que mostram uma actuação musculada". 

Em Dezembro, o Ministério das Infraestruturas anunciou que, além de  João Miguel Coelho, tinha proposto os nomes de Paula Meira Lourenço e Sandro Mendonça para a administração da Anacom. Isto depois de o primeiro processo de selecção não ter sido bem sucedido. Os deputados não deram parecer positivo às propostas de Dalila Araújo, Margarida Sá Costa e Francisco Cal - as duas primeiras por ligações à Altice.

 

Se os nomes forem aprovados, a Anacom ficará assim com a administração completa de cinco elementos.  Estes três nomes irão juntar-se a João Cadete de Matos, presidente da Anacom, e a Isabel Areia, vogal. Além disso, com estas nomeações, José Perdigoto poderá abandonar o cargo no qual tinha permanecido até haver novas nomeações para o conselho da Anacom ter quórum.

 

João Miguel Coelho, economista do Banco de Portugal e coordenador da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) da Assembleia da República, é mestre em Economia da Universidade Nova e licenciado em Economia pelo ISEG.

 

Sandro Mendonça também é economista e professor de economia no ISCTE e no ISEG.

 

Já Paula Meira Lourenço, que desempenha funções de jurista na CMVM, vai ser ouvida pelo Parlamento na quinta-feira, 18 de Janeiro.




A sua opinião7
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
comentar
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
mais votado Pequeno investidor 17.01.2018

jornal de negocio irá me perder como leitor diario deste site na internet,
os ataques aos CTT SÃO QUASE DIARIOS para que a cotação desça que é inadimissivel.
isto é só aqui no JORNAL DE NEGOCIOS, porque estes ataques não se passam assiduamente nos outros sites economicos, comoo ECO, ou o DIARIO ECONOMICO.
isto é persiguição, e quem não está bem muda-se.
e eu vou-me mudar, porque o JORNAL DE NEGOCIOS está a mexer com o meu dinheiro.

comentários mais recentes
Lá está 18.01.2018

Estes ceo de pé de chinelo já não defendem baixar a pouca vergonha que auferem

CTT 17.01.2018

Muito gostava eu que o Jornal de Negócios escrevesse notícias a criticar a ação deste governo contra as empresas portuguesas: CTT, EDP, REN, GALP, Autoeuropa. Não o faz porque está gerido por comunas, só pode...

Jornal de Negócios 17.01.2018

O Jornal de Negócios em vez de criticar a ação indecente dos políticos, que mudam a regulação consoante a vontade, criticam a empresa todos os dias.
Que raio de Jornal é este?? Tenham vergonha meus senhores!! Se tivessem vergonha não publicariam barbaridades. As empresas precisam de notícias de ânimo, não desta coscuvilhice em que se transformaram as vossas opiniões. Não bastavam os comunas ainda temos mais estes jornaleiros da treta...

Anónimo 17.01.2018

Dividir e destruir para reinar

Se o critério e a tabela de valores fosse o mesmo, muito haveria a dizer, nomeadamente, a respeito da saúde e da educação... Afinal o que se vê é "gente nova" com vícios velhos que têm levado ao empobrecimento de Portugal e de milhõies de portugueses...

ver mais comentários
pub