Banca & Finanças Autoridade da Concorrência "preocupada" com aumento de comissões bancárias

Autoridade da Concorrência "preocupada" com aumento de comissões bancárias

A presidente da Autoridade da Concorrência (AdC) manifestou hoje "preocupação" com as comissões cobradas pelos bancos, por o seu foco estar no consumidor, acrescentando ter "muita preocupação" pela hipótese de existir uma "orientação que leve a um aumento de preços".
Autoridade da Concorrência "preocupada" com aumento de comissões bancárias
Lusa 06 de junho de 2017 às 19:45

"[As comissões] É algo que nos preocupa, porque o nosso foco está no consumidor e, portanto, quando vemos os preços a aumentar, preocupa-nos perceber se existe algum tipo de concertação ilegal entre as empresas, mas também temos que perceber se há algum tipo de intervenção nomeadamente dos reguladores sectoriais que possa levar a este tipo de comissões", afirmou Margarida Matos Rosa, numa audição em comissão parlamentar.

 

Aos deputados, a responsável repetiu por diversas vezes a aposta no "início de diálogo" com os reguladores, nomeadamente com o Banco de Portugal.

 

"Nós temos missões diferentes, portanto, podem levar a orientações diferentes ao sector. Preocupa-nos muito que possa haver uma orientação que leve a um aumento de preços para o consumidor sem que as empresas do sector possam exercer livremente concorrência entre si", assinalou.

 

Na Comissão parlamentar de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa, a responsável acrescentou ainda que "formalmente pode não haver uma indicação taxativa do aumento das taxas, pode haver uma indicação, uma recomendação que leve ao aumento das comissões e que seja contrária à concorrência".

 

Margarida Matos Rosa sublinhou que durante este ano pretende aumentar o diálogo, "e de maneira definitiva daqui para a frente", com a supervisão na área financeira.

 

"Deste diálogo farão parte certamente questões como preços, preço aos consumidores, e as comissões fazem parte desse lote de preços e certamente teremos que perceber se esse preço é fixado de maneira independente ou se é levado a subir por necessidades de melhores resultados das instituições bancárias e o papel activo, ou menos activo, do regulador, nessas subidas", disse.

 

A líder da AdC revelou não estar a decorrer actualmente qualquer estudo sobre o assunto.

 

"O que não quer dizer que não venha a existir", afirmou a presidente da AdC, que espera no âmbito do diálogo com os reguladores perceber "onde é mais necessária a intervenção".

 

Para a responsável, não é necessário um "redesenho do modelo de supervisão nesta área, mas há necessidade de maior coordenação, no sentido de maior aproximação, no sentido de alertar para indícios de cartel em determinada área bancária, seguradora e alertar sobre barreiras à concorrência nestes sectores também".

 

"Tradicionalmente não tem havido uma proximidade muito forte. Penso que não estou a ser injusta a dizê-lo. Há tradicionalmente mais com outros sectores", concluiu.




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comentários mais recentes
Anónimo 07.06.2017

Então existe uma Autoridade da Concorrência em Portugal?. Quem são?Quem os nomeia?É que ainda ninguém deu pela sua existência.

Anónimo 07.06.2017

A Concorrência todos sabemos funciona excepcionalmente bem em Portugal, preços da gasolina, preços das telecomunicações, electricidade, nas comissões dos bancos .. tudo funciona certinho, tão certinho que era tempo da Policia Judiciária investigar a Aut. da Concorrência

josé silva 06.06.2017

falar só por falar ? ou para mandar recados ? que forma de fazer a coisa pro mercado !!!
as contas de serviços minimos foram criadas porquê?
não dá para 'normalizar' fazer uma tabela e deixar a concorrencia funconar tipo os combustiveis ? piada para rir ok? por isso somos o melhor povo do mundo.

Anónimo 06.06.2017

O BCE, para proteger os paises endividados a qualquer preço à custa dos outros, mantém taxas de juro negativas mesmo com a inflação a 1,5%. O sr. Draghi incitou os bancos a aumentar as comissões para compensar as perdas que lhes inflige com as suas taxas negativas. Uma insanidade completa.

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