Start-ups Atomico conseguiu convencer investidores institucionais para fechar fundo de 700 milhões

Atomico conseguiu convencer investidores institucionais para fechar fundo de 700 milhões

Niklas Zennström, fundador da Atomico, admitiu que não foi fácil angariar investidores para fechar o quarto fundo da capital de risco europeia. Ainda assim, conseguiu atrair fundos de pensões e famílias ricas.
Atomico conseguiu convencer investidores institucionais para fechar fundo de 700 milhões
Bloomberg
Ana Laranjeiro 16 de fevereiro de 2017 às 11:55

A Atomico, uma empresa de capital de risco cuja sede está em Londres, concluiu o seu quarto fundo, o Atomico IV. Tem uma dotação de 765 milhões de dólares, mais de 721 milhões de euros, para investir em tecnológicas europeias. A capital de risco já assumiu mesmo que está a olhar para Portugal depois de, em 2015, ter investido na Uniplaces. Mas angariar capital para este fundo não foi fácil admitiu Niklas Zennström, co-fundador e CEO da Atomico, à Bloomberg.

A decisão do Reino Unido de sair da União Europeia em conjunto com questões relativas à capacidade da Europa para gerar retornos financeiros como os que são obtidos em Silicon Valley, complicaram os esforços da Atomico para levantar capital. Estas questões "tornaram mais difícil, claro", disse Zennström em entrevista à Bloomberg. Os investidores fora da Europa estavam particularmente assustados como o Brexit, acrescentou.

Os esforços para o levantamento de capital demoraram mais de um ano. Ainda assim, e apesar das dificuldades, a equipa da Atomico conseguiu fechar um fundo com 765 milhões de dólares, um dos maiores fundos de capital de risco da Europa. E isto para Zennström é um voto de confiança que foi dado às start-ups do continente.

Ao Business Insider, o líder da capital de risco levantou um pouco o véu e assumiu que angariou capital para o Atomico IV junto de famílias europeias ricas e junto de fundos de pensões, entidades geralmente muito avessas ao risco. "Se os fundos de pensões europeias alocassem metade dos seus activos em capital de risco europeu, o défice de financiamento iria desaparecer", afirmou à publicação. "Temos aqui [Europa] todos os ingredientes. Não precisamos de levantar capital nos Estados Unidos ou em outros locais. Há muito capital aqui", acrescentou.

Uma empresa de capital de risco como a Atomico investe em start-ups, empresas que têm ideias ou projectos inovadores mas que representam, geralmente, um risco elevado. A Atomico revelou que quer investir em tecnológicas que pretendem angariar rondas de investimento de série A ou superiores. Uma start-up que procure uma ronda deste género, muitas vezes, já tem alguns clientes mas precisa de dinheiro para, por exemplo, continuar a desenvolver o seu produto e alcançar mais mercados. Mas o negócio em questão, até por ser muito inovador, pode comportar riscos muito elevados. O que faz com que investidores institucionais olhem para outros activos na hora de investir.

Ao Financial Times, Niklas Zennström assumiu que ter angariado capital junto de vários investidores novos, incluindo fundos de pensões, "é importante porque mostra que os investidores institucionais acreditam que a Europa vai continuar a produzir empresas tecnológicas bem-sucedidas, apesar do seu ambiente político desafiantes" e os mercados financeiros enfrentarem dificuldades.

"A Europa tem de apoiar o seu próprio ecossistema", disse ainda ao FT. "Há pouco capital de risco para as últimas fases disponível em comparação com o número de oportunidades".

No ano passado, o investimento em capitais de risco europeias caiu para 11,2 mil milhões de euros. Este valor contrasta com os 15,2 mil milhões de euros de investimento, segundo dados da Pitchbook Data Inc, citados pela Bloomberg.

Niklas Zennström é um empreendedor sueco. Foi um dos co-fundadores do Skype, empresa que em 2005 foi adquirida pelo Ebay e que actualmente pertence à Microsoft. Em 2006, Zennström fundou a Atomico.




A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
pub