Empresas Ao fim de 128 anos a gigante do alumínio parte-se em duas

Ao fim de 128 anos a gigante do alumínio parte-se em duas

A Alcoa, a empresa sedeada em Nova Iorque que inventou o moderno processamento do alumínio e que dá sempre o pontapé de saída das épocas de apresentação dos resultados trimestrais das cotadas dos EUA, separa-se hoje, formalmente, em duas metades.
Ao fim de 128 anos a gigante do alumínio parte-se em duas
Bloomberg
Carla Pedro 01 de Novembro de 2016 às 12:00

A maior produtora norte-americana de alumínio - metal industrial que é conhecido como "ouro branco" - anunciou a 28 de Setembro de 2015 que iria dividir-se em duas empresas independentes. A 29 de Setembro de 2015 o conselho de administração da empresa aprovou a conclusão do processo. E esta terça-feira, 1 de Novembro, é dia de separação.

A partir de hoje passará, assim, a haver duas empresas do universo Alcoa: a Alcoa Corp., que manterá o seu legado do processamento de metais industriais [activos mineiros e da fundição]; e a Arconic Inc., que ficará com as unidades de negócio ligadas às componentes para automóveis e aviões.

A Arconic terá como presidente executivo o actual CEO da empresa ainda não separada, Klaus Kleinfeld, que será também seu "chairman". Já o CEO da Alcoa Corp. será Roy Harvey, sendo Michael Morris o presidente não executivo do conselho de administração.

Klaus Kleinfeld tem estado a fazer uma grande aposta no futuro da empresa em torno das componentes para aviões e automóveis, o que tem agradado aos investidores.


O segmento de soluções e produtos de engenharia – que abrangerá a maior unidade de manufactura da empresa depois de se autonomizar perante o negócio dos activos mineiros e da fundição – contribuiu para o aumento dos lucros da Alcoa no segundo trimestre deste ano, o que contrabalançou com a pressão negativa exercida pela queda dos preços do alumínio. 

Esta cisão libertará a Arconic de muitas das incertezas que rodeiam a actividade das matérias-primas, num contexto de excesso de oferta de alumínio que levou a que os preços deste metal caíssem para metade face aos máximos de 2008, recorda a Bloomberg.
 

Ao mesmo tempo, a Alcoa Corp. – que até 1999 foi formalmente conhecida como Aluminum Company of America – começará a sua vida corporativa com uma menor dívida e poderá beneficiar de mais de nove anos de cortes de produção e de investimentos nas suas operações a nível global.

A Alcoa Corporation passará a negociar, a partir desta terça-feira, como uma empresa independente na Bolsa de Nova Iorque, sendo que o símbolo do seu ‘ticker’ será AA. Já a Arconic terá o ‘ticker’ ARNC.

Um dos grandes marcos da Alcoa [nascida a 1 de Outubro de 1888] remonta a 1987, quando o novo CEO da empresa, Paul O’Neill – que desempenhou o cargo até 2000, tendo depois sido secretário norte-americano do Tesouro – , se apresentou perante um grupo de analistas em Wall Street para fazer um ponto de situação sobre o desempenho da empresa, causando um forte impacto: em vez de falar de margens, disse que o objectivo era apostar na segurança dos trabalhadores, uma vez que nessa altura se registava uma média de um acidente por semana (e às vezes fatal).

Diz o livro Putting Stories to Work: Mastering Business Storytelling, de Shawn Callahan, que os analistas julgaram que O’Neill estava louco, tendo corrido a fazer recomendações de venda das acções da empresa. Foi das piores decisões de investimento que tomaram, pois o CEO da Alcoa conseguiu reduzir de forma drástica os acidentes de trabalho e as cotações reflectiram essa melhoria com uma forte subida.

No passado dia 11 de Outubro, a Alcoa apresentou os seus resultados trimestrais e os números não foram os desejados, numa altura em que as cotações do alumínio acusam a pressão decorrente da queda dos preços do petróleo (o que arrasta a maioria das restantes matérias-primas) e a valorização do dólar face ao yuan, o que encarece as importações de um dos maiores consumidores: a China.


A empresa, na última divulgação de contas antes de se cindir, reportou um lucro por acção de 32 cêntimos (excluindo itens extraordinários), ficando assim aquém do esperado pelos analistas, que apontavam para 35 cêntimos.

As receitas desceram 6% para 5,21 mil milhões de dólares, também abaixo das estimativas dos analistas consultados pela Reuters (5,31 mil milhões de dólares).

A Alcoa despediu-se ontem em bolsa, antes da separação, a ganhar 1,23% para 28,72 dólares. Mas no acumulado do ano o saldo foi negativo, com a fabricante de alumínio a perder 3,01%.

 




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