Turismo & Lazer Airbnb com ligação directa ao Turismo de Portugal

Airbnb com ligação directa ao Turismo de Portugal

O director-geral ibérico da Airbnb não se cansa de elogiar o Governo português pela colaboração que tem tido e por perceber a importância do alojamento local. “É algo único e permite que Portugal cresça no turismo”. É por isso que há agora uma ferramenta inédita.
Airbnb com ligação directa ao Turismo de Portugal
Miguel Baltazar
Alexandra Machado 03 de dezembro de 2017 às 22:00

É uma colaboração inédita aquela que a Airbnb está a fazer com o Turismo de Portugal. Os novos anfitriões (host) podem, desde 1 de Dezembro, registar-se, de forma automática, no portal do alojamento local do Turismo de Portugal.

"Os dados colocados por novos anfitriões vão ser partilhados pelo Turismo de Portugal, o que pode ajudar a detectar se há pessoas a infringir a lei e vamos facilitar a detecção", pelo que "se detectarem que há pessoas que não estão a cumprir as regras então comunicam-nos e nós retiramos essas pessoas da plataforma", esclareceu em entrevista ao Negócios o director ibérico da Airbnb. Diz mesmo que o que foi feito agora em Portugal "é um mecanismo único no mundo, não há em nenhum lugar".

Fazem-no, pois, porque é a demonstração de que quando "as coisas são feitas de forma correcta faz sentido desenvolver ferramentas que ajudem a cumprir com as regras". Arnaldo Muñoz não se cansa de elogiar, durante a entrevista, o governo central, aberto ao diálogo, o que é "quase único" e que permite que "Portugal cresça no turismo".

"Portugal percebeu a importância de ter pessoas vindas através destas plataformas. Definiu uma lei há muito tempo, o que nos ajuda, enquanto plataforma, a investir no negócio". Há, pois, acrescenta, "coisas que não conseguimos fazer noutros locais do mundo, mas que conseguimos fazer aqui". A relação, diz ainda o mesmo responsável, permite que a Airbnb recolha a taxa turística para Lisboa, que, só este ano, vai num valor superior a 3 milhões de euros.

Arnaldo Muñoz desvaloriza o impacto de Lisboa poder aumentar essa taxa, passando-a de 1 para 2 euros, o valor que o Porto pretende também introduzir. Até porque é uma taxa que considera justa por não ser discriminatória, é aplicada a todos os alojamentos; e, em segundo lugar, diz, pretende-se que o dinheiro seja utilizado na sustentabilidade da cidade e na sua imagem. Quanto a outras medidas fiscais, nomeadamente a implementada em Itália, conhecida precisamente como imposto Airbnb, Arnaldo Muñoz recusa-se a comentar, por ter responsabilidade apenas pelo mercado ibérico. Mas garante: "quando as leis surgem, adaptamo-nos a elas. É isso que estamos a fazer em Portugal". Por isso, a tal ferramenta de interacção com o Turismo de Portugal que agilizará o processo de detecção de incumprimentos, nomeadamente o de registo obrigatório.

Sobre as críticas que são feitas à Airbnb, vai desfiando as respostas.

Primeira questão. Estão a contribuir para retirar pessoas dos centros das cidades?  "Acreditamos precisamente no oposto. Plataformas como a Airbnb permite às pessoas ficarem nas suas casas porque garante um rendimento extra". E, acrescenta, a população de Lisboa, nos últimos anos, até cresceu. "Ainda me lembro da Baixa à noite estar quase deserta".

Segunda questão. A Airbnb é uma das causas do aumento dos preços das casas e das rendas? "É mais fácil atribuir ao mais recente player a responsabilidade de um problema", mas "temos de fazer um melhor trabalho em explicar o que de positivo trazemos". Mas em relação à habitação, diz Muñoz, há mais casas em Lisboa vazias do que as que existem de alojamento Airbnb. E estando essas casas fora do mercado, os preços sobem. Além disso, há o apoio ao investimento estrangeiro no imobiliário.

Terceira questão. Os hóspedes são barulhentos e interferem com a vida das cidades? "Em Lisboa, Porto e Algarve há ainda oportunidade para atrair turistas, e que é compatível com a vida das pessoas que vivem nesses sítios". Alguns dados: o número de incidentes diz serem mínimos; há muitas famílias a viajarem pela Airbnb; e 25% da própria população de Lisboa é anfitrião ou hóspede.

Depois dos argumentos e dos elogios, deixa a sua crença: "Portugal é um país que percebe o ‘home sharing’ e acredito que vai continuar a ser". 

3,1
Taxa turística
A Airbnb gerou uma receita superior a 3 milhões para Lisboa em 2017, elevando a recolha a 5 milhões desde Maio de 2016.

25%
População
25% da população de Lisboa já utilizou a Airbnb como anfitrião ou como hóspede. Níveis semelhantes a Paris e São Francisco.

28%
Crescimento
A Airbnb cresceu este ano 28% no número de casas em Portugal listadas na plataforma. Há mais de 60 mil listagens.

73%
Aumento
O número de pessoas que viajaram de Portugal para fora com a Airbnb subiu 73% e o das que chegam a Portugal cresceu 59%.




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comentários mais recentes
Anónimo Há 1 semana

A família Cristas agradece Ubers e tuc tucs com fartura...e sem fatura...

Tereza economista Há 1 semana

Lisboa já está insustentável e os turistas começam a criticar, 1 hora para um pastel, amontoados no metro, 1 hora de fila para tudo. Ou mudam serviços e ministérios para outras cidades ou vem aí o caos.

Tachos e Taxinhas Há 1 semana

Este governo devia obrigar quem dá traques a pagar uma taxa, para além de ofender o nariz púdico dos transeuntes, também faz poluição sonora e do meio ambiente pela falta de higiene e contribui para o aquecimento global através da expelição de gases para atmosfera como o metano e dióxido de carbono.

joao Há 1 semana

Como diz? o governo central, aberto ao diálogo, o que é "quase único" e que permite que "Portugal cresça no turismo". Pois é, as VERDADES DOEM e é por isso que este GOVERNO é admirado e trabalha em prol de um País que se quer próspero mas também q pague os seus impostos de forma equitativa

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