Aviação Airbus sob pressão depois da Emirates encomendar 40 Dreamliners à Boeing

Airbus sob pressão depois da Emirates encomendar 40 Dreamliners à Boeing

A fabricante de aeronaves Airbus está sob pressão no Dubai Air Show, depois de ter visto o seu principal cliente do A380, a Emirates, a encomendar 40 aviões à principal rival, a Boeing, não tendo feito qualquer compromisso com os europeus.
Bruno Simões 14 de novembro de 2017 às 14:38

Os primeiros dias do Dubai Airshow, o salão aeronáutico que começou no passado domingo e que se estende até amanhã na maior cidade dos Emirados Árabes Unidos (ver fotogaleria em cima), estão a ser amargos para a Airbus. A fabricante francesa de aeronaves viu a Emirates, uma das principais companhias aéreas do mundo, a preterir o seu modelo A350, optando antes por encomendar 40 aviões do modelo com que os franceses concorrem, o 787 Dreamliner 10 da Boeing.

 

Por outro lado, a Airbus também está a ser pressionada a garantir a produção do Airbus A380, o maior avião comercial do mundo, durante pelo menos mais 10 anos. Sem essa garantia, a Emirates não fará novas encomendas do avião de dois andares. A Emirates está a pedir estas garantias numa altura em que a Airbus tem reduzido a produção dos A380, até porque as novas encomendas já só chegam precisamente da companhia sediada no Dubai.

 

Tim Clark, CEO da Emirates, disse à Reuters que o governo do Dubai está "preocupado com a continuação [da produção do A380]". "Eles precisam de garantias sólidas de que, se comprarmos mais aviões, a linha de produção vai ser mantida por período mínimo de anos, e que eles [Airbus] estão cientes das consequências de cancelarem a produção e deixarem-nos entregues à nossa sorte", acrescentou o CEO.

 

"Estou seguro de que essas garantias vão chegar. Exactamente quando, não sei", acrescentou o CEO da Emirates. Para o gestor, uma garantia de 10 anos de produção adicional do A380 seria suficiente para chegar a acordo com a Airbus. "No mínimo 10 anos. São investimentos de capital consideráveis para nós e não nos podemos dar ao luxo de ter menos de 10 anos; o ideal é que fossem 15. Mas eles é que decidem", detalhou.


A Emirates recebeu há uma semana o centésimo A380 e tem outros 42 aviões deste modelo encomendados. Se a Airbus parasse a produção, devido à reduzida procura por este modelo, a frota da Emirates perderia valor devido à falta de suporte.

 

O que parece certo, para já, é que o A350 saiu da lista de compras da Emirates. "Diria que depois de termos optado pelo 787, vamos continuar com o 787, mas nunca digo nunca", rematou. A Emirates adquiriu a variante mais longa do 787, o Dreamliner 10, e poderá comprar outros 20 a 30 Dreamliner 9, mais pequenos.




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Anónimo Há 1 semana

Óh Senhor jornalista, a Airbus nunca foi francesa: é um consórcio Francês/Inglês/Espanhol e Alemão. O facto de a fábrica principal ser em Toulouse não faz da empresa ser francesa. Os franceses, que são uns chauvinistas, é que gostam muito que se diga que a Airbus é francesa. Mas isso é conversa para tolos. Se o Senhor soubesse qual a importância de Espanha no projecto do A 380 e do A 350, não mandava uma boutard desse calibre. Enfim ... é a (des)informação que este País tem.

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