Empresas As oito maiores petrolíferas do mundo poluem tanto como os Estados Unidos

As oito maiores petrolíferas do mundo poluem tanto como os Estados Unidos

Oito das maiores companhias petrolíferas mundiais são responsáveis por emissões poluentes para a atmosfera a um nível equivalente ao de todo o território norte-americano, diz um relatório da empresa de estudos de mercado CDP.
As oito maiores petrolíferas do mundo poluem tanto como os Estados Unidos
Bloomberg
Carla Pedro 11 de março de 2017 às 15:00

Nos últimos anos, as emissões de gases com efeitos de estufa por parte de oito das maiores petrolíferas mundiais têm igualado a poluição proveniente dos Estados Unidos. A conclusão é da empresa britânica de estudos de mercado CDP, que se debruça sobre temas ligados à sustentabilidade ambiental.

 

No seu relatório, a que a Bloomberg teve acesso, a CDP sublinha que a Saudi Aramco, a Exxon Mobil, a National Iranian Oil, a BP, a Royal Dutch Shell, a China National Petroleum Corp. e a Petroleos Mexicanos (Pemex) são as oito companhias que mais poluem: as suas emissões foram responsáveis por um terço das emissões provenientes do petróleo e do gás.

 

Este estudo, conforme sublinha a Bloomberg, coincide com uma altura de viragem, pois neste momento o presidente norte-americano, Donald Trump, está a trabalhar no sentido de reduzir as regulamentações em matéria de protecção do ambiente.

Além da desregulamentação prometida por Trump, o sector petrolífero tem mais dois aliados de peso nos EUA, que se chamam Keystone XL e Dakota Access Pipeline. São eles os dois oleodutos cuja construção o novo residente da Casa Branca já prometeu fazer avançar.

 
Estas medidas da Administração Trump são vistas, por muitos, como um retrocesso face aos compromissos assumidos em matéria de protecção climática. Trump ameaçou, aliás, retirar os EUA do acordo da Cimeira do Ambiente, realizada no final de 2015 em Paris. E, no passado dia 9 de Março, Scott Pruitt, que vai chefiar a Agência norte-americana de Protecção Ambiental, declarou à CNBC que não concorda que o dióxido de carbono proveniente da actividade humana seja a principal causa do aquecimento global.

Não é o que a CDP - nem as organizações ambientais e outros reconhecidos defensores do clima - acha. "Uma forma de avançarmos de facto com medidas em defesa do clima consiste identificarmos os principais produtores de combustíveis fósseis que estão a levar a um sobreaquecimento do planeta e foi isso que a CDP fez e que agora revela ao divulgar estes dados", afirmou à Bloomberg o presidente executivo da empresa britânica, Paul Simpson.

 

A CDP analisou 50 empresas de petróleo e gás, medindo as suas emissões directas e poluição decorrentes da utilização dos seus produtos – e isto desde 1854.

 

Toda a indústria petrolífera e gasífera produziu cerca de 40% das 832 gigatoneladas de carbono-equivalente emitidas em todo o mundo nas últimas três décadas, refere o estudo da CDP.

 

De acordo com as conclusões deste trabalho exaustivo, a estatal saudita Aramco foi a maior poluente – tendo sido responsável por quase 5% da poluição de carbono industrial ao longo do tempo.

 

Entretanto, o The Washington Post sublinhava na quinta-feira o acordo da anglo-holandesa Shell relativo à venda de activos de areias betuminosas no Canadá, considerando que este foi um "grande passo" rumo à sua reconfiguração como companhia de gás natural.

 

"Com o acordo no valor de 7,25 mil milhões de dólares [6,86 mil milhões de euros] para vender activos canadianos de areias betuminosas, a Shell irá aumentar a sua quota de queima mais limpa nas suas reservas provadas, de cerca de 50% para 60%, revelam os dados da empresa. Além disso, irá também desembaraçar-se de alguns dos activos mais poluentes da sua carteira", frisou o jornal norte-americano.

 

O CEO da Shell, Ben Van Beurden, disse que se está em "pleno processo de transformação da maior petrolífera europeia", não apenas para sobreviver à queda dos preços do crude mas também para participar na desejada transição para um mundo com baixos níveis de emissão de CO2.

 

A aquisição do BG Group, pela Shell, presenteou a empresa anglo-holandesa com depósitos gasíferos desde o Cazaquistão até à Austrália. Na quinta-feira, Ben Van Beurden salientou o compromisso da sua empresa em reduzir a poluição. E, para isso, já está a alterar a política de remuneração dos seus executivos, no sentido de recompensar os esforços de contenção das emissões nocivas. 




A sua opinião1
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
Conselheiro de Trump 11.03.2017

A juntar a essas desgracas temos outra bem palpavel no medio oriente:enquanto o Katar gasta rios de dinheiro para fazer 1 campeonato do mundo de futebol,o pais irmao Jemen em guerra civil,onde ja se fala em milhoes de jemeneses a morrerem a fome,ninguem os ve em situacao deploravel.Triste petroleiro

pub
pub
pub
pub