Aviação Aeródromo de Tires em obras para receber toda a aviação executiva de Lisboa

Aeródromo de Tires em obras para receber toda a aviação executiva de Lisboa

A câmara de Cascais está a fazer obras no aeródromo de Tires para receber a certificação de nível IV. O objectivo é tornar esta estrutura ainda mais atractiva para receber todos os voos executivos que actualmente utilizam o aeroporto de Lisboa, escreve o Diário de Notícias.
Aeródromo de Tires em obras para receber toda a aviação executiva de Lisboa
Duarte Roriz/Correio da Manhã
Bruno Simões 24 de maio de 2017 às 15:23

O aeródromo de Tires quer assumir-se como a principal referência na zona de Lisboa para voos executivos e, nesse sentido, a câmara de Cascais está a fazer várias obras na estrutura para poder solicitar à Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC) a classificação de aeródromo de classe IV. Dessa forma, o aeródromo passará a ter um conjunto de serviços em permanência, como o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) para controlo de passaportes, que será especialmente importante para todos os voos fora do espaço Schengen.

 

Isto porque, actualmente, há diversas aeronaves executivas que, para aterrarem em Tires, têm de pré-agendar a chegada, para estar disponível o controlo alfandegário. Por isso, preferem aterrar em Lisboa, onde existe controlo de passaportes, de passageiros e bagagem. Se o SEF passar a estar em permanência em Tires, essa limitação deixa de existir para voos provenientes de destinos fora da Europa, como Estados Unidos, América do Sul, África ou Ásia.

 

O Diário de Notícias escreveu esta quarta-feira que a câmara de Cascais já havia solicitado à ANAC a atribuição da classificação de nível IV, mas segundo foi possível apurar, esse passo ainda não foi dado. Actualmente, o aeródromo tem em curso um conjunto de obras para modernizar a aerogare e ter disponíveis todos os requisitos operacionais e técnicos exigidos pela legislação para obter a classe IV.

Em causa está um sistema integrado de observação meteorológica, um novo sistema de controlo de tráfego aéreo, uma nova infraestrutura informática, um novo parque de estacionamento com 100 lugares ou a cobertura de uma ribeira.

 

Só quando todas essas intervenções estiverem concluídas é que o município irá solicitar à ANAC uma inspecção para atribuição do nível operacional IV, o mais alto que está disponível para aeródromos, e que já é muito próximo das exigências dos aeroportos.

Voos executivos descem de forma acentuada

 

A nível IV também permitirá ao aeródromo de Tires receber aviões de maior capacidade, embora isso não seja um factor importante no mercado da aviação executiva, que habitualmente utiliza aviões mais pequenos e com menor peso do que a aviação comercial. Ainda assim, actualmente já podem aterrar em Tires todos os aviões da frota da TAP Express, incluindo os Embraer 190 e os ATR-72.

No ano passado, de acordo com o relatório e contas da Cascais Dinâmica, empresa municipal que gere o aeródromo de Tires, esta estrutura registou 49.952 movimentos, um aumento ligeiro face aos 49.876 registados em 2015. A esmagadora maioria dos voos no aeroporto de Tires são de instrução (35.887 no ano passado), relativos aos 300 alunos das oito escolas de aviação sediadas no concelho.

Os voos executivos registaram descidas na componente de voo privado (-32%, para 1.196 movimentos) e na componente de táxi aéreo (-4%, para 1.475 movimentos). Uma descida que a empresa atribuiu às exigências da ANAC, que tem que autorizar cada um desses voos que tenha proveniência no estrangeiro. Ora, essa luz verde "tem sido impossível de obter fora do horário normal de expediente daquela Autoridade, inviabilizando todos os movimentos que são solicitados entre as 17:00 de sexta-feira e as 9:00 de segunda-feira", queixa-se a Cascais Dinâmica.

Em Abril, um bimotor Piper Cheyenne II, de matrícula suíça, despenhou-se pouco depois de descolar do aeródromo de Tires, embatendo contra o parque de descargas de um supermercado Lidl. Morreram os quatro ocupantes e uma pessoa que estava no solo.


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