Media AT&T e Time Warner: Suspense regulatório no maior negócio do ano

AT&T e Time Warner: Suspense regulatório no maior negócio do ano

Liberdade de escolha, preço e publicidade. Eis os três pilares para que os reguladores dêem luz verde à compra da Time Warner pela AT&T. A operadora já garantiu que o mercado se vai manter como até agora. O processo regulatório pode levar mais de um ano a fechar.
AT&T e Time Warner: Suspense regulatório no maior negócio do ano
REUTERS
Wilson Ledo 24 de outubro de 2016 às 22:40

É já certo que a compra da Time Warner pela AT&T terá de passar pelos reguladores da concorrência norte-americanos.

Em Novembro, há a primeira audição: está em causa o maior negócio do ano – de 85 mil milhões de dólares ou 78 mil milhões de euros – e o modo como a América vê televisão. Especialistas ouvidos pela imprensa estrangeira dividem-se: as hipóteses são as mesmas para o negócio receber luz verde... ou não.

Randall Stephenson não espera um bloqueio. O CEO da AT&T fala numa "integração vertical" porque as duas empresas não concorrem directamente. A expectativa é de que o negócio esteja fechado até ao final de 2017.

A AT&T é a maior operadora de televisão paga dos Estados Unidos e conta com forte presença nas comunicações móveis. Já a Time Warner produz conteúdos, contando no catálogo com os canais HBO, CNN, TNT e as sagas de cinema Harry Potter e Batman.

Na mira dos reguladores – que não se têm mostrado favoráveis a fusões à escala nacional nos EUA – vão estar três tópicos: liberdade de escolha, preço e publicidade.

Contra o negócio já se juntaram os candidatos presidenciais Donald Trump e Hillary Clinton, criticando o risco de falta de pluralidade na informação. Outro receio é que a AT&T aproveite a sinergia para tornar os conteúdos da Time Warner mais acessíveis nas suas plataformas e suba os preços para que outras operadoras tenham estes canais. Tal acabaria por aumentar o valor a pagar pelo consumidor final no acesso aos seus concorrentes.

Mesmo que a dinâmica de mercado se mantenha com a fusão, a AT&T poderá beneficiar do maior consumo de conteúdos no "mobile", com a criação de pacotes de dados mais amplos, e ainda reunir mais informação sobre os consumidores para dirigir publicidade e explorar novas formas de programação.

No pólo oposto da questão, os analistas sublinham que depois de comprar a DirecTV, a AT&T goza de boa reputação junto dos reguladores. A empresa já fez questão de salientar que não tem intenções de limitar o acesso a conteúdos da Time Warner a outras operadoras, até porque isso "não faria sentido" para o negócio. A inovação vai estar disponível para todo o mercado, garante.

Por outro lado, face à sua nova posição, a AT&T poderá ter de pagar mais para ter conteúdos que não são da Time Warner. O reverso da medalha na mira da regulação.




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