Turismo & Lazer Agências de viagens deram 3.240 milhões à economia

Agências de viagens deram 3.240 milhões à economia

O estudo apresentado no Congresso da APAVT em Macau faz um retrato do sector das agências de viagens e operadores turísticos em Portugal. A popularidade da marca Portugal foi o principal motor da venda de pacotes de viagens.
Agências de viagens deram 3.240 milhões à economia
Miguel Baltazar/Negócios
Wilson Ledo 24 de novembro de 2017 às 10:22

As agências de viagens e os operadores turísticos contribuíram com 3.240 milhões de euros para a economia portuguesa em 2016. A conclusão é de um estudo apresentado esta sexta-feira, 24 de Novembro, no 43.º Congresso das APAVT - Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo em Macau.


Segundo o estudo conjunto da EY e da Augusto Mateus e Associados, o valor representa 2,1% do PIB nacional. Nele integra-se o negócio directo das empresas de distribuição turística - mais de duas mil no país - bem como o impacto no que respeita a transportes, alojamento, aluguer de viaturas e outras despesas dos turistas. Conta-se ainda o chamado impacto induzido, que representa as despesas dos trabalhadores directa e indirectamente ligados ao sector.

Para mostrar como se dá o efeito de contágio do sector das agências de viagens e turistas, importa referir que considerando o impacto directo desta actividade para a criação de riqueza nacional - integrando o valor acrescentado e o emprego gerado pelo sector de actividade - esse contributo é de 270 milhões de euros.

O factor que mais contribui para a venda de viagens e pacotes, segundo os inquiridos, foi a "popularidade da marca Portugal". A dimensão do mercado e a confiança sobre a evolução (positiva) da economia portuguesa foram outros dos motivos a impulsionar o negócio.

O balanço só não é melhor devido à "concorrência directa de fornecedores", com as companhias aéreas, por exemplo, a centralizarem os seus processos de venda. O aumento do poder negocial destes fornecedores, aliado ao enquadramento fiscal, é outra das preocupações do sector.

O estudo faz ainda uma análise dos pontos fortes e fracos das suas diferentes componentes. A nível de recursos humanos, é destacado o "forte conhecimento" sobre os produtos oferecidos, embora persistam problemas para encontrar trabalhadores.

Os inquiridos destacam uma boa situação financeira e disponibilidade de tesouraria, embora a reduzida dimensão das empresas seja uma fraqueza. Nas agências de viagens e operadores turísticos, em média, contam-se 4,8 trabalhadores: ao todo são quase 9.900 pessoas empregadas nesta área. A maioria das empresas tem menos de cinco anos, aponta a pesquisa, representando um aumento de quase 10% desde 2012.

Para responder às ameaças, três em cada quatro das agências de viagens e operadores turísticos ouvidos estão a apostar num tratamento personalizado ao cliente, embora admitam a dificuldade em fidelizá-los. A aposta na formação dos trabalhadores e o investimento em tecnologia são aspectos também destacados por mais de metade.

 

"Uma coisa que se faz em cinco ou dez anos nao é um destino turístico"

No início da tarde, Augusto Mateus aproveitou para falar sobre o papel do turismo para reinventar o crescimento económico português. Um dos pontos positivos, diz, foi o país ter percebido que "o mercado global começa no mercado doméstico".

O economista relembrou que um dos factores chave para o país tem sido a sua localização geográfica na hora de captar investimentos. Referindo que se está a assistir à "aceleração de um modelo que está esgotado", o economista defende que é preciso "fugir da economia das quantidades e entrar na economia do valor".

No caso específico do turismo, o foco não deverá estar no número de turistas mas sim no valor que eles conseguem representar. "Uma coisa que se faz em cinco ou dez anos não é um destino turístico", alertou em Macau.

*Jornalista em Macau, a convite da APAVT



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