Banca & Finanças "Bad bank" e seguros são preocupação para o BCP

"Bad bank" e seguros são preocupação para o BCP

No prospecto do aumento de capital do BCP, são apontados vários riscos. Um deles é o banco mau, que o BCP diz não querer. Outro é a nova supervisão da área de seguros.
"Bad bank" e seguros são preocupação para o BCP
Diogo Cavaleiro 12 de Janeiro de 2017 às 19:52

A eventual constituição de um banco mau em Portugal, que agregue os créditos em dificuldades que estão nos bancos, é um risco pela frente do BCP. A Solvência II, o regime de supervisão dos seguros que entrou em vigor no ano passado, também, já que o BCP tem 49% da Ocidental Vida. 

 

"A eventual criação de um ‘bad bank’ em Portugal poderá traduzir-se em necessidades adicionais de capital para o banco", assinala o prospecto do aumento de capital de 1,33 mil milhões de euros que a instituição liderada por Nuno Amado vai implementar.

 

Segundo o documento, publicado esta quinta-feira 12 de Janeiro, "a utilização de um ‘bad bank’ para redução do stock de NPE [exposições não performantes, que inclui o crédito malparado] detido pelo banco poderia implicar a transmissão de créditos a um preço abaixo do seu valor contabilístico, o que resultaria em menos-valias para o banco e, consequentemente, numa deterioração dos seus rácios de capital".

 

Mesmo mencionando o assunto, o BCP ressalva que a constituição deste veículo não foi ainda alvo de qualquer novidade, apesar de ter sido mencionada "por membros do Governo e responsáveis do Banco de Portugal". O governador Carlos Costa é um dos que defende a criação de um "banco mau", cujos moldes nao são conhecidos. 

 

A questão dos seguros é outro dos riscos elencados no prospecto autorizado pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Em 2016 entrou em vigor o regime de supervisão de seguros Solvência II, pelo que "novas exigências regulatórias são expectáveis nos próximos anos, nomeadamente no que diz respeito à revisão dos requisitos de capital, a garantias de longo prazo e a ferramentas de supervisão macroprudenciais".

 

"Há o risco de os efeitos destas medidas adoptadas, ou a serem adoptadas, poderem afectar negativamente a Millenniumbcp Ageas, influenciando as respectivas operações de negócio, estratégia e lucros, incluindo potencialmente um aumento do capital necessário para suportar o negócio e criar uma desvantagem competitiva relativamente a outros grupos europeus e não europeus que prestem serviços financeiros", indica o banco presidido por Nuno Amado. A Millenniumbcp Ageas é a empresa através da qual através da qual o banco detém 49% da área de seguros do ramo vida da Ocidental, sendo que 51% estão nas mãos da Ageas, que é a parceria do banco neste sector. 

 

"Este impacto poderá afectar a política de dividendos e/ou resultar num aumento de capital que poderá afectar adversamente a actividade do banco, na sua situação financeira e nos resultados das suas operações e nas suas perspectivas futuras", acrescenta ainda o prospecto. O BCP antecipa o "potencial regresso" aos dividendos em 2018.  

No prospecto, como ocorre neste tipo de operações, são elencados os riscos relativos à economia portuguesa e também à conjuntura europei mas também aos mercados em que o BCP está exposto. 

 

O aumento de capital do BCP começa na próxima semana. Na terça-feira, as acções do banco passam a negociar sem direitos associados à operação, já que estes começam a negociar em bolsa na quinta-feira seguinte, 19. Estes direitos permitem a compra das novas acções que serão emitidas pelo BCP.




A sua opinião3
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
Canlambas Há 4 dias

Camaradas isto significa que ainda fica muita coisa escondida no BCP e nos outros ,mesmo depois deste aumento de capital outros virão . Os nossos camaradas Vara,Santos Ferreira,Socrates e Constancio deram cabo dos rácios o Amado é o único a dizer a verdade e por isso seja mal amado camaradas

4% limite psicologógico Há 4 dias

Até agora acho que só à CGD interessa ...
porque será, pergunto eu
hahahah

Anónimo Há 4 dias

vais precisar dum pa o liquidares dps.

pub
pub
pub
pub