A fusão entre a britânica BAE e a franco-alemã EADS pode estar em perigo por causa dos contratos existentes com o Pentágono

A BAE Systems admitiu desistir da fusão de 35 mil milhões de euros com a
EADS para manter a relação privilegiada que mantém com o Pentágono.
Segundo avança esta segunda-feira, 24 de Setembro, o "Financial Times", a BAE já fez o aviso. "A BAE não fará o negócio se o seu Acordo Especial de Segurança tiver de ser alterado para ficar semelhante ao da EADS", avança fonte não identificada ao jornal britânico, que conclui, por esta declaração, que existem complicações na fusão das duas empresas europeias.
O acordo que a BAE tem com o Pentágono obriga a que a empresa tenha gestão americana nos Estados Unidos, o que significa que ao ser uma companhia "americana" pode entrar em determinados projectos de segurança norte-americana. O que não acontece com a EADS que tendo também um acordo especial de segurança é, no entanto, mais restritivo.
Com o acordo que tem a BAE, a empresa britânica conseguiu já que do seu volume de negócios cerca de 14 mil milhões de dólares sejam realizados nos Estados Unidos da América, onde emprega 40 mil pessoas. O que, aliás, é um dos atractivos para a EADS, consórcio franco-germânico, que emprega três mil pessoas nos Estados Unidos onde realiza 1,4 mil milhões de dólares.
Alguns advogados citados pelo "FT" acreditam que
Washington não estará disposto a manter o acordo privilegiado com a BAE se a fusão avançar.
De acordo com a proposta de fusão, a EADS ficará com 60% da nova empresa, enquanto a BAE ficará com 40%.