Agricultura e Pescas Aldeia de Penela decide arrancar eucaliptos e plantar árvores mais resistentes

Aldeia de Penela decide arrancar eucaliptos e plantar árvores mais resistentes

Os moradores da aldeia de xisto de Ferraria de São João, no concelho de Penela, decidiram, em assembleia, avançar com uma zona de protecção da povoação, arrancando eucaliptos e plantando árvores mais resistentes aos fogos.
Aldeia de Penela decide arrancar eucaliptos e plantar árvores mais resistentes
Reuters
Lusa 29 de junho de 2017 às 15:41
A moção da assembleia de moradores foi aprovada por unanimidade no domingo e prevê a criação de uma zona de protecção de pelo menos 100 metros à volta da Ferraria de São João, aldeia com cerca de 40 habitantes que já fica no distrito de Coimbra, mas que acabou cercada pelo incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande e que provocou 64 mortos, contou à agência Lusa o presidente da associação de moradores, Pedro Pedrosa.

A zona de protecção terá "no mínimo 100 metros, à volta dos aglomerados", mas os moradores mostram-se "ambiciosos" em alcançarem uma zona de 500 metros na envolvente da aldeia, em que serão replantadas "folhosas, como sobreiros ou carvalhos", podendo também avançar-se com a plantação de "medronheiros ou azevinho", contou.

O primeiro passo passa pelo cadastro dos terrenos circundantes, sendo que é necessário "identificar as parcelas" na zona ao redor de Ferraria de São João, mas o presidente da associação sublinha que "ainda em Julho" gostaria de começar a cortar e a arrancar os eucaliptos.

"A origem deste projecto veio no rescaldo do incêndio", conta Pedro Pedrosa, que vive há oito anos na aldeia e que há três explora uma unidade de turismo rural com capacidade para 12 pessoas.

Após ver tudo a arder à volta da aldeia, o morador decidiu que era preciso "fazer alguma coisa" e os habitantes acabaram por se juntar no domingo para aprovar uma zona mínima de protecção, para garantir "alguma segurança e, também, para valorizar a aldeia".

À volta de Ferraria de São João, o pouco verde que se vê vem das folhas dos sobreiros.

"Foi a demonstração a quem não queria acreditar. Provou a todas as pessoas que não acreditavam", realçou.

Segundo Pedro Pedrosa, há também uma preocupação para que as pessoas "não percam rendimento", querendo replantar árvores de onde as pessoas também possam retirar algum proveito económico.

José Gonçalves, de 48 anos, mora há 25 na Ferraria de São João e, por ele, "o eucalipto devia ser proibido de plantar. O sobreiral foi o que nos valeu".

Para além de uns currais que arderam, as casas ficaram intactas.

A maioria dos terrenos com eucaliptos são de pessoas da terra, notou, ao que outra moradora disse que alguns dos habitantes "só não punham eucaliptos dentro da casa porque não conseguiam".

Agora, José Gonçalves acredita que pode ser um momento de viragem, em que se aposte também na pastorícia para limpar os matos e noutro tipo de árvores para acabar com a paisagem monótona do eucalipto nos montes à volta da Ferraria de São João.

"Os pinheiros deram em secar e quem tinha terras de amanho, onde se semeava milho, centeio, batatas, começaram a desistir. Isto aqui era tudo terras amanhadas", conta Benilde Mendes, de 66 anos, moradora da aldeia, contando que onde havia terras de cultivo passou a haver eucaliptos.

A habitante da Ferraria de São João tem terrenos com eucaliptos, de onde retirava "algum" dinheiro, mas aprovou a moção "pela segurança das pessoas e por tudo".

No domingo, a associação vai continuar o trabalho de identificação dos terrenos à volta da aldeia.



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comentários mais recentes
Finalmente, sera que aprenderam? 30.06.2017

Sera que pelo menos com esta Trajedia, alguem poder-a ser salvo no foturo? Todos somos responsaveis pelo que aconteceu. Em especial os Politicos, e todos os que têm o poder de decisao. Mas a culpa vai morrer solteira como sempre. As falhhas das comunicacoes,sao neste caso parte do problema.

Anónimo 29.06.2017

Penso que toda a gente minimamente seria, Independente da Partidarite, reprova a insensibilidade para com as mortes e sentimentos das Famílias, com que o PSD e Passos Coelho CDS tem explorado Politicamente a situação sem nenhum Pudor, nenhuma ética, descaramento deplorável.

Camponio da beira 29.06.2017

Acho que se têm esquecido, de um pormenor importante, as constantes penas suspensas aos incendiarios reicidentes e outros criminosos que fazem a vida num inferno às pessoas, quando e lei manda para prisão, quando há perigo de reincidencia. A lei náo é a "opinião pessoal" do juiz...

Anónimo 29.06.2017

No meio disto tudo haja quem faça alguma coisa que se aproveite !

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