Automóvel Arménio Carlos pede que Governo negoceie produção de veículos eléctricos para Autoeuropa

Arménio Carlos pede que Governo negoceie produção de veículos eléctricos para Autoeuropa

O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, propôs ao Governo que intervenha na Autoeuropa para criar as condições para que produza veículos eléctricos. "Este é o momento certo para discutir uma estratégia de médio e longo prazo para a fábrica", escreve no Público.
Arménio Carlos pede que Governo negoceie produção de veículos eléctricos para Autoeuropa
Miguel Baltazar
Diogo Cavaleiro 19 de dezembro de 2017 às 09:12

O Governo português deve ter uma palavra a dizer no futuro da Autoeuropa, segundo afirma Arménio Carlos. O secretário-geral da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses - Intersindical Nacional (CGTP-IN) defende, em artigo de opinião escrito no Público, que o Executivo deve diligenciar para que a fábrica portuguesa produza carros eléctricos.

 

"No momento em que a Volkswagen já chegou a um acordo com o Governo alemão relativamente à substituição de uma parte da produção dos carros com motor a combustão por viaturas com motor eléctrico, assim como às condições de condicionamento da circulação dos primeiros e apoios à comercialização dos segundos, é altura de o Governo português assegurar as condições necessárias junto da multinacional para que a Autoeuropa seja parte integrante desta nova fase da estratégia produtiva da Volkswagen", opina Arménio Carlos.

 

A fabricante automóvel com sede na Alemanha, depois do escândalo da manipulação das emissões designado de "dieselgate", determinou um plano de investimento de 34 mil milhões de euros para se tornar líder nos carros eléctricos, como reportou a Reuters em Novembro.

 

Na edição do Público desta terça-feira, 19 de Dezembro, o secretário-geral da intersindical sublinha que a proposta de transformação do foco de produção na Autoeuropa, agora centrada no novo modelo T-Roc, foi já apresentada ao Governo, acrescentando que será uma oportunidade de contribuir para o "bem dos trabalhadores".

 

O pedido de intervenção é feito depois de, na semana passada, o ministro do Trabalho, José Vieira da Silva, ter pedido um "diálogo social construtivo e profícuo" na empresa Esta segunda-feira, começaram as conversações entre administração e trabalhadores para a definição das novas jornadas, isto depois de terem sido impostas novas condições laborais. 

 

Num momento de tensão entre administração e trabalhadores, e em que a fábrica está parada por falta de peças de fornecedores, a confederação acredita que se deve discutir agora "a estratégia de médio e longo prazo" para a unidade localizada em Palmela, distrito de Setúbal, cuja produção efectiva iniciou-se em 1995.

 

Trabalhadores têm de ser "parte activa"

 

A posição que a CGTP pretende que seja implementada na fábrica tem de se opor à "estratégia mais vasta de desregulação dos horários e de preparação faseada de regresso ao passado em que o sábado era considerado um dia de trabalho normal, logo sem pagamento de trabalho suplementar e inserido numa semana de seis dias de trabalho".

 

Arménio Carlos sublinha que os trabalhadores têm de ser "parte activa na discussão e decisão sobre a organização e gestão do tempo de trabalho face à importância deste para a retribuição, a saúde, o repouso e a articulação da vida profissional com a vida pessoal e familiar".

 

Sem comparações com Opel

 

O líder da central sindical rejeita comparações com a Opel, que saiu de Portugal, acrescentando que não se pode ceder "à chantagem e à mentira" em que é atribuída aos trabalhadores as responsabilidades por essa decisão da fabricante.

"A verdade é que ela se deveu a uma estratégia da multinacional baseada no encerramento das fábricas mais pequenas e na concentração em outras de maior dimensão na Europa Ocidental, onde os trabalhadores até tinham salários mais elevados, como foi o caso de Espanha, e na abertura de uma grande fábrica na Rússia, em São Petersburgo, para rentabilizar o potencial de vendas de viaturas naquele país. Por mais que os profetas da desgraça se esforcem em tornar realidade os seus desejos, não é isso que se perspectiva para a Autoeuropa", afirmou.

 

Nesse aspecto, Arménio Carlos criticou também - sem identificar - quem fala dos prejuízos da greve dos trabalhadores e não opina sobre a paragem de produção que terá lugar de 26 a 29 de Dezembro.

 

Na Volkswagen, segundo o site oficial, além da comissão de trabalhadores, as duas centrais sindicais (UGT e CTGP-IN) estão representadas.

 

O texto de opinião de Arménio Carlos é escrito depois de o líder da UGT, Carlos Silva, ter culpado, em entrevista ao Negócios e à Antena 1, a CGTP por ter deixado cair os seus representantes na comissão de trabalhadores da Autoeuropa, ainda que, também, repartindo culpas pela força ganha pela comissão de trabalhadores face aos sindicatos: "Todos nós falhámos quando permitimos que fosse exclusivamente a comissão de trabalhadores a determinar o rumo das negociações por imposição da empresa", afirmou, na entrevista. 




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