Start-ups Atomico tem 700 milhões para apostar na Europa. “Fã” da Uniplaces olha para Portugal para investir

Atomico tem 700 milhões para apostar na Europa. “Fã” da Uniplaces olha para Portugal para investir

A Atomico, uma empresa de capital de risco, concluiu o seu quarto fundo de investimento. Tem uma dotação de mais de 700 milhões de euros e o objectivo é apostar em tecnológicas europeias. Portugal está na mira.
Atomico tem 700 milhões para apostar na Europa. “Fã” da Uniplaces olha para Portugal para investir
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Ana Laranjeiro 16 de fevereiro de 2017 às 06:01

A 3 de Novembro de 2015, a Uniplaces, que tem uma plataforma de alojamento para universitários, comunicava que tinha fechado a sua primeira ronda de série A. Foram 22 milhões de euros. A capital de risco Atomico, criada em 2006 pelo co-fundador do Skype, Niklas Zennstrom, foi um dos fundos que investiu. Foi a primeira vez que investiu numa start-up nacional. E a última. Mas pode não ser por muito tempo.

A Atomico acabou de fechar o seu quarto fundo de investimento – o Atomico IV. Este fundo tem 765 milhões de dólares, mais de 721 milhões de euros, para investir. E a Europa é o destino. "A Atomico vai investir o valor deste fundo em empresas tecnológicas europeias de series A em diante, que apresentem produtos e soluções no mercado que estejam preparadas para escalar de forma a tornarem-se nos líderes globais dos sectores em que actuam", refere o comunicado.

Carolina Brochado (na foto), Partner da Atomico em Portugal, explica ao Negócios que a empresa de capital de risco desde a sua criação que "tem acreditado e apostado nos empreendedores europeus". "Ao longo dos nossos primeiros três fundos, o foco sempre foi europeu. Além disso, acreditamos ainda que este é o melhor momento no ciclo da tecnologia europeu. Temos grandes centros de tecnologia já estabelecidos, como Londres, Paris, Estocolmo e mais muitos emergentes como Lisboa", conta.

A Atomico defende que a Europa tem muito talento, algo que pode ser ilustrado pelo número de programadores. Tem 4,7 milhões de programadores, um valor que fica acima dos 4,1 milhões que existem nos Estados Unidos. Porém, "existe um deficit de financiamento grande na Europa versus Estados Unidos", ainda mais notório quando se trata das rondas de investimento mais elevadas.


Os Estados Unidos aplicaram medidas mais restritivas à entrada de migrantes. Muitas das empresas tecnológicas têm muito talento estrangeiro nas suas equipas e com políticas que limitam a entrada de cidadãos de outros países, as start-ups e grandes tecnológicas poderão olhar para outras geográficas para se localizar.

Quando questionada sobre se as mudanças políticas nos EUA ajudaram a tomar a decisão de que o Atomico IV investa apenas em tecnológicas europeias, Carolina Brochado aponta que "as mudanças nos Estados Unidos podem vir a afectar a Europa mas acreditamos no potencial europeu" independentemente "dos acontecimentos lá fora".

O Brexit também não será entrave à aposta em start-ups britânicas através deste fundo. Mas Portugal também não escapa ao radar desta capital de risco.

Carolina Brochado defende que a Atomico é "grande fã da Uniplaces", a empresa portuguesa em que investiram há mais de um ano. "Eles têm grande ambição de crescerem a nível global. Estamos muito felizes com nossa parceria. Continuamos a vir a Portugal com frequência, participando e apoiando eventos locais e mantendo contactos com empreendedores e investidores locais".

A Partner da Atomico em Portugal assume que "estamos muito optimistas com o ecossistema português, que continua a amadurecer". "Existe grande talento em Portugal e estamos animados para apoiar os mais ambiciosos empreendedores".


A Atomico vai investir em empresas que queiram financiamento de serie A e em diante. O valor médio do investimento estará entre os cinco milhões e os 25 milhões de dólares "mas irá depender do sector". A Atomico estima que os mais de 700 milhões que estão no fundo deverão dar para cerca de 30 investimentos na Europa mas "vai depender da evolução do fundo".

 

 




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