Telecomunicações Assembleia geral de credores da Oi adiada pela segunda vez

Assembleia geral de credores da Oi adiada pela segunda vez

A assembleia geral de credores da Oi, inicialmente marcada para esta segunda-feira, dia 23, foi na noite passada adiada pela segunda vez, prevendo-se agora que tenha lugar a 10 de Novembro. A operadora está a negociar com detentores de obrigações.
Assembleia geral de credores da Oi adiada pela segunda vez
Bloomberg
Bruno Simões 24 de outubro de 2017 às 10:09

A Assembleia Geral de Credores da Oi foi novamente adiada, a pedido do administrador judicial, e já só deverá realizar-se a 10 de Novembro, informou a empresa em comunicado. Inicialmente marcada para esta segunda-feira, 23 de Outubro, a reunião começou por ser adiada na passada sexta-feira para dia 6 de Novembro, a pedido de alguns dos principais credores. Esta noite, a primeira convocatória foi adiada por mais quatro dias, decidiu o juízo da 7.ª Vara Empresarial da Comarca do Rio de Janeiro.


A segunda convocatória mantém-se para 27 de Novembro.

O operadora brasileira também informou esta segunda-feira que não conseguiu chegar a acordo com os detentores de obrigações séniores. "Não foram alcançados acordos com os titulares de 'Notes' com relação aos termos da Potencial Operação".  Em causa estavam pequenas percentagens de obrigações emitadas pela Oi e garantidas por outras entidades, mas também emitidas pela Portugal Telecom International Finance e garantidas pela Oi. Neste último caso, a operadora brasileira está a negociar com os titulares individuais e com empresas com participação em diversas dessas obrigações com maturidades entre 2016 e 2020.


Em causa estão também os titulares, ou empresas com participação, de 9,75% da obrigações séniores emitidas pela Oi (com vencimento em 2016) ou em 5,125% das obrigações emitadas pela Oi, que vencem este ano, e que foram garantidas pela Telemar Norte Leste.

 

A Oi entregou um pedido de recuperação judicial em Junho último por não conseguir negociar a sua dívida, que ascende a 65 mil milhões de reais (cerca de 17 mil milhões de euros). Praticamente metade deste valor são obrigações detidas por credores estrangeiros, entre os quais cerca de um milhar de portugueses. A empresa apresentou um plano de recuperação a 11 de Outubro que prevê um aumento de capital de nove mil milhões de reais.

 

É esse plano que tem de ser votado na Assembleia Geral de Credores, mas ele não tem convencido aqueles que estão a perder dinheiro com a operadora de telecomunicações. O site brasileiro Terra sugere que este segundo adiamento pode ter surgido depois do regulador brasileiro do sector, Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), ter rejeitado uma das medidas propostas pela Oi para renegociar a respectiva dívida. A Anatel é o maior credor individual da Oi, com uma dívida de 11 mil milhões de reais (2,9 mil milhões de euros).

 

Os maiores credores da Oi, cujo maior accionista é a Pharol, também têm contestado o plano de recuperação que foi entregue.

 
Lesados portugueses criticam barreiras ao pagamento da dívida

Na passada sexta-feira, a sociedade de advogados que representa cerca de 800 lesados portugueses da PT/Oi, Candeias e Associados, mostrou-se satisfeita com o adiamento. Isto porque o adiamento dos prazos permite que mais obrigacionistas portugueses possam aderir ao Programa de Acordo com Credores, que a companhia pôs em marcha para dívidas até 50 mil reais (13.130 euros). Ao abrigo deste programa, os credores recebem imediatamente 90% da dívida.


Os restantes 10% serão pagos após a aprovação do plano da dívida.

 

Porém, por questões burocráticas, dos mais de 1.000 lesados portugueses com obrigações da operadora, mas só cerca de 500 terão aderido por "manifesta falta de capacidade de resposta por parte da sociedade representante da Oi em Portugal para a formalização da adesão ao Programa", declarou a sociedade à Lusa. É necessário fazer um registo "online" e entregar documentação para aderir ao programa ao representante nomeado pela Oi em Portugal, que é a sociedade Carneiro Pacheco e Associados.

 

Na passada sexta-feira, a Associação de Lesados da PT/Oi (ALOPE), que representa cerca de 400 lesados, disse à Lusa que iria apresentar queixa em tribunal contra os bancos que venderam as obrigações e que "falharam redondamente na prestação de informação" sobre o programa que permite saldar a dívida.




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gabi Há 3 semanas

ótimo sinal.isto só vem mostrar a a OIestá mesmo decidida a resolver o problema da sua monstra dívida.não há dúvida que a ANATEL está afazer um ganda bluff a ameaçãr que não assina mas quando o dia chegar até de cruz assina. não acredito que a anatel mande a OI para o charco/liquidação todos perdem!

joaoferreira1 Há 3 semanas

A questão não é o serviço de telecomunicações/dados da OI acabar. Isso, em última análise, vai continuar a ser assegurado através da tomada de controlo por parte da ANATEL/Governo. o BES acabou e o negócio não. O problema da OI é não haver acordo com os credores e eles quererem 90% da companhia e os atuais acionistas/ e a direção quererem manter o ku cheio.

Anónimo Há 3 semanas

Andam nesta guerra de nervos, quando é sabido que não podem deixar cair uma empresa que garante comunicação de dados e voz num país imenso como o Brasil... o que seria, se no dia seguinte não houvesse comunicações de dados nos Bancos e empresas, por exemplo? Mas... têm que manter a farsa...

Lamurias Há 3 semanas

Preco Pharol Junho 2016...10 Centimos...preco Pharol Outubro 2017 40 Centimos...tubarao anda assustar o cardume de sardinha pequena por aí...porque quer engolir Pharol barata...mais umas Pharolzinhas para o saco...bons negócios!

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