Media Analistas duvidam da criação de valor da compra de media por operadoras

Analistas duvidam da criação de valor da compra de media por operadoras

A confirmação do interesse da Altice na compra da Media Capital voltou a agitar o mercado de media em Portugal. Isto apesar de os analistas verem pouca criação de valor neste tipo de negócios. A Impresa é a cotada que mais beneficia em bolsa.
Analistas duvidam da criação de valor da compra de media por operadoras
Bloomberg
Sara Antunes 26 de junho de 2017 às 23:05

A Altice já confirmou o interesse na compra da Media Capital, tendo iniciado "interlocuções exploratórias" com a Prisa. Algo que voltou a agitar o mercado de media português. Mas os analistas têm dúvidas. Por um lado duvidam que este tipo de negócio crie valor para as operadoras. Por outro, divergem quanto ao futuro do sector.

"Tal como no caso dos conteúdos de futebol, não consideramos que a compra de uma operadora de televisão crie valor para o sector. Além disso, estamos cépticos sobre a estratégia de valor destes activos para as operadoras de telecomunicações", considera Pedro Oliveira, analista do BPI.

Perspectiva semelhante tem o analista do Haitong, Nuno Matias, que diz "não perceber a lógica" deste tipo de operação, até porque a compra da Media Capital por parte da Altice "poderá resultar apenas na instabilidade no que respeita ao acesso aos conteúdos" de uma "forma desnecessária". Isto porque uma mais-valia para a Altice com a compra da dona da TVI era ter exclusividade na transmissão deste canal de televisão, o que, na óptica do Haitong, não acontecerá. Esta operação "será sujeita a medidas de regulação severas, algumas das quais retirarão a principal lógica estratégica do negócio", explica o analista do Haitong, que diz mesmo que a TVI é "o único activo relevante em questão".

Sobre valores, no início de Junho, foi noticiado que a Prisa quer vender a empresa portuguesa por 450 milhões de euros, um valor considerado pelos analistas "difícil de alcançar".

Este negócio está a ter repercussões noutras cotadas. Para começar na Nos. Apesar de os analistas duvidarem da criação de valor da compra de empresas de media por parte de operadoras de telecomunicações, há quem acredite que a Nos terá pouca margem para não responder a uma ofensiva da Altice no mercado nacional. "Acreditamos que, neste cenário, a Nos será forçada a reforçar os seus investimentos nos conteúdos e não excluímos a possibilidade de a Impresa ser um alvo", diz o analista do BPI.

Já o Haitong duvida que a Nos entre nesta guerra, considerando que a empresa liderada por Miguel Almeida "pode sempre replicar" este modelo "através de outros operadores de media locais, nomeadamente através de acordos com produção de conteúdos sem a necessidade de comprar qualquer activo". O Haitong considera mesmo que a Nos não terá intenção de comprar qualquer empresa de media.

As notícias sobre o interesse da Altice na Media Capital já são antigas. No final do ano passado este interesse foi noticiado e, nessa altura, Miguel Almeida afirmou, em entrevista ao Expresso, que caso este negócio avançasse e "os reguladores não fizerem nada haverá guerra". Em Março, o mesmo responsável deixou claro que a empresa não tenciona avançar para a compra de empresas de media de forma proactiva. "Enquanto empresa do sector e cidadão [Miguel Almeida] considero que é não é um caminho positivo para a sociedade", acrescentou em Março.

A Impresa é, aliás, a cotada que mais tem beneficiado em bolsa com estas movimentações. Já mais do que duplicou de valor desde o início do ano para máximos de Fevereiro de 2016, e mais do que quadruplicou o número de acções negociadas em média por dia este ano face ao ano passado. Só esta segunda-feira trocaram de mãos quase dois milhões de acções da empresa liderada por Francisco Pedro Balsemão. Tudo porque tem sido apontada como o potencial alvo de uma compra por parte da Nos. O BPI considera que esta especulação será a base de suporte das empresas de media em bolsa.

Há outra cotada de media em bolsa, a Cofina, dona do Negócios, que também tem beneficiado da especulação em torno dos negócios de media, apesar de ser de uma forma mais moderada. As acções da empresa que detém ainda o Correio da Manhã sobem mais de 50% desde o início do ano e o volume mais do que duplicou.

Estamos cépticos sobre a estratégia de valor destes activos para
as operadoras de telecomunicações.
Pedro Oliveira, Analista do BPI
A Nos pode sempre replicar este modelo através de outros operadores de media locais, nomeadamente através de acordos com produção
de conteúdos sem a necessidade de comprar qualquer activo.
Nuno Matias, Analista do Haitong







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comentários mais recentes
Anónimo Há 3 semanas

Ninguém está à espera que os excedentários se demitam. Terá sempre que ser alguém a activar esse processo. Portugal precisa desse alguém. As economias e sociedades mais avançadas já o têm há muito.

pertinaz Há 3 semanas

JUNTAM-SE DOIS PROBLEMAS...!!!

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